Lançado em 14 de maio de 1996, Slang completa 30 anos como um dos trabalhos mais diferentes da carreira do Def Leppard

Na época, o cenário do rock havia mudado drasticamente. O grunge dominava as rádios e a MTV. Com isso, as bandas de hard rock perderam espaço e o som extravagante dos anos 80 parecia fora de moda. 

Quando Slang chegou às lojas, nomes como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden dominavam a indústria musical e o hard rock melódico já não tinha o mesmo espaço comercial. O Def Leppard resolveu acompanhar essa transformação e abandonou parte da fórmula que transformou discos como Hysteria em fenômenos mundiais, entregando um álbum completamente diferente de tudo o que a banda havia feito.

As guitarras ficaram mais pesadas e menos polidas, enquanto as letras adotaram um tom introspectivo. A banda abandonou o visual sensual do hard rock e passou a usar looks mais simples e “largados”, como o do grunge. A mudança dividiu fãs na época, mas mostrou que estavam dispostos a correr riscos para continuar relevante em um mercado diferente.”Tínhamos que fazer algo diferente. Então fizemos algo que ninguém esperava. Slang foi o nosso álbum para adultos”, disse o vocalista Joe Elliott em entrevista ao site Louder.

O primeiro álbum sem Steve Clark

Slang também representou um novo capítulo emocional para o Def Leppard. Foi o primeiro disco totalmente desenvolvido após a morte do guitarrista Steve Clark, um dos principais compositores e fundadores da banda britânica, morto em 08 de janeiro de 1991 devido a uma overdose acidental. A ausência do músico ainda pesava sobre o grupo durante as gravações. A faixa “Blood Runs Cold” é uma homenagem a Steve Clark. “Essa era uma música mais sincera. Uma versão crua e visceral de Steve. E era para onde queríamos que o álbum fosse”, disse Joe.

Ao mesmo tempo, Vivian Campbell, substituto de Clark, ganhou mais liberdade criativa e participou ativamente do processo de composição – este seria o primeiro álbum completo que ele gravaria com a banda. O período marcou uma fase de reconstrução interna dentro do Def Leppard, que ainda tentava redefinir sua identidade após a perda. Campbell confessou que esse processo foi muito confuso. “Eu estava gravando um disco pela primeira vez com a poderosa Def Leppard. Tentei não causar problemas nem fazer muitas perguntas – apenas seguir o fluxo. Mas, no fundo, eu pensava: que diabos está acontecendo aqui? Pelo que eu conseguia entender, a única diretriz clara era que não podíamos fazer um disco com a sonoridade da Def Leppard”.

Um disco diferente de tudo que Def Leppard já fez

Os trabalhos anteriores do Def Leppard eram conhecidos pela produção extremamente detalhada e referência no hard rock. Em Slang, a banda optou por um caminho oposto, com instrumentos gravados com os integrantes tocando juntos no estúdio, trazendo uma sensação mais orgânica. 

O álbum também reduziu o uso de camadas vocais e efeitos excessivos, algo que contrastava fortemente com o estilo dos anteriores Pyromania (1983) e Hysteria (1987). Essa decisão aproximou o grupo da estética do rock alternativo dos anos 1990 e ajudou a construir uma sonoridade mais pesada e emocional. O disco Superunknown (1994), do Soundgarden – especialmente a música “Black Hole Sun” – serviu de influência na criação de Slang, conforme revelou Vivian Campbell posteriormente.

Outro ponto marcante de Slang está nas letras. O álbum deixou de lado o clima festivo presente em sucessos clássicos do Def Leppard e apostou em temas mais pessoais como términos, mortalidade, isolamento e recomeços. Faixas como “All I Want Is Everything”, “Work It Out” e a balada “Breath A Sigh”  mostram um som mais maduro e introspectivo, com riffs acústicos e melancólicos, característicos do grunge. O disco refletia o momento vivido pelo rock nos anos 90, quando muitas bandas passaram a explorar sentimentos mais sombrios e vulneráveis. 

Essa mudança ajudou Slang a ganhar personalidade própria dentro da discografia do Def Leppard. “Não queríamos tentar recriar o Hysteria, e nunca seríamos o Nirvana, mas poderíamos fazer um álbum que nos representasse, que se encaixasse nos tempos atuais sem que parecêssemos velhos rabugentos”, revelou o baixista Rick Savage à Louder.

Disco incompreendido que ganhou novo valor

Apesar de não repetir o sucesso comercial de álbuns anteriores, Slang conquistou reconhecimento com o passar dos anos. Muitos fãs e músicos passaram a enxergar o trabalho como um dos projetos mais ousados da banda. Joe Elliott já declarou que considera o disco subestimado. O vocalista cita Slang como um dos álbuns mais importantes que o Def Leppard já fez: “Para seguir em frente, tivemos que desconstruir tudo e reconstruir. E a satisfação que tivemos com esse álbum é indescritível”. 

Três décadas depois, Slang continua sendo lembrado como o momento em que o Def Leppard decidiu desafiar expectativas e experimentar novos caminhos – e deu certo.

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Repórter e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo). Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, The Metal Circus (Espanha) Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento. Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos - [email protected]