O debate constante – e necessário – sobre separar a arte do autor segue com força total e argumentos poderosos para diversos pontos de vista. Na visão de Nick Cave, a questão não se resume no sim ou não, mas possui profundidade filosófica em um ponto de vista que equilibra esses posicionamentos.

Ao responder perguntas de fãs ao site Red Hand Files, Cave opta pela perspectiva de admirar também a habilidade de pessoas más para produzir peças belas, e não especificamente o artista. “Não acho que podemos separar a arte do artista, nem devemos fazer isso”, começou (via Far Out Magazine). “Acho que podemos olhar para uma obra de arte como o aspecto transformado ou redimido de um artista e nos maravilhar com a jornada milagrosa que a obra de arte percorreu para chegar à melhor parte da natureza do artista. Talvez a beleza possa ser medida pela distância que ela viajou para finalmente a existir”.

Nesse raciocínio, Cave entende a arte como uma possibilidade de superação dos aspectos mais negativos de cada um e mostrar o bem que ainda existe. “O fato de pessoas más fazerem boa arte é motivo de esperança”, resumiu. “Podemos encontrar [esperança] em uma obra de arte que sai das mãos de um malfeitor. Essas expressões de transcendência, de melhoria, nos lembram que existe o bem na maioria das coisas, raramente apenas o mal”.

Para além da cultura do cancelamento, esse debate está relacionado a uma mudança de consciência social e deve seguir por um bom tempo. Dee Snider e Sebastian Bach, por exemplo, já revelaram opiniões divergentes ao comentar as polêmicas de Ted Nugent.

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