Muitos fãs de rock ainda possuem reservas com Greta Van Fleet, mas nada disso parece importar para os ídolos desse mesmo público e o Metallica não é exceção. A banda subiu ao palco do Morumbi na noite de terça, 10 de maio, para um público que não era inteiramente o seu – e, sem tentar provar nada para ninguém, entregou um show capaz de hipnotizar. 

Com o palco nas sombras, o público só podia ver a silhueta dos músicos antes de Josh Kiszka dizer um tímido “Boa noite, São Paulo. Vocês estão prontos?” e o show começar. A apresentação de uma hora teve um set bem dividido em partes, com começo, meio e fim bem definidos, e a aparente timidez do vocalista na hora de se comunicar com o público desapareceu completamente ao cantar.

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De pés descalços, telões em preto e branco e com roupas cuidadosamente pensadas para refletir as referências setentistas da banda, Greta Van Fleet não é capaz de levar o público em uma viagem no tempo, mas faz melhor. Com uma energia vibrante, a banda é capaz de suspender os instantes do show em uma sintonia própria, criando um universo todo seu para aqueles dispostos a embarcar na jornada.

Cada integrante do Greta parece viver no próprio mundo na maior parte do show, mas o fazem com tanta intensidade que a energia se espalha facilmente para a plateia, na qual haviam muitos fãs da banda, ostentando camisetas do grupo orgulhosamente. Enquanto Daniel Wagner conduz com precisão na bateria, Jake Kiszka se balança com olhos fixos na guitarra e Sam Kiszka reveza entre piano e baixo, Josh fecha os olhos e se transporta para uma dimensão distante, sustentando vocais inspirados por nomes formidáveis (e nem o Led Zeppelin se incomoda com isso, vale lembrar), mas presenciar o timbre único de Josh ao vivo é uma experiência que faz questionar: Será que os detratores dos jovens teriam recebido bem as bandas das antigas nos primeiros passos?

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Longe de ser explosivo como a banda mais aguardada da noite, Greta Van Fleet hipnotizou com instrumentais longos e profundos, com solos frenéticos e baixo proeminente, da psicodelia ao groove, se perdendo no próprio transe e levando a plateia nessa energia única e pulsante que torna difícil a missão de quem ainda quer colocar defeitos. Essa é uma banda que veio para ficar e boa parte do público no Morumbi na noite de ontem já entendeu isso. 

 Veja abaixo uma galeria de fotos tiradas pela nossa colega Marta Ayora.

Ego Kill Talent abre para o Metallica em São Paulo. Crédito: Marta Ayora
Ego Kill Talent abre para o Metallica em São Paulo. Crédito: Marta Ayora
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Jornalista e apaixonada por produção de conteúdo, já escreveu sobre música e entretenimento para portais como Rolling Stone Brasil, Atrevida, Indieoclock e a extinta Exitoína antes de se tornar repórter do Wikimetal (e Mad sound) há alguns anos. Desde 2024, atua exclusivamente no gerenciamento das redes sociais do Wikimetal, sendo responsável também por cobertura de shows e entrevistas. Também atua como "fã profissional" no Scorpions Brazil e fala sobre viagens no Sempre Quis e Vou. - [email protected]