A banda começou como um projeto que nós fazíamos por diversão. E quando percebemos, estávamos gravando um álbum.”

Wikimetal (Nando Machado): Oi, Josh.

Josh Rand: Oi, como você está?

W (NM): Oi, aqui é o Nando, como vai?

JR: Como vai? Eu estou bem.

W (NM): Deixe-me começar perguntando quais foram as influências que fizeram você decidir se tornar um guitarrista?

JR: Bom, a minha principal influência para me tornar um guitarrista foi, na verdade, o Paul Gilbert. Eu comecei tocando baixo, provavelmente com 14, 15, influenciado pelo Jason Newsted, e Cliff Burton, e Dave Ellefson, basicamente os caras do Thrash Metal. Depois de tocar alguns anos, eu comecei a ouvir artistas mais virtuosos de baixo, como o Sheehan, e trabalhar com esse tipo de coisa, e depois com o Billy Sheehan… Ouvir o seu trabalho, o “Mr. Big” meio que me introduziu ao Paul Gilbert e todo esse estilo, eu meio que voltei, conferi as faixas dele, e eu me apaixonei pelo estilo dele e a sua abordagem à guitarra, e eu decidi trocar para a guitarra.

W (NM): Isso é interessante. E você já pensou em gravar baixo para o Stone Sour depois que vocês tiveram o Rachel Bolan, do Skid Row, gravar os últimos dois álbuns?

JR: Eu escrevi muitas coisas no baixo ao longo dos anos. Sabe, falavam sobre isso, mas nós queríamos mesmo ter outra pessoa tocando as partes de baixo, não eu mesmo. Porque o problema era que eu tivesse uma abordagem mais do ponto de vista da guitarra, e nós não queríamos isso. Nós queríamos levar a música para outro nível, e o Rachel é um músico fenomenal. Eu sabia que ele faria isso.

W (NM): Você se lembra de quando você foi convidado para se juntar ao Stone Sour?

JR: Bom, na verdade, eu comecei essa banda em 2000, com o Corey. E nós trabalhamos em uma banda, em um projeto, gravando demos, só nós dois, por quase dois anos antes que isso se tornasse o Stone Sour.

W (NM): E logo depois que você formou a banda, o Stone Sour lançou seu álbum auto titulado debut, que foi indicado para dois Grammys nos anos seguintes. Você tinha alguma ideia que a banda faria tanto sucesso comercial quando você gravou o álbum?

JR: Não, de maneira alguma. A banda começou como um projeto que nós fazíamos por diversão. E a próxima coisa que nós percebemos, estávamos gravando um álbum. Foi uma gravação meio maluca para nós, porque nós não tínhamos um produtor, nós ainda éramos muito verdes em relação aos aspectos de gravação, mas nós nos divertimos muito.

W (NM): No segundo álbum, você e o Shannon Larkin do Godsmack gravaram um dos maiores hits do Stone Sour, “30/30-150”. Como foi isso?

JR: Legal. Foi uma das faixas que eu fiz… O Shannon veio tocar, e ele conhecia o Corey e o Jim muito bem, e ele adicionou uma atmosfera completamente diferente para a música que nós inicialmente havíamos planejado na época.

W (NM): Ótimo. Mudando de assunto, Josh, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, uma que nós fazemos a todos os convidados: imagine que você está ouvindo talvez uma estação de rock, ou talvez o seu mp3, e começa a tocar uma música que faz você perder a cabeça completamente, e você sente vontade de headbangear sem parar onde quer que você esteja. Que música seria essa, para que nós possamos ouvi-la no programa agora?

JR: Ah, teria que ser “South of Heaven”, do Slayer.

Eu acho que o fato de que todos nós escrevemos permite que tenhamos a diversidade que nós temos, e não uma música que parece sempre a mesma.”

W (NM): Ótima escolha, “South of Heaven”, do grande Slayer no Wikimetal! Quando vocês decidiram que “The House Of Gold & Bones” seria um álbum conceitual, e quando vocês perceberam que teria que ser um álbum duplo?

JR: Bom, o Corey criou a história, e ele inicialmente me abordou para saber o que eu achava de fazer um álbum conceitual, e eu achei que era uma ótima ideia. E conforme o material chegou, porque todos nós compomos, quando percebemos, nós tínhamos 24 faixas, e eu tinha certeza de que eu queria que fosse dividido. Eu sei que no começo não foi uma escolha muito popular por um tempo… Eu só senti que haviam vários motivos, número um: tinha muito material para colocar em um álbum só. Eu achei que fazia sentido separar, e lançar o outro de 6 a 9 meses depois. Porque por ser um álbum conceitual, e uma história, eu achei que daria muito certo.

W (NM): Foi uma ideia muito legal, e eu pessoalmente amo os dois álbuns, então foi muito bom que você não deixou nenhuma música de fora. Eu vejo que todas as músicas dos dois álbuns são creditadas à banda, então como é o processo de composição do Stone Sour?

JR: Como eu disse, cada um de nós contribui musicalmente, e então o Corey geralmente escreve as letras, e às vezes pede que façamos algumas mudanças de acordes e tons, e assim que temos um rascunho disso, e quando todos nós estamos juntos, é aí que se torna realmente uma música do Stone Sour, então eu acho que pelo fato de que todos nós escrevemos, isso permite com que nós tenhamos a diversidade que nós temos, e não uma música que parece sempre a mesma.

W (NM): Todas as músicas já estavam escritas quando você começou a gravar a primeira parte de “House of Gold & Bones”, ou você gravou as duas partes de uma vez, ou você teve um tempo entre as duas gravações?

JR: Não, nós gravamos os dois álbuns ao mesmo tempo. Levamos três meses fazendo isso, seis dias por semana, cerca de 10 a 12 horas por dia. E nós realmente fomos percorrendo a lista, assim que soubemos qual seria a lista de faixas, nós fizemos um cartaz, com coisas que tinham que ser gravadas, e fomos percorrendo a lista.

W (NM): E o que você acha e o que você pode nos falar do conceito do álbum, a história por trás do conceito?

JR: É basicamente o humano e o subconsciente, tomar a decisão que vai mudar a vida para sempre, para melhor ou pior. Basicamente, tudo chega a essa decisão.

W (NM): Então mudando de assunto de novo, Josh, o que você lembra de tocar no Rock In Rio em 2011? E como foi dividir o palco com o Mike Portnoy?

JR: Foi uma experiência incrível tocar na frente de tantas pessoas, foi verdadeiramente uma honra. O Roy não pode tocar, porque a filha dele ainda não tinha nascido, e a esposa dele iria dar a luz a qualquer momento, então o Mike… Nós fizemos turnê com o Avenged Sevenfold por muito tempo, por mais ou menos um ano, pareceu, e por sorte, o Mike veio tocar. Eu sou um grande fã do Dream Theater, então para mim, já que o Roy não podia estar lá, foi incrível poder tocar com o Mike.

W (NM): E de volta ao álbum novo, como foi trabalhar com o produtor David Bottrill?

JR: Eu amei. O Dave era exatamente o que nós precisávamos para esse álbum. Ele não é um cara de falar “Sim, senhor”. Se trata de criar e tentar ser o mais artístico possível. E ele sabia como lidar com a atitude de todo mundo, e os egos, e era o cara perfeito para nós nesse momento. Foi maravilhoso trabalhar com ele.

W (NM): E de volta ao assunto do baixista, vocês tiveram o Rachel Bolan, do Skid Row, e agora vocês têm o Johnny Chaw tocando baixo na turnê. Vocês já consideraram pedir para o Rachel se juntar à banda? E como foi dividir o palco com o Johnny nos shows recentes?

JR: Inicialmente, nós perguntamos sim ao Rachel se ele queria fazer turnê, mas obviamente, ele tinha compromissos com o Skid Row. Nós conhecemos o Johnny pelo Systematic, e na verdade, ele e o Roy tem um relacionamente de décadas, então nós sabíamos que ele era um músico incrível, ele seria perfeito, então nós pedimos a ele que se juntasse.

W (NM): Como foi o show no Download Festival no domingo passado?

JR: Foi bom, foi bom. Eu amo tocar em todos os festivais, ainda me surpreende que tantas pessoas possam se juntar para assistir um show. E estar no palco olhando… É difícil explicar, é uma coisa incrível.

Eu amo tocar em todos os festivais. Ainda me surpreende que tantas pessoas possam se juntar para assistir um show”

W (NM): OK. Vou pedir para você escolher outra música agora, eu vou pedir que você escolha uma música do Stone Sour da qual você senta muito orgulho, para que nós possamos ouvi-la no programa agora.

JR: Ah, eu vou com “RU486”.

W (NM): Quão difícil é coordenar a agenda, já que vocês tem que dividir o Corey e o Jim com o Slipknot? Você acha que isso traz alguma vantagem?

JR: A agenda meio que funciona sozinha nesse ponto. Nós já fazemos isso há muito tempo, e não é difícil, sabe?

W (NM): E além de tocar com o Stone Sour, você tem algum outro projeto que você gostaria de compartilhar com os nossos ouvintes?

JR: Eu vou lançar um DVD instrucional no final do ano, e vai ser eu ensinando os solos que eu toco nos dois álbuns do “Hell and Consequences”, e há um exercício de escala, vai ter uma biografia, que é basicamente um documentário meu. Vai sair provavelmente no outono.

W (NM): Isso é ótimo. Você pode dar uma olhada no nosso website, wikimetal.com.br, e quando for lançado, você pode contar conosco para a promoção, então entre em contato, e nós faremos todo o possível para ajudar com isso. Então, nós estamos quase no final da nossa entrevista. Eu vi a sua setlist do Download, e vocês tocaram “Children of the Grave”. Você ouviu o novo álbum do Sabbath, e o que você achou dele?

JR: Eu ainda não consegui ouvir, infelizmente, porque nós estivemos fazendo turnê, e a internet é um lixo, então eu não consigo fazer o download. Eu provavelmente vou ouvir nos próximos dias, com sorte, mas eu parabenizo eles, sabe, eles são os padrinhos do Heavy Metal, tudo começou com eles, e uma das razões pela qual nós estamos tocando “Children of the Grave”, é como um tributo para eles. Eu ouvi críticas misturadas, eu ouvi algumas pessoas dizerem que é incrível, eu ouvi outras pessoas… Eu acho que as expectativas estavam tão altas, que seria difícil de alcançar, sabe? Quer dizer, quanto tempo faz que eles não gravam juntos?

W (NM): Eu achei incrível, mas vou deixar você ter a sua opinião quando você tiver a oportunidade de ouvir. Então em primeiro lugar, Josh, eu gostaria de agradecer pelo seu tempo, e muito obrigado por tudo o que você fez com esse álbuns incríveis que vocês lançaram nesse último ano, eu acho que vocês realmente estão levando o hard rock e o Heavy Metal para outro nível, e é muito importante, porque nós precisamos de bandas novas e frescas que tragam novos elementos para esse gênero. O que você diria para um garoto de 15 anos que está pensando em formar uma banda de Metal? Qual seria o seu conselho?

JR: Só seja você mesmo, mantenha seu rumo, e não de ouvidos a mais ninguém.

W (NM): Isso é ótimo, nós estamos muito ansiosos para ver o Stone Sour tocar no Brasil em breve, então quando você fizer isso, nós esperamos poder promover o show também, então muito obrigado pelo seu tempo, Josh.

JR: Legal, obrigado.

W (NM): Até mais, cara. Tchau, tchau.

 

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