O racismo estrutural afeta todas as esferas da sociedade, inclusive a indústria musical. Artistas negros geniais foram sistematicamente apagados da história, enquanto os músicos brancos que influenciaram recebiam todo o mérito: no rock n’ roll, por exemplo, Elvis Presley é chamado de Rei do Rock, mas o estilo deve a existência à nomes como Sister Rosetta Tharpe e Chuck Berry. 

Uma pesquisa realizada pelo Black Lives in Music no Reino Unido mostra dados alarmantes sobre a presença do racismo dentro da música, com estatísticas e relatos de diversos artistas e profissionais da música negros, conforme divulgado pela Far Out Magazine.

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Uma mulher entrevistada para o estudo relatou a misoginia e racismo ainda existentes entre os fãs de música pesada, a despeito da contribuição essencial de Rosetta, considerada a Mãe do Rock, ao gênero. “[Me dizem] ‘Mulheres negras não podem fazer rock’, [fazem] comentários sexuais sobre o tamanho dos meus lábios, comentários raciais sobre o meu cabelo afro ‘maluco e rebelde’, etc. Eu não dou mais atenção a esses comentários, mas acredito que é importante informar as pessoas sobre”, contou. 

Até mesmo o talento excepcional de artistas negros é usado contra eles por parte da indústria. Enquanto artistas brancos que “se parecem com os Beatles ou Oasis” são abraçados, a expectativa com artistas negros é injusta e nada parece bastar, como explica outro relato.  “A música negra é sempre vista como algo que precisa ser ‘original’ e inédito. (…) Se você é negro e toca guitarra, dizem que se parece com Jimi Hendrix – isso já foi feito antes “, disse. 

Os dados coletados pela pesquisa comprovam as experiências desses artistas: 86% dos músicos negros concordam que existem barreiras causadas por raça para crescer na indústria musical; 63% dos músicos negros foram vítimas de racismo direto e 43% das mulheres negras na indústria foram instruídas para mudar a própria aparência, de forma direta ou velada, para ter uma chance na carreira musical.

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