O The Town 2027 confirmou na manhã desta segunda-feira, 28, Marilyn Manson entre as primeiras atrações de sua próxima edição. O cantor se apresentará em 04 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no mesmo dia do Slipknot.

A escalação chamou atenção pelo histórico de acusações contra o músico. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, responsável pelo The Town e pelo Rock in Rio, comentou a decisão.

Segundo Zé Ricardo, Manson faz parte do pacote da turnê do Slipknot. O cantor acompanha a banda como atração de abertura em sua nova excursão. “É um artista muito bom, que a gente gosta muito e que vem com o Slipknot dentro desse pacote da turnê deles”, afirmou.

Questionado sobre as acusações, o executivo afirmou que o festival não levaria ao palco um artista condenado pelos crimes mais graves atribuídos a Manson. “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada. São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas, nesse momento, ele é um artista que estará em turnê pelo mundo”, declarou Zé Ricardo.

The Town não tem medo de críticas ou boicote

Ele também disse que a Rock World já deixou de contratar artistas em situações que, segundo sua avaliação, envolviam casos concretos com julgamento e condenação. “Agora, é preciso ser uma coisa concreta, porque tem coisas que não são. Nós já deixamos de trazer artistas porque foram coisas concretas — em que ele foi julgado, condenado e tem um peso na história dele isso acontecer. Mas a gente também não pode pré-condenar uma pessoa sem prova”.

Zé Ricardo também afirmou que não se preocupa com críticas ou boicote: “Somos muito seguros do que fazemos, do nosso line-up. A opinião do nosso público é muito importante, mas não dá muito para levar em consideração tudo que se fala nas redes sociais. As redes têm coisas de amor, mas também visões míopes do que a gente apresenta enquanto festival. Você vende 680 mil ingressos [no último Rock in Rio] e as pessoas dizem que estava vazio”.

Acusações contra Marilyn Manson

Nos últimos quatro anos, Manson se envolveu em uma série de batalhas judiciais e foi acusado por várias mulheres, incluindo a atriz Evan Rachel Wood, de abuso sexual, emocional e físico. Com o depoimento da atriz, outras mulheres vieram a público para denunciar inúmeros atos de violência por parte de Manson; entre elas, a também atriz Esmé Bianco e a ex-assistente, Ashley Walters.

O processo movido por Ashley Walters havia sido arquivado anteriormente por ultrapassar o prazo máximo para o início de procedimentos legais, mas uma mudança na lei permitiu que o caso fosse retomado e está em andamento.

Marilyn Manson realizou seu retorno aos palcos em agosto de 2024, fazendo seu primeiro show desde as acusações. Em novembro do mesmo ano, lançou o álbum Assassination Under God – Chapter 1 pela Nuclear Blast Records após ter sido dispensado por sua gravadora de longa data Loma Vista Recordings e pela agência CAA após as acusações.

O cantor negou todas as acusações e processou diversas de suas supostas vítimas, sendo absolvido em janeiro de 2025 por falta de provas. Atualmente, Manson lançou o novo disco Assassination Under God – Chapter 2. Como também segue normalmente com suas turnês, embora o primeiro show da etapa europeia da One Assassination Under God tenha sido cancelado após protestos contra a má conduta do músico.

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Atual Editora do Wikimetal. Jornalista e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo). Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento. Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos - [email protected]