Mortiis, nome artístico de Håvard Ellefsen, comentou sobre o período mais controverso do black metal na Noruega. Em entrevista ao site This Day in Metal, o ex-baixista do Emperor relembrou os crimes que cercaram a cena no início dos anos 1990 e afirmou que viveu aquele momento como um adolescente imerso em um ambiente extremo.

Mortiis integrou o Emperor entre 1991 e 1992, fase inicial da banda considerada uma das mais influentes do black metal norueguês. Na época, o cenário ficou marcado por episódios violentos, incluindo incêndios a igrejas e crimes cometidos por integrantes ligados ao movimento, que chamaram atenção mundial para o gênero.

“O clima era quase de uma seita, sabe? Então você acabava ficando bastante dessensibilizado com o que estava acontecendo. E estou falando de assassinatos. Éramos jovens, éramos adolescentes, e claro, ‘consequência’, aparentemente, não estava no nosso vocabulário. Levou alguns anos para perceber: cara, o que a gente fez, ou do que a gente fez parte, do que a gente estava coletivamente por trás, foi uma grande merda. Hoje sou um homem adulto, tenho filhos nessa idade, e penso: se eu descobrisse que eles estavam metidos em coisas assim, teria perdido a cabeça”, afirmou ele. [via Whiplash].

Os crimes da cena Black Metal norueguesa

No início dos anos 1990, a cena black metal norueguesa ganhou notoriedade por uma série de crimes que ultrapassaram o universo da música. Integrantes e pessoas ligadas a bandas como o Mayhem, o Emperor e o projeto Burzum estiveram envolvidos em episódios que incluíram incêndios criminosos em igrejas históricas e atos de violência.

O caso mais famoso ocorreu em 1993, quando Varg Vikernes assassinou Øystein Aarseth [Euronymous]. No mesmo período, Bård Guldvik Eithun [Faust], na época baterista do Emperor, foi condenado pelo assassinato de um homem em Lillehammer. Esses acontecimentos transformaram a cena norueguesa em alvo da imprensa internacional e marcaram para sempre a história do black metal, muitas vezes ofuscando a importância musical das bandas envolvidas.

Diante disso, Mortiis refletiu como a repercussão dos crimes afetou o alcance do gênero. “É interessante ter feito parte daquilo. E, dá para ficar se perguntando como o black metal teria seguido se toda aquela polêmica não fosse o pano de fundo da música. Será que teria ficado tão popular quanto ficou? Será que teria recebido esse tipo de atenção? Talvez não. Ou talvez sim, mas talvez tivesse demorado mais. Apesar de tudo isso, tinha muito talento de verdade naquela garotada. Muitos deles viraram músicos bem interessantes mais tarde, lançaram discos muito legais e variados. Não dá para negar isso, com ou sem a polêmica”, refletiu o músico.

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