Um juiz da Califórnia permitiu que o processo civil de assédio sexual contra Marilyn Manson, movido por sua ex-assistente Ashley Walters, seja novamente considerado na Justiça depois de ter sido arquivado anteriormente.
A ação, que alega que os supostos abusos (de cunho verbal, físico e sexual) ocorreram entre agosto de 2010 e julho de 2011 enquanto Walters trabalhou para o artista, foi inicialmente apresentada em 2021 e enfrentou sucessivas rejeições por questões relacionadas ao prazo legal para registrar ações desse tipo. A última decisão de arquivamento ocorreu poucos dias antes do julgamento que estava agendado para começar em janeiro, quando o juiz Steve Cochran decidiu que as alegações estavam fora do prazo legal e não puderam avançar para o tribunal.
Agora, Waters terá seu processo reaberto graças à nova lei californiana AB-250, que cria uma ação temporária para que vítimas adultas de agressão sexual apresentem ou reanimem casos que seriam impedidos pelo estatuto de limitações.
Com a retomada do processo, a audiência está marcada para 27 de março. O advogado de Manson, Howard King, declarou à Rolling Stone que a reivindicação “não sobreviverá” a futuros desafios legais, mantendo a negação das acusações pelo músico.
“Ashley Walters recebeu o direito de apresentar uma queixa específica de agressão sexual sob a lei recém-promulgada, uma queixa que não sobreviverá à próxima moção de julgamento sumário. O fato inegável é que o Sr. Brian Warner [nome de batismo de Marilyn Manson] nunca cometeu qualquer agressão sexual”, disse Howard King.
Ashley Walters era oferecida a amigos do cantor para que pudesse “agradá-los”
Documentos judiciais apresentados em 2021 pela ex-assistente Ashley Walters afirmam que, durante o período em que trabalhou para Marilyn Manson, ela teria sido sexualmente explorada e até “oferecida” a amigos e conhecidos do músico sem seu consentimento. De acordo com as alegações, Walters diz que Manson incentivava que terceiros a beijassem, tocassem ou a “tivessem” como bem entendessem. Comportamento que alega ter ocorrido repetidamente enquanto estava sob sua supervisão profissional e pessoal.
Os relatórios também descrevem outros episódios graves, como exigência de ficar acordada por longos períodos sob a influência de drogas, abuso físico e coerção psicológica, além de comentários inapropriados e comportamentos predatórios atribuídos ao cantor. Manson também chantageava a vítima por meio de uma série de fotos que ele a teria forçado a tirar usando artefatos nazistas.
Essa ação também se manifestou durante seu relacionamento com a atriz Evan Rachel Wood, que teria testemunhado comportamentos racistas e nazistas do cantor, que gostava de chamá-la de “judia” de modo pejorativo. Essas acusações surgiram em meio a um conjunto mais amplo de relatos de várias mulheres que mencionaram situações de abuso envolvendo Manson ao longo dos últimos anos.
Acusações de abuso sexual contra Marilyn Manson
Nos últimos quatro anos, Manson se envolveu em uma série de batalhas judiciais e foi acusado por várias mulheres, incluindo a atriz Evan Rachel Woodd, de abuso sexual, emocional e físico. Com o depoimento da atriz, outras mulheres vieram à público para denunciar inúmeros atos de violência por parte de Manson; entre elas, a também atriz Esmé Bianco e a ex-assistente, Ashley Walters.
Marilyn Manson realizou seu retorno aos palcos em agosto de 2024, fazendo seu primeiro show desde as acusações. Em novembro do mesmo ano, lançou o álbum Assassination Under God – Chapter 1 pela Nuclear Blast Records após ter sido dispensado por sua gravadora de longa data Loma Vista Recordings e pela agência CAA após as acusações.
O cantor negou todas as acusações e processou diversas de suas supostas vítimas, sendo absolvido em janeiro de 2025 por falta de provas. Atualmente, Manson segue normalmente com suas turnês, embora o primeiro show da etapa européia da One Assassination Under God tenha sido cancelado após protestos contra a má conduta do músico.
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