A primeira vez que a gente ouviu Slayer a gente falou ‘Que que é isso?'”

Wikimetal (Daniel Dystyler): Começando mais um episódio aqui do Wikimetal, eu Daniel Dystyler, to aqui do meu lado Rafael Masini e eu tô com duas pessoas aqui que eu queria dizer que o programa vai ser muito legal, vai ser muito bom, vai ser muito bacana por causa disso, mas isso seria subestimar o que vai ser esse programa. Para mim é realmente uma honra eu estar com duas pessoas, uma banda, que talvez seja a banda que realmente sempre levou a bandeira do Metal aqui dentro do nosso país de um jeito como poucas pessoas levaram né? Tô com Dick, tô com Antônio do Korzus, os dois obviamente dispensam apresentações, mas só para todo mundo saber, o Dick obviamente baixista desde o começo da história do Korzus e o Antônio que tá há 3 anos quase na banda que desde 83 estão realmente na estrada levantando essa bandeira quase 30 anos. Fazer uma mesma coisa por 30 anos sei lá, manter o casamento por 30 anos, trabalhar na mesma empresa por 30 anos, qualquer coisa por 30 anos é difícil, é muito difícil, então levar essa bandeira. Eu queria falar, antes de vocês falarem, eu só queria falar de coração, muito obrigado por vocês existirem, muito obrigado por vocês estarem falando aqui no Wikimetal e muito obrigado por tudo que vocês fizeram pelo Metal brasileiro.

(DS): Eu que agradeço todo esse elogio aí pô e obrigado de você dar uma continuidade no Metal com o Wikimetal cara, você não abandonou, você tá levando ele para frente, alguém sempre tem que continuar. Um dia a gente vai parar. Um dia minha mão não vai mais tocar, minhas costas, meu pescoço não vai mais querer “bangear”.

W (DD): Daqui a muito tempo.

(DS): Daí eu vou ter que tocar banquinho e violão né mano? Alguém sempre tem que tá continuando fazendo esse trabalho. Trabalho sujo tem que continuar.

Wikimetal (Rafael Masini): Tem uma coisa que desde moleque que eu acompanho o Korzus, na verdade o Antônio não devia nem ter nascido.

(AA): Ah, possivelmente.

W (RM): Possivelmente. Eu tenho um vinil do ao vivo de vocês, aquele vermelho em que o Pompeu chama na chincha “Ô você que estão no fundo aí, vem para frente, headbanger vem para frente”.

(DS): Pô isso daí foi em 85 no SESC Pompéia.

W (RM): Sempre que eu ainda ouço esse vinil o Korzus é isso, é de chamar na chincha, vem para frente mesmo, é “sangue nos olhos”.

W (DD): E já que você tá falando desse tempo né, eu e o Rafael a gente viajou com o Dick, com Pompeu, com o pessoal que ainda tá na banda e os que não tão mais, acho na época tinha o Nicastro, tinha o Silvio, tinha o Betão na bateria, a gente fez vários shows Viper e Korzus, alguns no Rio, alguns em Santos naquele circo, no Caverna 2 lá em Botafogo. Você lembra alguma coisa dessa turnê, alguma lembrança interessante, engraçada?

(DS): Lembro! Lembro! A gente tava na praia de Ipanema, meio dia, sol 40 graus, Nicastrão vira e fala assim “Ó headbanger que é headbanger anda de jaco de couro e coturno no Rio de Janeiro em Ipanema”. E os caras botaram tudo jaco de couro e coturno mano e andando tudo de preto na praia, todo mundo olhando, monte de mulher pelada, um monte de cara fortão, e os caras tudo cabeludo, branquelo para caralho e andando para lá e para cá e a molecada do Viper assim meio assustada “Pô esses caras do Korzus são loucos”. Engraçado para caramba.

W (DD): E o esquema da nossa viagem, lembra? Eles dividiram a gente nas casas dos caras, eu e o Rafael ficamos lá no Leblon, vocês ficaram na casa daquele André Smirnoff.

(DS): É o Smirnoff. Pô, assaltamos a geladeira do cara.

W (DD): Pô, como é que foi isso aí?

(DS): Pô tinha um cadeado até a geladeira porque o cara era gordão né? Então a mãe do cara tinha viajado, ele pegou chamou todo mundo para fazer o show, o cara era dono do Fanzine né? Era Mosh não é?

W (DD): Mosh, isso mesmo, Fanzine Mosh.

(DS): Aí o cara chegou fez um macarrão lá que pô nem meu cachorro comia. Aí o cara falou “Tem um rango aí para rapaziada. Eu tô indo para casa do meu tio que tem uma festa eu volto no final da tarde”. Beleza! Tipo olhou aquilo e “Pô, por que sua geladeira tem cadeado né? No freezer?” O cara falou “É porque eu sou gordo e como tudo, minha mãe tranca quando ela viaja” Beleza! A gente olhou e falou “meu irmão essa geladeira tem cadeado. Ela tem chave. Vamos procurar!” Puta o cara saiu de casa e a gente começou a fuçar o apê do cara inteiro, achamos a chave mano. Achamos a chave do freezer, abrimos o freezer, botamos todos os congelados no forno e batemos o maior rango. O cara chegou em casa e começou a chorar “Minha mãe vai me bater, vai achar que fui eu” e o mais louco o Felipe lembrou um detalhe, o cara tinha a maior coleção de playboy gringa, a gente pegou todas as playboy do cara, tiramos todos os pôster “das mulher” pelada da playboy e atrás de todos os quadros da casa do cara a gente colou na parede os pôster da playboy, quando a mãe do cara fosse limpar o quadro e tirar ia estar cheio de mulher pelada. Puta que pariu, foi muito engraçado, a gente só fazia bosta cara, não tinha jeito cara, até hoje meu. A gente é bem mais contido, mas porra meu quando une todos os vagabundos, não adianta.

Os caras botaram tudo jaco de couro e coturno, e andaram todos de preto na praia”

W (DD): Vocês mantém contato, com o Betão, o Nicastro?

(DS): Ah às vezes a gente cruza eles. O Nicastro é primo do Silvio né? O Silvio, ele não é da banda, mas ele sabe tudo o que acontece, tá em todas, tem um ensaiozinho ele “Ô vou passar aí para tirar um somzinho”.

(AA): Fica lá, fica tocando comigo véio.

W (DD): Que legal.

(DS): Ele pira, cara.

(AA): Silvão é figuraça.

(DS): Silvão é ainda da banda assim de alma e coração.

W (RM): Deixa eu só fazer, uma dúvida na verdade. Tem até lenda urbana sobre o Korzus né? E eu moleque ouvia porque eu sempre gostei muito de palhetada. É impressionante, falava “o Korzus tem palhetada” e todo mundo fala disso e aproveitando até o Antônio que tá há 2 anos e meio né?

(AA): 3.

W (RM): Eu ouvia uma lenda e aí você pode falar se isso era verdade e se hoje tem isso, que o Nicastro e o Silvio ficavam frente a frente tipo espelho vendo a palhetada. Eu ficava ouvindo isso “Sabe que os caras do Korzus são bons, eles ficam frente a frente e tem que ser espelho a mão, espelho”. Isso é verdade ou é lenda?

(DS): Ah, fazia direto porque era uma época em que a gente tava aprendendo tocar, né? Anos 80. Pô não tinha vídeo aula cara, não existia internet, não tinha vídeo aula, não tinha professor de rock. Tinha professor de bossa nova, de jazz, de escala musical. Não tinha um cara que falava “rock toca assim” a gente ouvia no CD e falava “Que esses caras fazem para fazer esse pram pram pram?”.

(AA): Se virava para fazer igual né meu.

(DS): A gente falava que caralho. Daí a gente ficava maluco. Daí tinha a época do “Topper man’” ele tinha uns pedais que um amigo dele fazia em casa. Daí ele ligava 3, 4 pedal, um no outro, para chegar numa distorção parecida com a do gringo aí a gente “Porra, mas não tá igual”. Daí a gente rasgava o alto-falante da caixa para ele fazer mais puuuuu para peidar mais, caralho. Pô Nicastrão, a gente chegou a fazer palheta de ferro, a gente levou a palheta Fender no serralheiro e falou “Meu irmão faz de ferro assim, mais ou menos nessa espessura”. Eu tenho uma palheta guardada até hoje em casa de ferro cara, para gente ver se saia aquela som cra cra cra e a gente com as guitarra Giannini, não tinha nenhum captador, nem um DiMarzio a gente tinha, então era uma loucura pra fazer isso. Então a gente ficava ouvindo vinil “Como que o cara tá fazendo isso?” Pô primeira vez que a gente ouviu um Slayer a gente falou “Que que é isso?” Os caras “É uma banda de Metal fudida” Não, não é Metal, isso é Punk daí de repente entrava o solo, puta é Punk com solo cara. Muito loco.

W (DD): Aliás, que me leva ao tema que eu queria falar que é o disco novo de vocês que tá sensacional. É um negócio inacreditável, para mim disparado é o melhor disco do Korzus, eu acho muito muito bacana, tanto no ponto de vista de produção, não dá para falar que é melhor, mas é do nível do internacional não deixa nada para ninguém e as músicas? As músicas são muito bacanas. Principalmente o começo, o começo do disco Discipline Of Hate, Truth que vocês fizeram um clipe que também é outra coisa muito bem investida, muito legal o visual, daqueles telões meio redondos assim, ficou um visual muito legal e depois o disco inteiro. Tem 2012 que tem aquela gravação espanhol no começo.

(DS): Aquilo ali é um verdadeiro shaman mesmo.

(AA): Aquilo é um shaman Maia.

(DS): Sobre 2012.

W (DD): Eu ia perguntar isso ai, esse negócio foi feito pro disco? Vocês pegaram de algum lugar?

(AA): Foi. Eu achei isso aí na internet. Eu tava pirando nisso, eu tava pensado “Pô aquela música merecia uma intro”. Aí eu tava olhando na internet e botei lá no Youtube: 2012 Maia. Aí apareceu uma entrevista de um sociólogo que chama Carl Johan e ele tava entrevistando esse shaman Maia. Eu ripei o áudio dele, separei a fala lá e aí pensei “Pô isso pode dar merda tal”. Porque era uma entrevista. Aí eu mandei um email para o cara no outro dia respondeu “Cara que é isso, pode usar, tal, maior prazer” O doutor lá, o sociólogo e aí colocamos isso aí.

W (DD): E a música também é uma música muito legal. Depois tem Slaver que é a maior pedrada assim.

(AA): É porrada né?

W (DD): Muito legal, muito legal. Eu achei o disco…

(DS): E tem algumas que não saíram aqui né, só saíram na versão da Europa e outra que ia sair na versão do Japão e outra que ia sair na versão nos Estados Unidos, mas no final a versão da Europa saiu igual pros Estados Unidos.

(AA): E a do Japão ainda não saiu.

(DS): E do Japão acabou ainda não saindo.

W (DD): Então tem mais música para ser liberada ainda?

(DS): Então a gente tem duas músicas ainda na manga.

(AA): Tem duas músicas na manga ainda.

(DS): Que são bem legais.

W (DD): Muito bom! Legal.

(AA): E a Hipocrisia que só saiu no Brasil.

(DS): Só saiu no Brasil a Hipocrisia.

W (DD): Ah é isso que eu ia falar que é uma música em português né? Disco inteiro em inglês.

(AA): Que só saiu no Brasil.

A gente chegou a fazer palheta de ferro para ver se saia aquele som”

W (DD): Muito bom! Legal. E agora falando do mundo inteiro que vocês estão falando, malas prontas né?
Domingo vocês vão viajar?

(AA): Domingo, nove horas da noite tamô partindo.

(DS): Palhetas afiadas.

W (DD): E aí, turnê na Europa?

(DS): Sim.

W (DD): 4 países? Como é que é?

(DS): 4 países, a gente falou Áustria, Alemanha a maioria né? Bélgica e Suíça.

W (DD): E como é que tá a expectativa? Que vocês tem ouvido falar?

(DS): Olha tá acho que acima da média até viu, porque a gente já soube que dois shows estão sold out e a gente não tá indo como uma banda de abertura. A gente tá indo como co-headliner tendo direito de usar 100 % de luz, 100 % de som.

(AA): Dessa vez vamos dividir o backline com a banda principal, vamos usar o mesmo backline.

(DS): O Ektomorf que é uma banda da Hungria, a gente ficou muito amigo do vocalista , o Zoltán. Ele participou de uma música aqui do Discipline que chama We Are Just The Same que é uma música que diz que qualquer pessoa em qualquer canto do mundo é igual cara. Isso quer dizer, a gente quis dizer, os headbangers né? Dentro do nosso estilo, mas é um negócio que engloba todo mundo, é um pensamento também desse cara, dessa banda por ele ser cigano, então ele falou na Europa é um cara muito discriminado.

(AA): Na Hungria principalmente.

(DS): Na Hungria então o cara conseguiu crescer graças a banda, ganhar o respeito dele tal. Então o cara falou “Pô velho” ele se identificou muito com a gente aqui no Brasil, a nossa receptividade né?

(AA): Sem falar que o cara adora Metal brasileiro.

(DS): Adora Metal brasileiro. Bom, vamos falar, o cara é fã número um de Sepultura e do Max Cavalera.

(AA): Se você vê, se você ouvir Ektomorf você vê que tem influência do Soulfly.

(DS): É uma influência total do Soulfly e do Sepultura.

W (DD): Que legal. Você comentou negócio das bandas dos anos 70. Heavy Metal começou com a base com o Judas, Iron Maiden essas coisas todas. Quando você põe no shuffle, assim num randômico do seu MP3 player para ficar ouvindo músicas quaisquer, quando cai uma música assim de Heavy Metal das antigas que você fala assim “Puta essa música eu não consigo parar de agitar”. Que música é essa? Que música que realmente você fala assim “Essa música…”

(DS): É sacanagem, ter uma? É difícil. Eu tenho no mínimo umas 100 que eu ouço.

(AA): Se tiver no MP3, todas né?

W (DD): Mas fala assim, a que vem na cabeça, a primeira? Não precisa ser a melhor.

(DS): Pô é eu vou te falar: é até uma música que eu gostaria de ter composto porra.

W (DD): Qual que é?

(DS): Porra eu ouço Breaking The Law, caiu a casa mano, não tem aonde você esteja que você não vai bangear, vai tocar um air guitar, porra o que eu toquei de air guitar com essa música no meu quarto quando eu era moleque.

W (DD): Excelente! Mandou muito bem. Breaking The Law, Judas Priest.

(DS): Isso aí.

W (RM): Bom agora depois dessa dica do Dick do Breaking The Law eu quero contar uma história, pena o Pompeu não tá aqui. Em 2003 mais ou menos, eu tinha uma banda, aí terminei o ensaio eu e o vocalista a gente foi beber. Ficamos no bar até fechar, depois fomos para um outro bar, um boteco véio assim na avenida Santo Amaro, aí eu olho e tem um cara tomando ali, conversando com o balconista eu falei “Puta esse cara é o Pompeu né, do Korzus”, falei “Ele não vai lembrar de mim da viagem com o Viper nem a pau” eu já tinha envelhecido tal, vou lá pagar de tiete, cheguei e falei “Pô Marcelo Pompeu eu gosto do Korzus”, ele falou “Porra que bom!” não sei o que, “Pô acompanho o Korzus desde o começo, SP Metal” ele falou assim “Meu vem aqui, cê tá com o carro aí?” eu falei “Tô tô tô” “Tem toca CD no seu carro?” eu falei “Tem” ele falou “Eu to com a master do próximo CD do Korzus” eu falei “não”. Do Ties Of Blood. Daí depois quando esse disco, porque assim explodiu né, agora vai ser superado pelo Discipline porque realmente o Discipline é muito muito bom, mas eu achei o melhor disco do Korzus até esse e eu ouvi tipo…

W (DD): Antes de todo mundo.

W (RM): Antes de todo mundo.

(DS): Pô, legal cara.

W (RM): E os 3 bêbados, eu o vocalista da minha banda e o Pompeu, abriu as portas do carro e colocou eu falei “Que que é isso” ele falou “É isso é Korzus” todo orgulhoso falei “Pô que bom”. Eu contei essa história para o Dany e ele falou “não acredito”.

(DS): Legal porque você teve exclusividade porra. Headbangear de boteco bêbado ainda. Exclusividade! É quem merece ouvir primeiro!

W (RM): Puta eu quase falei “dá mais duas três cervejas pro Pompeu”, falei “eu roubo esse CD para mim”.

W (DD): Deixa aproveitar nessas coisas de exclusividade, uma curiosidade. Vocês são uma Jägerband né? Patrocinado da Jägermeister como é que é isso? Como é que foi esse papo? O que que isso representa? Tem uma coisa curiosa em relação a isso porque eu não conhecia muito a bebida né e eu pelo meu trabalho eu vou para os Estados Unidos com uma certa regularidade, eu tenho uns amigos meus que moram lá e que quando eu vou lá a gente pega um estúdio eu toco guitarra e a gente tira um som lá só para fazer um barulho.

(DS): Tira um lazer.

W (DD): O American Fuckin’ Number, um abração aí para o Rod, o Carlão, o Rafaelzinho e pro Alexandre. Aí uma vez depois desse ensaio a gente tava num barzinho que tinha do lado do estúdio lá perto de Boston e a gente ficou tomando cerveja e tal e o Rafael que era o tecladista falou assim “ó você conhece Jägermeister?” Eu falei “Não, não conheço”. Vamos pedir um shot e uma rodada para todo mundo.

(DS): Bebida de Headbangear.

W (DD): Bicho, eu fui para o hotel, eu fiquei de ponta cabeça, meu, que que é isso?

(DS): Você vomitou verde ou roxo?

(AA): É que ela é docinha você nem sente quando vê a merda já era.

(DS): É que essa bebida é uma bebida antiga alemã e era uma bebida tradicional, era como se fosse um Undemberg daqui…

(AA): Só que é menos ardida, é mais docinha

(DS): O cara toma como se ele fosse um digestivo né? Daí essa bebida começou a perder muito público e os caras investiram no Metal lá fora, falando a história que começou a rolar lá na Alemanha e Estados Unidos.

W (DD): Isso tem várias bandas que eles são patrocinadas.

(AA): Slayer.

(DS): E eles começaram a patrocinar só banda Metal e Metal porrada, só bacueira memo, só os podreira.

W (DD): Veio o convite?

(DS): É recebemos o convite através do nosso empresário o Gerard ele tinha até o contato com o pessoal da Jägermeister aqui do Brasil e a gente virou a primeira Jägerband brasileira.

W (DD): Que legal! E várias caixas no camarim?

(AA): Já tomamos porre.

(DS): E tem os Jägerfest né? Que são os festivais que a Jägermeister patrocina também lá fora.

W (DD): Que legal!

(DS): Então espero que por ser patrocinado aqui no Brasil, lá fora tenha uma abertura também que não tem nada a ver né? Lá fora lá fora aqui mas…

W (DD): Quem sabe rola né?

(DS): A gente tá trabalhando junto com a marca e é legal que eles estão investindo no Metal.

W (DD): Muito legal! Muito bom! Muito legal! Antônio, escolhe aí qual que é do ipod shuffle lá quando caí assim…

(AA): Você falou Heavy Metal englobando tudo?

W (DD): Pode ser tudo. Que nem o Dick falou muito bem meu Melódico, Power, Thrash tudo é Metal, tudo é uma religião só.

(AA): É isso aí, também acho. Mas eu vou na mesma banda ó.

W (DD): Judas também?

(AA): Vou no Judas, Leather Rebel

W (DD): Puta, Leather Rebel também manda muito muito bem. Muito bom.

W (RM): Não aguentou né?

(AA): Você falou eu fiquei lembrando de um monte de música do Judas aqui.

Você tem que tocar no boteco mil vezes, ralar para chegar ali. Se você pular tudo isso e chegar lá, você não tem essa experiência.”

(DS): Puta British Steel, junto com Reign In Blood, junto com Bonded By Blood do Exodus, junto com Number Of The Beast, meu uma porrada, é foda, é difícil.

W (DD): Para quem toca guitarra eu fico pensando, o solo do Painkiller é um negócio inacreditável, o começo do solo.

(AA): Aquele CD é sensacional em todos os aspectos assim, vocal, batera, revolucionário né?

W (DD): É muito legal. E o Judas é a base e eles pararam com aquela turnê do Nostradamus para fazer a turnê do British Steel e agora anunciaram a aposentadoria e eu espero que eles passem por aqui porque é a última turnê do Judas se eles vieram para cá vai tá a comunidade Metal inteira assistindo.

(AA): Puta tem que ir.

(DS): Show do Judas é do caralho, eu vi o primeiro show do Judas no Rock In Rio 2, puta que pariu, quando o Halford entra com a moto é masturbação mental ali na hora, você passa mal, é do caralho.

(AA): O cara é o cara.

W (DD): Muito bom, vamos ouvir então um pouco mais de Judas é isso?

(DS): Desce porrada aí.

W (DD): Bom isso aí foi Judas mais uma porrada escolhida pelos nossos amigos do Korzus e o que vocês estavam falando agora né que banda internacional vem aqui sold out todos os shows. Metallica tem que abrir segundo show, que nem você falou 80 mil pessoas em uma noite, 60 mil na outra quer dizer tem público e os espaços…

(DS): E nem 10 % desse público vai no teu show, podia ser 8 mil pessoas cara eu ia tá feliz ia tá porra, ia pagar minha conta do mês, sem tem que ficar estressado, pintando cenário para todo mundo, fazendo desenho, aerografando, porra, é sério cara.

(AA): É o mais estranho é que você sabe que todas essas 80 mil pessoas conhecem a gente.

(DS): Conhecem, cara eu tava lá no show do Metallica, fazia roda de cara em mim o cara do Korzus e eu “Puta, caralho, ó os cara” tudo bem não é que eu tô sem graça, legal a pagação de sapo, mas os caras assim pagando um pau cara, porra meu compra meu CD e vai no show filho da puta pára de pagar pau aqui para mim.

W (DD): Toda vez a gente tá falando assim bicho, compra música, você quer conhecer a banda, faz download para conhecer, no site do Korzus você pode ouvir o CD, mas gostou compra, não quer comprar o CD, então compra a camiseta, vai no show, ajuda essa banda porque essa banda não vai viver de graça.

(AA): É porque velho, a grande verdade é que as vendas do CD fazem uma diferença grande na carreira da banda cara, então tudo fica mais fácil se você vende bem.

(DS): Ele falou eu vi o clipe novo de vocês. A gente pegou todo o dinheiro e investiu. Vamos fazer um clipe foda? Vamô! Vamos fazer um disco foda? Vamô! Vamos pagar capa boa lá do cara? Vamô!

W (DD): Que é o que ele falou do planejamento, visão empresarial da banda.

(AA): Visão empresarial da banda. Planejamento é assim, quem tá de fora é assim, dificilmente tem noção da quantidade de investimento que é feito, da quantidade de esforço que é desprendido para você ter um clipe legal online.

W (RM): É uma loucura que vai além da composição, não basta fazer uma puta música boa.

(DS): Não adianta você tocar pra caralho.

(AA): Essa é uma visão, que quem tem essa visão é quem toca no quarto, é quem não tem, nunca teve uma banda, não sabe como é o mercado musical que é pô, selvagem.

(DS): Monte de moleque que toca, toca bem não sei o quê no quarto, quando ele vai para o mundo real, de tocar no boteco, comer pão com mortadela, tomar KiSuco…

(AA): Fazer um show sem retorno.

(DS): Cerveja quente, tomar chapéu no show. Cadê o cara que fechou o show? Sumiu.

(AA): Cadê a grana?

W (DD): Até de interesse de saber…

(DS): Carregar equipamento, machucar as costas, se fuder.

(AA): Passar 3 dias sem dormir, sem tomar banho.

(DS): Sem tomar banho, que 3 dias? Passa semanas as vezes, meu os caras não não, eles saem do quarto tocando e acha que vai ter todo mundo aos pés.

W (RM): Acha que vai sair estrela né?

(DS): Já vi muita banda aí que começou, “não, porque eu quero a gravação igual a do Angra”. Capa feita pela mina que fez a do Angra. Eu quero o cenário que você faz igual ao dos caras. Pô, não faz isso, você não vai usar cara. A gente tá dando um toque, eu não sou filha da puta. Eu falo para os caras faz um pano gigante, faz um pequeninho que você pode tocar no boteco, num festival, se for para um grande aí você pensa em investir num “bagulho” grande. Meu os caras já sonham que eles vão sair detonando. Aí os caras “Ah a gente abriu o show lá da banda grande e ninguém aplaudiu”. Mano você tem que tocar no boteco mil vezes, ralar, se fuder para daí chegar ali, cara. Se você pular tudo isso e chegar lá aí você não tem essa experiência. O que vai acontecer? Você vai subir lá e vai ficar abanando, tocando. Pode até tocar bem, mas você não tem feeling, não tem nada.

W (RM): E a galera não vai nem conhecer, vai querer que você passe rápido para chegar a banda.

W (DD): Muito do que você falou também na ideia de que sabe não de um estilo de Metal que tem essa segmentação, aqui no Brasil, meio ridícula. Metal é Metal desde anos 70, Hard Rock.

(DS): Desde Elvis.

W (DD): Isso mesmo.

(AA): Você vai nos grandes festivais lá na Europa, nego que vê o show do Ektomorf, vê o show do Angra.

W (DD): É isso mesmo. E aí a cena fica muito mais forte. A gente não tem volume para ficar segmentando desse jeito, porque daí fica pouquinha gente em cada um dos segmentos e nenhum deles gera volume, não gera dinheiro, não gera espaço.

O fã é um torcedor ou deveria ser.”

(AA): E é uma coisa que é uma visão, por exemplo, na Europa e no primeiro mundo ela já é bem mais forte do que aqui no Brasil. É a visão de que os fãs têm de que eles são também responsáveis pela carreira da banda e de que eles podem ajudar na carreira da banda. Então, por exemplo, merchandising lá fora vende.

W (DD): É tipo time de futebol. É tipo torcida para a banda.

(AA): Não é que nem aqui. Aqui se você vende 10 camisas no show é um milagre.

(DS): Meu a gente tocou em Brasília, festival Open Air da Petrobrás, de graça a entrada, um monte de banda. Se eu te falar que a gente vendeu 1 camiseta? Uma!!!

(DS): Não pagou a pessoa que vendeu a camiseta.

(AA): Não mais isso aí é uma coisa cultural. Isso é uma coisa cultural brasileira.

(DS): Daí a gente vai tocar no interior aqui São Paulo, Itapira, 250 moleques, porra vendeu 50 camisetas cara. Caralho!

(AA): Por isso se vai tocar lá na Europa, todo dia vende 20, 30.

(DS): Todo dia.

W (DD): E isso gera dinheiro né?

(AA): Pô isso gera capital.

(DS): Pô a gente até ouviu umas histórias de bandas que a gente acha que são grandes e que pagam para entrar nas turnês e pagam bem que ela é cara. Daí os caras gastaram uma grana pra entrar na turnê do Big Four até. Acabou a turnê mano, os caras pagaram a turnê e voltaram tudo cheio de dinheiro de tanta camiseta que vendeu.

(AA): É porque assim meu, o público lá vê a tua banda tocar e pensa assim “Porra, gostei, a banda é foda, vou lá comprar uma camisa”.

(DS): Porque eu sei que essa grana vai ajudar os caras. Ele não tá comprando a camiseta para ajudar o fabricante da camiseta, tá ajudando a banda.

(AA): Claro.

(DS): É o CD, é a banda.

W (DD): É um pouco, em inglês tem uma palavra que chama support que é no sentido de ajudar, que aqui no Brasil tem o conceito com o time de futebol que você compra a camiseta, que você quer ajudar a suportar o time e com as bandas nacionais isso não acontece, uma pena.

(AA): Transferir o mesmo conceito de futebol para música.

W (DD): Você torce pela banda, você que ajudar a banda.

(AA): O fã é um torcedor ou deveria ser.

W (DD): É isso aí.

(AA): Eu pelo menos torço pelas bandas que eu gosto, quero ver elas enormes.

W (DD): Bom, a gente tá terminando esse programa que foi como eu disse no começo uma honra ter vocês. O Faustão fala assim que quem vai lá vira sócio, ele falava no Perdidos na Noite né “Ah virou sócio do programa” eu espero que vocês realmente virem sócios do Wikimetal, que vocês voltem depois para contar como foi a turnê de vocês.

(DS): Convidando estamos aí.

W (DD): Com certeza. Vamos manter contato. Korzus agora um monte de shows na Europa, depois tem show em Santa Catarina já e depois outros shows.

(DS): Interior também aqui.

W (DD): Pessoal pode ficar ligado no site korzus.com.br para saber todas as notícias do Korzus.

(AA): Twitter também que é Korzus Official com 2 “F”s.

W (DD): Korzus Official com 2 “F”s para não ter erro. Facebook?

(AA): Facebook – Korzus Brasil no facebook. Myspace.com/Korzus.

(DS): Tem até fotolog que a molecada nem mais usa, mas tem. Tudo o que você quiser.

(AA): TwitPic. E ai tem a comunidade no Orkut também que tem uns 8 mil membros aí e tal, comunidade legal.

W (RM): E o site é muito bacana né? Tudo, tudo. Primeiro você entra no site já começa Discipline Of Hate e as imagens.

W (DD): Ah isso que eu ia falar o site foi montado em cima da capa do disco né? E é muito legal que você vai navegando e na verdade ele rola a tela pra baixo, eu achei muito legal essa ideia porque você sempre tá vendo aquela imagem que é maravilhosa que é a capa do disco de vocês. Não só o cuidado com o visual mas o som ficou muito bom.

W (RM): E aqui no canto superior esquerdo tem a turnê né? Dos dias, aonde são. Isso é muito bom.

(AA): Tem, tem tudo.

W (DD): Pra fechar então o programa de hoje de novo, muito obrigado pela presença de vocês, nota 10! Muito obrigada.

(DS): Valeu meu irmão.

(AA): Obrigado vocês.

W (DD): E o que Discipline Of Rate ou Truth? O que vocês querem?

(DS): Fica a gosto de vocês.

W (DD): Rafael escolhe aí.

W (RM): A gosto da gente, vamos tocar as duas então.

W (DD): Então tá bom.

(DS): Isso aí! Desce porrada.

(AA): Toca as duas, melhor ainda.

(DS): Pô foi um prazer encontrar vocês que pô, são das antigas também. Fazem parte da história do Metal, mesmo não tando no palco, vocês estavam no palco escondidos atrás dos amplificadores.

W (DD): É isso aí, correndo atrás de cabo que tava enrolado.

W (RM): E tomando muita bronca se não desse certo.

W (DD): Desmontando aqueles panos gigantes depois do show.

(DS): Pô véio, mas graças a vocês que o negócio anda, não é só uma banda que faz funcionar, se não for sua equipe, fã, colaboradores nada anda.

W (DD): Vamos ver se a gente faz então o Wikimetal ser realmente um portal que todo mundo venha. A gente quer conglomerar bandas e essa galera que tem uma legião.

(AA): Parabéns pela iniciativa velho o Wikimetal assim muito importante isso que a gente sabe que a grande mídia não dá atenção ao Metal. O Metal é um segmento que anda pelas próprias pernas e vocês são responsáveis por isso.

W (DD): Muito bom, pau mais Korzus para vocês, duas pedradas, as duas primeiras do melhor disco do Korzus. Valeu!

(DS): Isso aí, eu espero que vocês quebrem o pescoço.

Tags:
Categorias: Entrevistas