O Jimmy Page foi muito importante pra mim e eu ainda considero ele como um dos grandes mestres da guitarra”

W (Daniel Dystyler): Alô, Kiko?

KL: Tudo bem aí com vocês? Boa tarde.

W (DD): Boa tarde.

W (Rafael Masini): Tudo bem, tudo bem, Kiko, bom dia, né? Aqui bom dia.

W (DD): Bom, estamos aqui falando com Kiko Loureiro, muito bacana a presença do Kiko aqui. Kiko, eu queria começar te perguntando como é que foi que você começou a se interessar por Rock e pela guitarra principalmente.

KL: Nossa, isso faz tempo, hein?

W (DD): Faz tempo.

KL: Bom que eu me lembre, assim… Bom eu tinha uns primos que ouviam, né? Kiss e bandas assim, mas eu lembro bem quando o Kiss veio pro Brasil, eu era super moleque, e foi uma coisa que passou na TV. Oitenta e tantos isso, e depois teve o Rock in Rio de 85 que foi muito forte, também. Mas aí eu já ouvia algumas bandas, tanto que eu já era fã de Iron Maiden, Whitesnake, do Ozzy, do Scorpions, que estavam no primeiro Rock in Rio. Mas eu estudei no Rio Branco, o colégio, e lá no Rio Branco tinha uma biblioteca que você podia pegar vinil. Então eu ficava pesquisando quando eu tinha uns 11, 12 anos, 13, eu ficava pegando emprestado vinis de bandas que eu nem conhecia direito mas eu gostava da capa ou alguma coisa que eu ouvia falar e ia lá atrás, entendeu? Então acabei ouvindo muito Led Zepellin, Deep Purple, bandas mais, que não eram da minha época, contemporâneas. Pink Floyd, eu fui conhecendo e gostando, daí eu ficava gravando em fita cassete. E quando eu era muito fã de uma banda eu comecei então a ir comprar, fazer a minha coleção de vinil e tal, né? Mas, começou assim no colégio.

W (DD): Muito legal, Kiko. Fala pra gente, você foi escolhido pela revista japonesa Burn! como melhor guitarrista do mundo. Como é, pensando nesses tempos de moleque que você começou a ouvir, a se interessar por guitarra, chegar num ponto assim tão importante?

KL: Ah… Muito louco. Também quando você começa a ouvir, a tocar, você faz por gosto, né? Você nunca imagina que você vai estar um dia no Japão, e um dia a revista do Japão vai te eleger melhor e tal, mas com certeza é gratificante, né? Mas claro que é, você sabe quantos anos você fica fazendo os trabalhos e você meio que entende o porque da galera gostar de você. Quer dizer, não dá pra entender sempre, né? O porquê da galera gostar da gente. Tanto que no Japão o primeiro disco foi disco de ouro e a gente ficou meio sem entender. Quando lançou o Angels Cry lá.

W (DD): Que legal.

KL: Acho que aquilo foi até mais forte, né? Quando a gente gravou Angels Cry e saiu no Japão e depois veio a notícia “Ah vocês são disco de ouro no Japão”. Capa de revista, melhor banda revelação e não sei o quê, tal. Isso foi super forte, porque a gente tava no Brasil morando com os pais, sabe assim? Tipo a vida continuava a mesma coisa, né? Nada mudou.

W (DD): É, vocês eram meninos, ainda, né?

KL: Eu tinha 21, os caras tinham 22, né? O Rafael, o André, tal. Então isso foi forte, assim, porque era uma coisa distante. A gente não sentia, não tinha esse glamour nem nada, né? Mas foi legal, né? foi legal esse lance do disco de ouro e sair nas revistas no Japão. E receber carta, na época tinha as cartas, né? Não tinha internet. Eu recebia umas cartas em japonês, uns presentes, umas coisas assim. Isso realmente é gratificante e uma coisa que você nem imagina. Então, você está estudando guitarra com os seus 15, 16 anos, 17 e alguns anos depois, tipo, quando está com 21 já rola isso. Então, isso realmente, acho que foi até mais forte do que o lance de depois ser eleito, mais pra frente depois de mais de 10 anos de carreira, né?

W (RM): Muito legal. E comentando sobre esse, pegando o gancho do que você falou do Japão ter eleito você como melhor guitarrista, esse lance de melhor é sempre um pouco subjetivo, né?

K.L Ah, então, por isso… É legal você ganhar o prêmio, óbvio, né? Não vou ser hipócrita de falar “Ah não, bobagem”, mas eu sinto mais como um reconhecimento dos fãs, ou tipo, os fãs gostaram, foi na época que saiu o Temple of Shadows, do Angra e eu tinha feito um disco meio fusion brasileiro, Universo Inverso que ia totalmente contra a figura do estereótipo do fritador metal, entendeu? Esse disco.

W (RM): É.

KL: E ajudou muito um disco super bom, que a gente tem muito orgulho de ter feito, que é o Temple of Shadows, do Angra, e junto com esse disco que mostra um outro lado do Kiko que os caras nem imaginavam, acho que essas duas coisas somadas gerou esse lance de ser reconhecido lá o melhor. Porque foi muito bem falado na Burn! sobre os dois discos. A gente ganhou também melhor disco do ano, com o Temple of Shadows, melhor capa, e sei lá o que mais que ganhou. Ganhou várias coisas naquele ano.

Você nunca imagina que um dia uma revista do Japão vai te eleger o melhor, mas com certeza é gratificante”

W (DD): É, e daqui a pouco a gente vai falar um pouquinho mais do seu trabalho solo, né? e o Universo Inverso é realmente um disco bem diferente, bem legal pra quem é guitarrista, muito bacana, tem umas frases, uns feelings, uns climas muito legais. E você falou que foi muito legal pelo reconhecimento dos fãs, então eu queria inverter um pouquinho a pergunta: você como fã, quais são os três guitarristas que você acha os mais legais de todos os tempos, e de hoje, assim, quem você tem ouvido mais?

KL: Cara, de todos os tempos a gente acaba indo num lugar comum, que seriam o Van Halen, o Jimi Hendrix… De caras que estão na ativa, soa meio repetitivo também, mas o Jeff Beck pelo fato dele estar super ativo. E não vive do passado, é um cara que tá sempre propondo coisas novas, vindo com discos diferentes, e é um cara, é uma lenda. Uma lenda viva da guitarra, mas quando lança um disco sempre tem alguma coisa nova, não é um cara refazendo coisas que fez no passado ou sendo cover de si próprio, como tem vários artistas mais lendários aí que vivem muito do passado, né? Ele não, ele mostra que criatividade não tem idade. O cara que tá sempre propondo coisas novas, então acho que é uma das maiores referências pros guitarristas hoje em dia. Foi muito importante o Jimmy Page, porque foi um dos grandes motivos de eu tocar guitarra quando eu comecei nessa época que eu falei, do colégio, no Rio Branco. Ouvi muito Led Zeppelin, então foi uma coisa que eu falava “Nossa, preciso tocar guitarra” por causa dessas músicas do Led Zeppelin. Então acho que o Jimmy Page também foi muito importante pra mim e eu ainda considero ele como um dos grandes mestres da guitarra.

W (DD): Muito legal. É, ontem eu encontrei com o Felipe e o Rafael no show do G3 aqui em São Paulo e os caras também- o Petrucci – tocam demais.

KL: Também, o G3, o Steve Morse, sim. É, eu tô citando os mais lendários, né?

W (DD): Claro.

KL: Mas, claro, vai ter os momentos, né? O Petrucci, o Steve Vai, o Steve Morse, quer dizer, esses nem tão modernos demais. O Steve Morse eu nem sei quantos anos tem, mas tem até a galera, o Tosin Abasi, por exemplo, que é fantástico, né? Guitarra de oito cordas. Aí já é molecada nova mesmo, super boa. O Periphery, Animals as Leaders, essas bandas que tão vindo já com influências dessa mistura do Steve Vai com Meshuggah. Sei lá, uma mistura assim que é o que tá rolando agora nos Estados Unidos, que tá em voga agora no meio da guitarra, no Metal, que é bem legal. Tosin Abasi, recomendo.

W (DD): Boa, boa recomendação. Kiko, vamos falar um pouco do Sounds of Innocence. Você tá fazendo tour, você tá divulgando, como é que tá o lançamento desse seu quarto trabalho solo?

KL: Então, saiu agora né? E agora a gente tá armando uma tour pra março do ano que vem no Brasil.

W (DD): Ah, que legal.

KL: É, devido à agenda e também porque eu joguei pra frente pra poder armar uma coisa em sequência. Uma coisa um pouco mais no estilo que se faz na Europa, e tal, que é você já jogar a tour pra frente e tentar armar uma sequência de shows mais completa, uma sequência maior de shows.

W (RM): Legal, muito bacana. A gente ficou muito honrado em descobrir que você escreveu pra gente, que você ouve o Wikimetal, ouve os nossos episódios, então você já deveria saber que a gente sempre faz uma mesma pergunta pra todos os convidados especiais, uma pegunta clássica que a gente gosta de saber, pra gente rolar um som aqui pra gente ouvir um pouquinho além da nossa conversa. Imagina você ouvindo seu iPod, em shuffle, no modo randômico, tem milhões de música de Heavy Metal e de repente começa a tocar uma música específica que você não consegue se controlar, que você sente aquela necessidade de balançar a cabeça onde quer que você esteja, que música é essa pra gente poder ouvir agora no Wikimetal?

KL: Haha. Cara, é, pergunta difícil essa aí, mas com certeza vai ser uma dessas músicas que me trouxe muito pro Heavy Metal nessa fase que eu tava falando de adolescente. Então, provavelmente a Powerslave por exemplo, seria uma delas, do Iron Maiden.

W (DD): Muito boa escolha, Powerslave do Iron Maiden, aqui no Wikimetal. Demais.

Você vai em grandes festivais pelo mundo e cruza com um monte de artistas que você cresceu ouvindo”

W (DD): Legal, Kiko, então, você já fez grandes participações especiais com outros vocalistas, e com outros guitarristas, e tal. Cita pra gente um que marcou muito, que você gostou muito de ter feito o trabalho junto.

KL: Eu fiz com a Tarja… Eu fiz duas turnês longas com a Tarja e gravei também com ela. E esse lance com a Tarja rolou porque era uma turnê só, era um mês, e dava, e acabou. Depois esse negócio cresceu fez mais outra. Mas, nunca deu pra aceitar convites, tipo, ano passado me convidaram pra tocar no Thin Lizzy que é uma banda histórica, né?

W (DD): Nossa, que demais.

W (RM): Legal.

KL: É. Mas aí, também não dava, porque os caras queriam sair 5 meses de turnê, tinha que abandonar a vida pra, tudo que tá fazendo pra encarar, entendeu? Aí acabou que não rolou, não dava, mas é uma banda legal, histórica, assim, né?

W (DD): É uma honra esse convite, né? Muito legal.

KL: É, é que eu conheço bem o Mark Mendoza, baixista que era do Whitesnake, né? Tá lá no Thin Lizzy. Daí ele me convidou, por exemplo. Às vezes rola umas coisas assim, mas nem sempre dá, né? Porque você tem que desistir de tudo que você está fazendo, pra fazer aquilo. No caso da Tarja, era certo porque eu tava só substituindo o guitarrista principal, que ele ia ter um filho e ela precisou. E algumas gravações que eu fiz foi de violão, que ela gosta do violão, o Angra sempre tem uns violões de nylon uma coisa um pouco mais erudita, ou mais brasileira e ela queria no disco dela umas coisas assim, então por isso que eu participei, não foi nem pra tocar guitarra elétrica, né?E os festivais com o Angra, isso aí que é o mais legal. Você vai em festivais, grandes festivais aí pelo mundo e cruza com um monte de artista, que você cresceu ouvindo nos bastidores, né? Acho que vocês já devem ter feito isso também. Mas isso é legal, você subir no mesmo palco, e trocar ideia com os caras ali onde você tá comendo, né? De repente você senta na mesa do cara do Twisted Sister, entendeu? Era uma banda que eu era moleque, eu adorava. Ou sei lá, do Queensrÿche. Eu também fiz um summercamp na Europa no ano passado com o Allan Holdsworth que era um cara que eu sempre admirei muito, ou esse ano eu fiz um com o Greg Howe, com o Uli Jon Roth, que era o guitarrista do Scorpions, né?

W (DD): Uhum.

KL: Então, isso é super legal, principalmente quando você tem tempo de ficar com os caras, né? Conversar, passar uns dias, aí você conhecer de verdade a pessoa. Isso é bem legal, bem legal.

W (RM): Kiko, na vinheta do programa nós tocamos Dilema, que é do seu disco “No Gravity” e agora eu queria que você escolhesse uma música do seu disco novo, do “Sounds of Innocence”, pra gente ouvir agora no Wikimetal.

KL: Bom, uma que é um pouco mais Metal do disco, o disco é bem variado, né? Mas tem uma música que é Conflicted, que é, que cai pro lado mais Metal, e tem uma batera espetacular do Virgil Donati, grande batera, um dos maiores bateras do mundo e fez uma participação super especial aí, nessa música principalmente. Grande batera, que levou a música pra outro nível quando ele gravou a batera dela, então acho que vale a pena ouvir.

W (DD): Essa foi Conflicted, muito legal a escolha do Kiko, muito bom o som, também, do trabalho novo. É, eu queria te perguntar um negócio que certeza de que milhares de fãs de Metal do mundo todo querem saber, que é qual que é a situação do Angra atualmente?

KL: Então, o Angra, a gente tá na função agora de ouvir, conversar sobre vocalistas, e tal, né? Então, estamos nessa função agora. Na realidade o Rafael tá mais empenhado nisso, ele tá recebendo o material, o Rafael é um grande cantor, né? A galera já deve ter visto o disco solo dele. Então é um cara que é até mais indicado para fazer essa triagem primeira, né? E depois, obviamente, a gente já meio que já conhece os grandes cantores que tão no Brasil e em São Paulo, que a galera fica falando: “Ah, por que você não chama esse, não chama aquele?” A gente meio que já sabe todas as pessoas que a galera indica, né? A gente sabe os quatro, cinco caras fantásticos no Brasil, pelo menos, mas é legal ouvir outros, também, né?

W (DD): Uhum.

KL: Às vezes outros que não tão ali na boca do povo, digamos assim. É legal a gente saber falar, meu, mandem seu material, mandem, de repente a gente também conhece um cara fantástico aí, meio desconhecido, como o Dragonforce fez, né? Dragonforce, eles pegaram um cara que não tinha experiência nenhuma.

W (DD): É muito bom o novo vocal deles.

KL: Exato, eles pegaram um cara bom, mas… eu lembro que eu encontrei com o Herman Li, eles tinham acabado de descobrir esse vocal novo e ele falou isso pra mim: “A gente preferiu pegar um cara desconhecido e bom.” E tem que esperar o cara adquirir experiência, mas eu acho que também isso não tem muito problema quando você já toca numa banda com bastante experiência. O cara na hora se molda ali e a coisa funciona. Então estamos aí, o Rafael tá recebendo o material, e claro, a gente já sabe um pouco desses grandes vocalistas que a gente tem no Brasil e daqui a pouco a gente dá uma peneirada, vê e discute e conversa direto com essas pessoas, entendeu? E grava, faz alguma demo, faz alguma coisa assim, quem sabe até fazer um show…

W (DD): Isso que eu ia perguntar, se vocês não têm a intenção de fazer a mesma coisa parecida como o Dream Theater fez com o Mike Mangini.

KL: É, se der, rola. Só que você tem que ter alguém que conheça do assunto, né? De produção, de TV, de programa, pra fazer uma coisa legal. O Dream Theater você vê que foi super bem feito, né? E então a gente tá falando com essa produtora, pra ver que formato que a gente pode fazer, né?

W (DD): Legal.

Me convidaram pra tocar no Thin Lizzy, que é uma banda histórica”

W (RM): Bom, Kiko, eu to só te pedindo música, mas é que realmente as músicas da sua carreira são ótimas. Eu queria, já que a gente tá falando de Angra e tem essa boa notícia que vocês tão nessa procura e logo logo teremos vocês de volta ao palco. Escolhe uma música do Angra pra gente ouvir, uma música que você tenha orgulho de ter tocado e tocar. Que música seria essa? Do Angra.

KL: Bom, a gente tava falando há um tempão, tem tantas músicas, né?

W (RM): Tem mesmo.

KL: Difícil, mas pode ser a Angels and Demons. A gente tava falando do Temple of Shadows, no começo. Então eu vou escolher uma música do Temple of Shadows, Angels and Demons, a música que eu gosto bastante. Eu e o Edu, a gente compôs e a música nasceu numa tarde, assim, eu sempre gosto quando as músicas nascem rápidas assim, num dia só, né? Tem umas bandas que utilizam dessa técnica, chegam no estúdio sem nenhuma ideia e o que sai naquele dia e já grava e tal, e acreditam na ideia que saiu naquele brainstorm da banda inteira, então eu acho que essa música foi mais ou menos isso, acho que é legal mostrar pra galera, então.

W (DD): Muito bom, essa foi Angels and Demons, escolha do Kiko Loureiro, muito legal. Kiko, qual foi a melhor banda que surgiu nos últimos tempos, pra você?

KL: Nossa, difícil a pergunta, né? Tantas bandas, cara, eu to aqui na Europa, aqui todo dia quando você vê os eventos que tem, que rola, são um monte de bandas que eu nunca ouvi falar, e quando você vai ouvir são super boas e tal, né? É um celeiro de bandas. Sempre foi e cada vez é mais. Então eu não sei, eu citei esse Animals as Leaders, mas é instrumental. É bem interessante, é bem interessante…é uma banda americana, pra quem gosta de um som mais prog com uns guitarristas bons, uma coisa, é pesada, meio Meshuggah, mas é um caminho novo, né? É uma mistura nova, então eu vou citar esse Animals as leaders.

W (DD): Legal, Kiko. A gente já tá aqui quase terminando a nossa entrevista, eu queria só pedir pra você deixar um conselho para um músico que tá começando agora, um menino de 13, 15 anos que tá pensando em ou montar uma banda, ou começar a tocar guitarra. O que que você diria pra ele?

KL: Bom, tem aquele lugar comum, né? Que é aquele, tipo, acredite nos seus sonhos. Esse aí a gente tem sempre falado que tem que acreditar mesmo, né? Se dedicar. Você tem que viver música 24 horas por dia, tem que estudar seu instrumento, tem que ir em shows, tem que ensaiar com os seus amigos, tudo, né? Assistir vídeos e tal, e ficar focado em música direto pra você ter vocabulário, né? Pra conhecer a história, pra ter recursos na hora que você for compor suas próprias músicas. E é isso, achar os caras que você se identifica pra montar uma banda e acreditar no sonho. Daí é só treino e dedicação e ir fundo na coisa. Mas é claro que quando eu comecei, das bandas que começam hoje eu acho que é um negócio complicado, cara, porque quando eu comecei a tocar tinha meus colegas do bairro, ali, que eram músicos tão bons ou um pouquinho melhores que eu, estavam todos começando, era tudo a mesma coisa. Aí tinha um professor que era, claro, o cara era melhor, aí tinham os grandes músicos estrangeiros, que tinham que ser muito melhores, os grandes rock stars, né? Então a coisa ficava, fazia sentido, né? Hoje em dia, com esse negócio de Youtube, e tal, você abre um espectro gigantesco na frente do computador, ali, né? Na sua frente, que de repente você vê um chinês de cinco anos de idade tocando a batera do Virgil Donati, então pode ser incentivador, ou pode dar um desânimo pro cara que tá estudando, porque ele tá lá com os seus 15 anos estudando guitarra e aparece um japonês de oito anos tocando mil vezes melhor que ele. Isso rola bastante, né? Hoje tá aberto, o mundo inteiro tá aberto na sua frente, né? E esse lance dos vídeos no Youtube traz uma evolução violenta pra humanidade, eu acredito, porque o cara fica vendo essas crianças tocando bem, isso em tudo não só na música, mas na arte em geral, em tudo, né? Então eu acho que pode desincentivar. Então aí é a grande hora de você acreditar em você, de você compor suas próprias coisas, né? Porque aqueles elementos que você aprendeu desde a sua infância, de música, só você vai ter. Aí que fica importante o lance da composição, do lance de você acreditar nas suas ideias, na sua concepção de mundo.

W (RM): E uma mensagem final pros nossos ouvintes.

KL: Bom, primeiro é um prazer estar aqui no Wikimetal, conheci vocês através do Nando no Rock in Rio, no backstage, ele tava gravando entrevista com a galera e tal. E eu sou um fã de podcast, na real, assim, como eu viajo muito, uma das minhas companhias acaba sendo ouvir uns podcasts, de assuntos gerais, né? E eu fiquei feliz quando eu vi que tinha um podcast brasileiro sobre Metal, né? E a gente vê, tem até uns americanos e tal, mas fiquei muito feliz de ver que vocês tavam fazendo aí bem feito, e tal, então queria deixar meus parabéns pela iniciativa e que eu possa participar mais vezes, por que não? E vida longa ao Wikimetal. Abraço pra todo mundo.

W (DD): É isso aí, legal, Kiko, obrigado pelos elogios, pra gente é uma honra ter um dos maiores guitarristas da história do país aqui falando isso da gente, e participando e com certeza as portas tão sempre abertas pra você vir divulgar seu trabalho solo, trabalho com o Angra, qualquer coisa que você venha a fazer aí no futuro.

KL: Beleza.

W (RM): É, Kiko, eu quero também te dar parabéns pelo último disco, eu que já gostava bastante do Universo Inverso, adorei o trabalho, a gente vê a sua dedicação, realmente é cada vez melhor, parabéns por esse último disco.

KL: Pô, obrigado, obrigado. Então fica aqui a minha promessa, assim que eu tiver umas datas, alguma notícia mais concreta do Angra, aí vou passar pra vocês, aí. Legal bater um papo desses.

W (DD): É isso aí, legal, Kiko, brigadão e obrigado pelo tempo todo que despendeu com a gente, porque eu sei que a sua agenda é super atarefada e valeu por ter participado aqui do Wikimetal.

KL: Nada, valeu, brigadão, cara. Grande abraço a todos aí. Tchau tchau.

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