Crypta já mostra que é um dos grandes orgulhos do metal brasileiro toda vez que sobe ao palco e não foi diferente na recente passagem da banda por São Paulo, no Sesc Belenzinho, no último sábado, 17, para um show hipnótico e de total entrega.

Parte da nova parte da turnê Echoes Over Latin America, que segue com datas no México e Brasil até novembro, o show de sábado marcou a segunda data esgotada na Comedoria do Sesc, logo após a primeira noite, na sexta-feira, 16. A apresentação intimista reuniu um público diverso de fãs leais à banda, com pessoas de várias faixas etárias, inclusive crianças e famílias inteiras, mostrando como São Paulo já é um dos corações da base de fãs da banda.

Com pontualidade, a banda subiu ao palco, devidamente decorado com correntes, artes do álbum e um backdrop sanguinário, às 20h30. Como grandes palcos do Brasil e do mundo já puderam mostrar este ano, de Wacken Open Air a Rock In Rio, o show da Crypta entrega técnica e presença de palco hipnóticas de todas as integrantes, com Fernanda Lira cantando no timbre inconfundível, entre sorrisos amigáveis e caretas, Luana Dametto com total plenitude ao arrebentar na bateria e Tainá Bergamaschi convocando o público a também dar seu melhor ao cantar as letras com paixão em meio aos solos de guitarra.

Com três anos de existência e apenas dois de conhecimento público do projeto, com o primeiro álbum lançado em 2021, a banda passou por uma mudança no line-up com a saída da guitarrista holandesa Sonia Anubis, substituída temporariamente pela brasileira Jessica di Falchi. Mas o entrosamento do line-up atual no palco mostra que os gritos de “Fica, Jessica” por parte da plateia são mais do que justificados. A mais sorridente das quatro integrantes no palco já cativou o coração do público e sabe entregar toda a ferocidade que o death metal pede.

Nas letras, Crypta transita com naturalidade entre a política de faixas como “Starvation”, quando Fernanda aproveita o momento para lamentar o trágico retorno do Brasil ao Mapa da Fome, “Bloodstained Heritage”, sobre os dolorosos processos de colonização, e “Kali”, sobre a deusa Hindu, dedicada às mulheres presentes, e a espiritualidade, expressada em faixas como “Dark Night of the Soul” e “From the Ashes”. 

O carisma da banda é outro ponto de destaque do show. Apesar de toda a aura gloriosa no palco, em momento algum a banda se distancia emocionalmente do público. Essa abordagem direta e próxima tornou um breve problema técnico que interrompeu “I Resign” pela metade em apenas mais uma parte da experiência. As luzes se apagaram repentinamente e a banda precisou esperar alguns minutos para retomar o show, ainda com parte da iluminação desativada, mas o que poderia ser um imprevisto desagradável mais parecia um presente. “Essa é a primeira vez na história da banda que tocamos a mesma música duas vezes”, contou Lira antes de recomeçar.

O show trouxe o álbum de estreia Echoes of The Soul na íntegra, mas a plateia ainda assim demonstrou tristeza quando Fernanda anunciou que estavam chegando à última música. “E se eu disser que é a última música, vocês acreditam? Acreditam sim, por que se contar direitinho, não tem mais [nenhuma]”, disse.

É inevitável sentir que oportunidades de ver a banda em ambientes intimistas e tão pessoais como o Sesc Belenzinho devem se tornar mais remotas. A fórmula de musicalidade brutal, letras inteligentes e presença de palco contagiante certamente levará Crypta para a dominação do mundo do metal extremo e os fãs, cientes e animados pelo que o futuro reserva, parecem compartilhar o sentimento de honra por poder fazer parte disso.

Veja a galeria de fotos do nosso colaborador Erick Gabriel abaixo.

Crypta no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Crédito: Erick Gabriel
Crypta no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Crédito: Erick Gabriel
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Jornalista e apaixonada por produção de conteúdo, já escreveu sobre música e entretenimento para portais como Rolling Stone Brasil, Atrevida, Indieoclock e a extinta Exitoína antes de se tornar repórter do Wikimetal (e Mad sound) há alguns anos. Desde 2024, atua exclusivamente no gerenciamento das redes sociais do Wikimetal, sendo responsável também por cobertura de shows e entrevistas. Também atua como "fã profissional" no Scorpions Brazil e fala sobre viagens no Sempre Quis e Vou. - [email protected]