Angela Gossow, ex-vocalista e atual empresária do Arch Enemy, contou como Lauren Hart foi parar no posto deixado por Alissa White-Gluz. Vinda do Once Human, Lauren estreou na banda em março de 2026, e o convite começou com um pedido simples: gravar um cover.

As duas participaram do podcast She’s With The Band, do Knotfest, apresentado por Tori Kravitz. Além da escolha da nova vocalista, a conversa passou pelas semelhanças entre elas, pela visão de turnê e pelo futuro do Arch Enemy, com direito a indícios de um novo álbum [via Blabbermouth].

Gossow acompanha Lauren desde os dois primeiros discos do Once Human. O que chamou a atenção foi a quantidade de comparações entre as duas, além da energia da cantora no palco. Lauren também havia dito em entrevista que Wages Of Sin (2001) a inspirou a fazer vocais guturais, e isso apareceu no feed de Angela.

Com o Once Human parado, as duas começaram a trocar mensagens. Angela chegou a sugerir que Lauren montasse algo entre Arch Enemy, Dimmu Borgir e Machine Head, vocalmente falando. A ideia, na época, era usar a experiência de empresária para formar um grupo novo com ela, e não trocar ninguém. Segundo Gossow, vocalista de banda vira ícone e não se substitui assim, do nada.

Um teste com cover de “Ravenous”

Até que um dia Angela pediu a Lauren um cover de Arch Enemy, só para “testar as águas”. “Ela nem sabia do que se tratava”, contou. Lauren achou que fosse para um projeto paralelo, já que Gossow tinha curtido o cover de Dimmu Borgir que ela fizera. Escolheu “Ravenous”, sua favorita. “Foi a música que me fez gritar quando eu tinha 15, 16 anos”, lembrou.

Lauren conta que, apesar de o Arch Enemy ter sido o motivo de ela começar a gritar, nunca quis mexer nas músicas da banda. Para ela, eram intocáveis, com “status de deus”. Quando finalmente gravou “Ravenous”, sentiu que a música já fazia parte dela. Segundo Lauren, Angela chegou a dizer que gritar é muito terapêutico

Para Gossow, o que pesou foi a atitude de Lauren. “Se alguém vai lá e faz, tem muita coragem. É disso que você precisa”, disse. Também contou a experiência de turnê da cantora. Tudo aconteceu rápido: o Arch Enemy ficou sem vocalista em dezembro de 2025 e queria continuar na estrada. De cabeça, Angela só lembrava de três nomes para convidar.

A história lembra a da própria Gossow. Ela também gravou uma faixa de Wages Of Sin, “Enemy Within”, como teste, e só depois a banda pediu o resto do disco. Era seu primeiro estúdio, e ainda com Fredrik Nordström, que tinha acabado de produzir o álbum do Dimmu Borgir. “Foi o meu momento no metal”, comparou.

Estreia em Pequim e recepção dos fãs

Lauren fez o primeiro show com o Arch Enemy em 27 de março de 2026, em Pequim, na China. À Metal Hammer alemã, disse que foi um sonho realizado e o começo de um futuro novo. Também contou que a criança que amava Wages Of Sin apareceu ali, mas que estava tão no momento que quase nada disso passou pela cabeça.

Sobre a reação do público, ela confessou que esperava ter que “merecer” o lugar, por ser difícil aceitar mudanças numa banda. Mas o acolhimento foi imediato. “Fiquei muito feliz e um pouco surpresa”, disse.

Lauren ouviu o Arch Enemy pela primeira vez quando Wages Of Sin saiu, na casa de amigos guitarristas. Elogiou o vocalista, e eles responderam que era uma mulher. “Eu não fazia ideia de que mulher podia gritar”, relembrou. Foi assim que começou a gritar também.

Gossow ficou 13 anos como vocalista do Arch Enemy e anunciou a aposentadoria dos vocais em 2014, passando o bastão para Alissa White-Gluz, que gravou quatro álbuns com a banda, de War Eternal (2014) a Blood Dynasty (2025). Angela seguiu como empresária. A formação atual do Arch Enemy tem Lauren Hart (vocal), Michael Amott e Joey Concepcion (guitarras), Sharlee D’Angelo (baixo) e Daniel Erlandsson (bateria).

Confira a entrevista completa:

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