Na noite de sábado, 24, o Death To All realizou o tão esperado show da Symbolic Healing Tour em São Paulo. O tributo ao Death novamente se apresentou para um Carioca Club lotado – mesmo local da performance de 2024.
A espinha dorsal do projeto conta com os ex-integrantes da banda Gene Hoglan (bateria), Steve DiGiorgio (baixo) e Bobby Koelble (guitarra). Para os vocais e a segunda guitarra, o excelente Max Phelps (ex-Cynic) honra de maneira impecável o genial Chuck Schuldiner, falecido em 2001.
Death To All tocou clássicos de diversas fases da banda
Apesar de o foco da turnê estar concentrado na comemoração dos álbuns Spiritual Healing (1990) e Symbolic (1995), o setlist de 20 músicas fez um desfile completo por todas as fases do grupo de maneira arrasadora. O público presente enlouqueceu com a sequência inicial composta por “Infernal Death”, “Living Monstrosity”, “Defensive Personalities”, Lack of Comprehension”, “Altering the Future”, “Zombie Ritual”, “Within the Mind” e “The Philosopher”. A primeira parte do repertório se encerrou com “Spiritual Healing”.
Em relação ao Symbolic, um ponto interessante foi levantado pelo baixista: o disco nunca havia sido reproduzido na íntegra em sua respectiva turnê. Quem esteve presente teve a oportunidade de ouvir as excelentes “Empty Words”, “Without Judgment”, “Misanthrope” e “Perennial Quest”. A clássica faixa-título e o hit “Crystal Mountain” também não devem ser esquecidos. É um daqueles discos que não se deve pular nenhuma música. A forte base jazzística de Koelble permitiu a criação de solos repletos de feeling, ao mesmo tempo que contam com uma grande complexidade técnica. Ele esbanjou muito carisma durante toda a apresentação.
Apresentação teve interação com o público e muita técnica
No quarteto, o responsável pela interação com o público é DiGiorgio. O também baixista do Testament arriscou palavras em português, brincou bastante, agradeceu o apoio dos fãs brasileiros e disse que vão retornar sempre que puderem. Com uma técnica invejável, ele impressiona ao tocar músicas extremamente complexas como “Spirit Crusher” com um imponente baixo fretless.
Em relação a Gene Hoglan, uma simples palavra o resume: precisão. Ao vivo, o baterista é simplesmente destruidor e a sensação é de que estamos frente a um metrônomo. Não à toa, seu apelido é “Relógio Atômico”. Seria devaneio dizer que a reencarnação de Chuck está em Max, mas a sensação mostrada é exatamente essa. O vocalista desempenha a função tão bem que, se fecharmos os olhos, é como se Schuldiner estivesse lá e não ele.
O bis contou com uma jam de “Deliverance” do Opeth. A banda sueca de metal progressivo nunca escondeu que possui o Death como uma de suas influências. O encerramento não poderia ser outro: “Pull The Plug”, um dos hits definitivos do grupo.
Atualmente, não é exagero dizer que o Death To All é a forma mais próxima de testemunharmos como seria um show do Death. No caso desta turnê, o fã pode ver um dos melhores álbuns do estilo sendo reproduzido na íntegra com dois integrantes que o gravaram – Hoglan e Koelble – no palco. Destaca-se também que cada melodia era cantada a plenos pulmões.
Uma coisa é fato: Chuck certamente estaria muito orgulhoso e feliz com a forma que celebram sua grande criação. O tributo honra uma das maiores bandas de metal da história de maneira honesta, sólida e simbólica.
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