A celebração da vida através da morte chegou a seu estágio final. Sepultura realizou na noite do último sábado, 07, seu tão esperado show de despedida em São Paulo, que originalmente aconteceria na Mercado Livre Arena Pacaembu, mas acabou sendo transferido para a Suhai Music Hall.
Antes do momento mais importante da noite, os cerca de 9 mil fãs presentes ainda tiveram a oportunidade de verem shows de bandas que, de certa forma, também estão ligadas ao caminho do já saudoso grupo mineiro: Sacred Reich, banda norte-americana de thrash metal, Krisiun, trio brasileiro de death metal, e o Metal Allegiance, supergrupo formado por grandes nomes do estilo como Mike Portnoy, Phil Demmel, Mark Menghi, Troy Sanders, Alex Skolnick e Chuck Billy, ambos do Testament.
Show longo e participação de convidados especiais
No entanto, o foco principal residia na atração principal e por 30 faixas e fazendo consequentemente o show mais longo de sua história, pode-se dizer que o Sepultura fez um bom apanhado de músicas em seu setlist final, sendo 18 faixas da fase Max Cavalera e 12 da era Derrick Green.
E para celebrar sua história, o momento pedia a presença de convidados especiais, com todos de certa forma ligados ao grupo: Yohan Kisser, filho de Andreas Kisser, na faixa “Convicted in Life” Allan Wallace, da também banda mineira Eminence em “Dusted”, e Moyses Kolesne, do Krisiun, em “Itsári”, e “Kaiowas”, faixa esta que também contou com a participação de fãs e famosos tocando tambores no palco. Incluindo o apresentador Serginho Groisman.
A apresentação ainda incluiu a presença de João Gordo para cantar “Reza”, do guitarrista Jão, também do Ratos de Porão para as performances de “Crucificados pelo sistema” e do hit “Beber até Morrer”. Além de nomes conhecidos, a banda também convidou ao palco a dupla de jovens músicos Ethan Kahn e Sean Sterling do grupo norte-americano Chained Saint para uma versão especial de “Propaganda”.
Amilcar Christófaro, baterista do Torture Squad, também esteve presente, tocando “Beneath The Remains”. Após a faixa, Andreas agradeceu o músico por ajudar o grupo em diversas ocasiões, brincando que ao longo da história, o Sepultura teve “poucos” impasses com bateristas.
Agradecimento de Andreas Kisser a todos que passaram pela banda
Vestindo uma camiseta com a clássica frase “That ‘s All, Folks (Isso é tudo, pessoal)” dos Looney Tunes, Andreas Kisser fez seu discurso agradecendo a todos aqueles que já passaram pelo grupo e sua vida, em especial o baixista Paulo Xisto. sua saudosa esposa Patricia Kisser e especialmente a Derrick, a quem agradeceu por ter se juntado à banda logo após o período mais conturbado de sua história.
O guitarrista ainda teceu elogios ao jovem baterista Greyson Nekrutman, a quem afirmou “amar” e ter declarado que apesar de sua entrada às pressas na formação em 2024 após a saída de Eloy Casagrande para o Slipknot, o norte-americano trouxe uma “energia nova” ao Sepultura, resultando na gravação do EP The Cloud of Unknowing, lançado em abril e que teve 3 de suas três faixas reproduzidas ao longo do show.
Mesmo com o insucesso nas tentativas de trazer Max e Iggor Cavalera para o show, o guitarrista fez questão de agradecê-los, afirmando que ambos “sempre serão Sepultura”, bem como citou o nome de Vânia Cavalera. Falecida em 2023, a mãe dos Irmãos Cavalera teve um papel importante na fundação do grupo.
Único membro da formação original a estar presente no show, Jairo Guedz subiu ao palco para tocar três faixas: “Biotech is Godzilla”, “Slave New World”, e “Troops of Doom”, faixa esta criada por ele. que nomeia sua banda, e ainda contou com Derrick tocando guitarra, após 15 anos, conforme o vocalista falou. O baterista Jean Dolabella também chegou a ser convidado para tocar faixas de sua fase, mas não esteve presente, sendo citado apenas nominalmente por ter feito parte do grupo.
Sepultura deixa legado inestimável para a música brasileira
Com quarenta e anos de anos de história e um legado inestimável tanto para o metal nacional e mundial, quanto para a música brasileira, o Sepultura chegou ao seu fim após a sequência “Refuse/Resist”, “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”. Sendo responsável por inovar entre thrash e death metal, elementos tribais, eruditos, e principalmente por letras que se mantêm atuais até os dias de hoje, o quarteto deixa uma marca gigantesca.
Por mais que a ausência de sua espinha dorsal tenha sido sentida por uma parcela de pessoas, isso não foi um fator impeditivo para a comemoração de sua icônica carreira junto a convidados especiais, estar com sua formação mais sólida em anos, pessoas que em algum momento de suas vidas, também cruzaram com o grupo e o elemento mais importante de todos: seus fãs, uma vez que sem eles, o Sepultura jamais teria alcançado o patamar gigantesco que possui.
Para Andreas Kisser, Paulo Xisto, Derrick Green, Greyson Nekrutman e todos que passaram pela banda, fica nosso sincero muito obrigado, e conforme Derrick sempre dizia ao anunciar em “Roots Bloody Roots”, o Sepultura é, e sempre será, do Brasil.
Confira as fotos de nossa fotógrafa Jéssica Marinho:
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