Nós inventamos o Rock Progressivo”

Chris Squire: Alô?

Wikimetal (Daniel Dystyler): Oi, eu poderia falar com o Sr. Chris Squire, por favor?

CS: Falando!

W (DD): Oi, Sr. Chris Squire, aqui é o Daniel e o Nando, ligando do Brasil, como você está?

CS: OK, onde vocês estão no Brasil?

W (DD): Nós estamos em São Paulo.

CS: OK.

W (Nando Machado): Isso é ótimo, Sr. Chris Squire, nós estamos todos muito empolgados com os shows do YES aqui no Brasil. Você poderia falar um pouco sobre o show, o que os fãs podem esperar, e qual é o desafio de tocar três álbuns inteiros em um show?

CS: Bom, nós já estamos fazendo esse show nos Estados Unidos por alguns meses, então vocês vão ter uma boa versão, agora que nós sabemos como tocar tudo. E, é claro, nós vamos tocar o álbum “Close to the Edge” album, de 1972, e o álbum “Going for the One”, de 1977, e também o álbum “Yes”, de 1970, então você vai ter uma boa história do YES, desde os anos 70, e as pessoas parecem gostar de ouvir música tocada exatamente na mesma sequência que o álbum original. Então sim, nós estamos ansiosos para tocar em São Paulo.

W (DD): Excelente, excelente. Nós ouvimos que vocês vão gravar o próximo álbum de estúdio, o primeiro com o novo cantor, Jon Davison. Todas as músicas já estão escritas?

CS: Não, são só ideias agora, e nós vamos trabalhar nisso no final do ano.

W (NM): Então, Sr. Squire, você pode compartilhar com os nossos ouvintes o que você se lembra das primeiras etapas da banda, no final dos anos 60?

CS: O que eu me lembro? Bom, sabe, faz muito tempo agora, 45 anos desde que nós nos juntamos, mas sabe, é muito empolgante trabalhar com o Jon Anderson e o Bill Bruford, e o Tony Kaye e o Peter Banks, nosso primeiro guitarrista. E nós não sabíamos na época que haveria um YES em 45 anos. Mas sim, esses foram dias muito empolgantes para nós, como uma banda jovem aprendendo a nossa música e descobrindo o que nós estávamos fazendo, e eu acho que nós inventamos o Rock Progressivo, de alguma forma.

O Jon Anderson e eu costumávamos ouvir muita música clássica, e nós pegamos algumas ideias disso para fazerem parte do estilo do YES”

W (DD): Vocês inventaram, de fato. E naqueles tempos, você teve uma educação musical formal? Quão importante você acha que a educação musical é, considerando que o Yes é um grupo tão sofisticado?

CS: Bom, os diferentes membros da banda tiveram diferentes tipos de educação. A minha educação é da música de igreja, quando eu era menino. E daí, é claro, quando eu comecei a entrar na adolescência, eu comecei a entender o Rock N’ Roll, por causa dos Beatles e de todas as bandas que estavam se tornando grandes pop stars naquela época. E também, claro, eu ouvia música clássico, e como você sabe, os membros da banda tiveram diferentes… O Wakeman teve treinamento clássico, o Steve Howe tem uma boa base de guitarra flamenca, e vários estilos diferentes de guitarra que ele traz para nos. E como eu disse, o Jon Anderson e eu costumávamos ouvir muita música clássica, e nós pegamos algumas ideias disso, para fazerem parte do estilo do YES.

W (NM): E Chris, você tinha ideia de quão importante a música que vocês estavam criando naquela época era?

CS: Não, nem um pouco.

W (NM): E você gosta do termo “Rock Progressivo”? Você concorda com isso, a música que você toca é Rock progressivo?

CS: Sim, eu diria que sim. Porque eu acho que a verdadeira definição de Rock Progressivo é quando é um pouco mais do que três ou quatro acordes, e a melodia… Sabe, nós tivemos todos os tipos de ritmos entrecortados e linhas melódicas misturadas com diferentes instrumentos, então se qualquer coisa merece ser chamada de Progressiva, eu acho que é esse estilo.

W (DD): E Chris, nós temos meio que uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos a todos os convidados que recebemos, que é: imagine que você está ouvindo seu tocador de música, ou uma estação de Rock que está tocando um monte de música de Rock, e de repente, uma música começa que faz você perder a cabeça, você não consegue se controlar. Que música seria essa, para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora?

CS: Ah… De qualquer artista?

W (DD): Sim, de qualquer artista.

CS: Ah, Deus…

W (DD): É difícil.

CS: Sim, qualquer coisa do Jimmy Hendrix é assim para mim. Toque “All along the Watchtower”, que tal?

W (DD): Essa é ótima!

De Paul McCartney a Jack Bruce, Bill Wyman e John Entwhistle eu combinei muitas influências, e aí criei o meu próprio som”

W (NM): OK. Primeira vez que nós tocamos uma música do Bob Dylan, mas agora tocada pelo Jimmy Hendrix! Como você desenvolveu o seu estilo único de tocar, e como você construiu o seu som de baixo inesquecível?

CS: Por causa da forma como eu ouvia as coisas. Sabe, eu fui a muitos shows diferentes quando eu era jovem, de Paul McCartney e Jack Bruce, e Bill Wyman e John Entwhistle e eu combinei muitas influências dessas pessoas, e aí criei o meu próprio depois disso. Então sabe, eu gostava de um som específico, e a forma como eu estava fazendo isso, e eu só continuei a desenvolver isso.

W (DD): E ainda nesse assunto, o que fez você escolher o Rickenbacker quando o baixo principal era o Fender?

CS: Eu gostava do visual do Rickenbacker, e eu gostava do som dele, principalmente por causa do que eu falei sobre o John Entwhistle, ele foi uma grande influência para mim no The Who, e quando ele tocava com eles, ele tocava muito um baixo Rickenbacker, assim como o Fender, mas eu gostei muito.

W (NM): Chris, você poderia falar um pouco sobre o projeto que você tinha com o Jimmy Paige, XYZ? Como era tocar com o Jimmy?

CS: Ah, nós somos grandes amigos, e nós nos divertimos fazendo aquele projeto. É uma pena que não foi mais para frente, mas não era para ser, e sabe, talvez algum dia aconteça de novo.

W (DD): Nós esperamos que sim, nós adoraríamos ver o XYZ de novo. Você pode escolher agora uma música do YES da qual você se orgulha muito, para que nós possamos ouvi-la no programa?

CS: Ah, tem tantas, mas se você quiser, toque “Heart of the Sunrise”, do “Fragile”.

W (NM): Você pode convidar todos os fãs brasileiros e amantes da música para esses ótimos shows do YES, tocando três álbuns inteiros?

CS: Sim, qual é o nome do local novamente?

W (NM): É HSBC, como o banco, HSBC Hall.

CS: HSBC?

W (NM): Sim.

CS: Oi, aqui é o Chris Squire do YES, e eu estou convidando todo mundo para vir para o HSBC Hall para ver o YES tocar três álbuns clássicos: “Close the Edge”, “Going for the One” e o “YES”. Espero ver vocês todos lá, se divirtam.

W (NM): OK, nós estaremos lá com certeza, Chris, muito obrigado pelo seu tempo, e estamos ansiosos para te ver.

CS: OK, tchau, tchau.

W (DD): Obrigado, tchau.

Ouça aqui o episódio inteiro:

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