Formado em 2013 por músicos que se conheceram na Berklee College of Music, em Boston, o Dead Poet Society construiu ao longo dos últimos anos uma identidade própria dentro do rock alternativo, combinando riffs pesados, melodias marcantes e uma abordagem experimental que se tornou uma das principais características da banda. O grupo é formado por Jack Underkofler (vocais e guitarra), Jack Collins (guitarra), Will Goodroad (bateria) e Dylan Brenner (baixo).

Depois de -!- (2021) e FISSION (2024), o Dead Poet Society se prepara para uma nova fase com Monarch, seu terceiro álbum de estúdio, que será lançado em 02 de outubro pela Spinefarm Records. Produzido por Paul Meany, conhecido por seu trabalho com Mutemath, Twenty One Pilots e Pierce The Veil, e mixado por Adam Hawkins, o disco reúne 12 faixas e explora novamente o contraste entre peso, melodia, vulnerabilidade e intensidade que acompanha a trajetória da banda.

Em entrevista ao Wikimetal, Jack Underkofler falou sobre a criação de Monarch, a evolução do Dead Poet Society ao longo dos últimos anos e a relação com os fãs ao redor do mundo. Jack também falou sobre uma possibilidade que interessa especialmente ao público brasileiro: a vontade de trazer a era Monarch para o Brasil e finalmente tocar por aqui.

Wikimetal: Você descreveu Monarch como uma tentativa de “ir mais fundo” naquilo que define o Dead Poet Society. O que vocês descobriram sobre a identidade da banda durante a criação deste álbum?

Jack Underkofler: Acho que este álbum serviu realmente para refinar a identidade da banda, mais do que para descobri-la. Ao longo do caminho, fomos assimilando coisas que fazemos e que realmente nos definem — coisas que nos movem e elementos que sempre guardamos na manga e que nos faziam pensar: “Uau”. Ou… “Isso é demais? Isso é muito estranho? Ou isso é muito diferente?” Ou então, algo que despertava em nós uma emoção peculiar que não sabíamos definir exatamente. E acho que, com este álbum, o objetivo foi realmente definir o que é isso, tentar destilar essa essência e garantir que ela transpareça da forma mais pura nas gravações. 

WM: “Miami For The Weekend” é a última faixa apresentada antes do lançamento do novo álbum, depois de “Roach”, “Sinner Systems” e “Cold”. Por que essas músicas foram escolhidas para apresentar o álbum ao público e o que elas revelam sobre o disco?

JU: Escolhemos essas músicas porque achamos que elas exibiam muitas coisas que nos empolgavam — muitos sentimentos que nos deixavam animados em relação a este álbum. E… Acho que há outras músicas tão boas quanto essas que ainda não lançamos e que sairão com o álbum completo. Não foi uma questão de escolher músicas apenas para… Sabe, vejo muitos álbuns em que lançam as melhores faixas como singles e, quando o álbum inteiro sai, ele acaba ficando em segundo plano. Mas, neste caso, há muitas músicas aqui pelas quais estou muito, muito, muito empolgado e que ainda não foram lançadas. Mas aquelas músicas em particular simplesmente mostraram onde estávamos e onde estamos agora.

WM: O disco explora bastante o contraste entre peso e melodia, vulnerabilidade e intensidade. Vocês buscaram esse equilíbrio conscientemente ou ele surgiu naturalmente durante o processo de composição?

JU: Isso meio que acontece naturalmente com a gente. Uma vez alguém disse que éramos a banda “mais pesada sem ser pesada” que já tinha ouvido. E acho que essa é uma boa definição para nós: é como se nunca pendêssemos demais para um lado só, porque isso pode acabar virando um clichê. Você não quer colocar coisas nas músicas só porque são “legais”. Você quer ver o que a emoção pede. Nós não gostamos de focar excessivamente em uma coisa só; gostamos de usar sons como ferramentas, e não como blocos definidores do tipo “é isso que esse gênero faz”. 

Relação com o público brasileiro e possível show no país

WM: O Dead Poet Society já construiu uma base de fãs em diferentes partes do mundo. Como vocês enxergam o Brasil dentro desse cenário?

JU: Eu os vejo como todos os nossos fãs. Eles… é algo muito legal poder escrever algo no seu quarto ou no estúdio, falando sobre como você se sente ou algo que está acontecendo na sua vida, e depois ver alguém lá no Brasil dizendo: “Eu sinto a mesma coisa”. É uma experiência tão profunda, algo muito, muito humano e abrangente — e até reconfortante — saber que, não importa onde você esteja no mundo, existem pessoas que sentem a mesma coisa que você. A gente chama isso de “base de fãs”. Mas acho que… quer dizer, acho que “base de fãs” é uma forma meio mecânica de descrever isso. É só o termo que acabamos adotando. Mas é uma experiência legal, é muito massa ter fãs aí no Brasil. É divertido! 

WM: Existe a possibilidade de trazer a era Monarch para shows por aqui? O que vocês esperam do público brasileiro?

JU: Existe uma chance. Existe a possibilidade… Ainda estamos tentando encontrar uma maneira de ir, mas estamos trabalhando nisso e um dia dará certo. Na verdade, não tenho expectativas específicas. Apenas venham e divirtam-se. Minha expectativa é essa: que vocês estejam lá. E, se fizermos um show bacana, espero que vocês se divirtam.

WM: Desde -!- e FISSION até Monarch, muita coisa mudou para o Dead Poet Society. Se vocês pudessem conversar com a banda no início da carreira, que conselho dariam para aqueles quatro músicos?

JU: Não pensem demais. Tentem tirar o excesso de racionalização da música. Apenas ouçam a intuição de vocês; se sentirem tédio, trabalhem nisso e tornem essa parte da música mais empolgante. Se não sentirem uma conexão real com algo, trabalhem mais nisso ou descartem e tentem uma ideia nova. Tentem não pensar demais nas coisas, porque pensar demais pode fazer vocês ignorarem a intuição. Vocês podem acabar se convencendo de que algo é bom quando não é, ou de que sentem algo quando não sentem. É isso.

WM: Você pode deixar uma mensagem para os fãs brasileiros?

JU: Obrigado por tudo. Obrigado por nos ouvirem. Acho incrível que vocês sintam o que nós sentimos, e espero que um dia possamos compartilhar isso pessoalmente.

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Atual Editora do Wikimetal. Jornalista e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo). Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento. Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos - [email protected]