Em 20 anos de carreira, Blackberry Smoke demonstra o orgulho das raízes do Sul dos Estados Unidos na sonoridade e letras. Charlie Starr, vocalista do grupo, conversou com Wikimetal sobre o álbum You Hear Georgia e o uso da bandeira dos Estados Confederados por parte de alguns artistas locais. 

O símbolo nasceu no período da Guerra Civil Americana, no século 19, e já foi ostentado em apresentações e programas televisivos como forma de orgulho da população local, usada por nomes como Tom Petty, Lynyrd Skynyrd e Keith Richards

Atualmente, porém, a bandeira se tornou símbolo de supremacistas brancos, usada de forma ofensiva em atos antidemocráticos como a recente Invasão ao Capitólio, por exemplo.

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Na infância de Starr, algumas cenas improváveis ao redor do contexto da divisão o marcaram. “Nós éramos criancinhas e comprávamos essas coisas [com a bandeira confederada], não estava na nossa cabeça que estávamos celebrando escravidão, crueldade e racismo, não nos ensinaram isso”, conta sobre excursãoo escolar com souvenirs de guerra. “Fico pensando que é algo estranho para se comemorar de qualquer forma, não apenas comemorando a luta do sul para manter a escravidão, mas também celebrar que nosso país estava lutando. (…) Vamos aprender com essas merdas do passado e seguir em frente”.

Mesmo sem usar a bandeira com o Blackberry Smoke, Starr acha importante explicar o contexto no qual conheceu o símbolo. “Meu ponto desde sempre é que, quando olhava essa bandeira – e obviamente, sou branco – ninguém me ensinou que aquilo significa defender o racismo. Não entrou na nossa mente daquela maneira”, continuou. “Não me entenda mal, eu não vou hastear essa bandeira porque isso machuca as pessoas, então não usamos”. 

Para o músico, porém, a postura da cultura do cancelamento com todos que já usaram o símbolo é descabida. “Chega um momento que é isso, ok, nós entendemos”, argumentou. “As coisas possuem significados diferentes para cada pessoa, isso não é odioso, é apenas a verdade, um fato”.

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Jornalista e apaixonada por produção de conteúdo, já escreveu sobre música e entretenimento para portais como Rolling Stone Brasil, Atrevida, Indieoclock e a extinta Exitoína antes de se tornar repórter do Wikimetal (e Mad sound) há alguns anos. Desde 2024, atua exclusivamente no gerenciamento das redes sociais do Wikimetal, sendo responsável também por cobertura de shows e entrevistas. Também atua como "fã profissional" no Scorpions Brazil e fala sobre viagens no Sempre Quis e Vou. - [email protected]