Diretamente de Estocolmo, o Viagra Boys tem criado um ambiente acolhedor para os “freaks” desde 2015. De lá para cá, apesar de operar em um nicho musical específico, a banda vem se destacando tanto pela atitude irreverente quanto por suas críticas ácidas às caricaturas sociais, às teorias da conspiração e à masculinidade tóxica, entre outros comportamentos que afligem a sociedade moderna em tempos de internet. Tudo isso sem esquecer de se inserir nessa equação e rir de si mesmos, evocando a máxima do ethos punk.

Após o cancelamento agridoce no Primavera Sound de 2022, os suecos finalmente fizeram sua estreia em terras brasileiras. Antes de dominarem o palco do Lollapalooza Brasil na sexta-feira, dia 20, eles fizeram a Audio ficar pequena em um sideshow explosivo dividindo a noite com o Interpolconfira nossa resenha completa.

Em entrevista ao Wikimetal, após um passeio caótico pela cidade e passar o som na Audio antes do sideshow, o vocalista Sebastian Murphy comentou sobre sua fascinação por camarões, revelou sua admiração pelo Sepultura e, após viralizar dançando Novos Baianos logo que desembarcou no aeroporto, brincou que incorporaria o samba em um próximo disco de inéditas, sucessor de viagr boys (2025), que já está em processo de produção. 

Wikimetal: Como foi a história de como vocês se conheceram? Você estava mesmo na fossa cantando a música mais triste da Mariah Carey em um karaokê? Você realmente alcançou as notas altas e tudo mais?

Sebastian Murphy: É uma história verídica, mas não foi assim que nos conhecemos. Quer dizer, eu já era amigo do Benke muito antes disso. A gente bebia no bar juntos e falava besteira sobre música, e aí ele me viu cantando numa festa e disse: “É, a gente tem que montar uma banda”.

WM: A arte da capa do novo álbum parece que saiu direto do livro Manifesto Surrealista de André Breton, mas ao mesmo tempo mantém aquela estética crua de fanzine punk. Como esse surrealismo visual dialoga com os temas líricos e o caos que vocês exploram nesse novo trabalho?

SM: Acho que o surrealismo em geral faz parte do meu cérebro. É assim que eu vejo as coisas, as imagens na minha cabeça. E quando eu desenho, geralmente desenho imagens muito surreais. E vivemos em um mundo muito surreal. Então acho que é assim que tudo se mistura.

WM: Qual é exatamente a história dos camarões?

SM: É uma referência antiga à anfetamina, na verdade, e ao fato de que ela tem um cheiro parecido com o de camarão, sabe? Quando começamos a banda, usávamos muita anfetamina, então era um tema central em nossas vidas. E aí acho que acabou virando uma obsessão para mim, no geral, só de pensar em camarões, desenhar camarões e falar sobre camarões, e eu gosto de camarões. E tenho camarões em casa, num aquário. Sou criador de camarões.

WM: Você mencionou que nunca planejou ter uma banda e que esperava ser tatuador a vida toda. Qual foi a tatuagem mais bizarra ou inexplicável que você já fez em alguém?

SM: A mais bizarra? Não sei. Não me lembro. Acho que não fiz muitas tatuagens bizarras. Talvez só um camarão. Sei lá.

WM: Nenhum artista gosta de ser rotulado e vocês claramente adoram experimentar. Existe algum ritmo específico ou música regional de outros países que vocês já pensaram em incorporar ao som de vocês?

SM: Samba. O próximo álbum vai ser de samba.

WM: Elias mencionou em uma entrevista o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e também a banda Novos Baianos. Mas e o resto da banda? O que vocês conhecem e curtem que foi produzido aqui no Brasil ou em qualquer outro país da América do Sul?

SM: Sepultura.

WM: Há algo que você gostaria de dizer diretamente aos seus fãs brasileiros que esperaram por este momento?

SM: Fãs brasileiros, estou muito feliz por estar aqui, finalmente. E agora vocês não precisam mais escrever “Venha para o Brasil” o tempo todo, sabem, podem simplesmente dizer “Você está no Brasil!”. E estou muito feliz por estar aqui. Adoro este lugar.

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Jornalista musical com experiência em cobertura de shows, críticas e com sede de infinito de novos sons. Poeta-cantora nas horas vagas, punk sempre e futura escritora. Acredita que a música é um tipo de quebradora de redomas e que a arte salva.