Anders Colsefni, vocalista original e fundador do Slipknot, em uma entrevista recente ao podcast Minnesota Music Note com Will McLeod, falou sobre a complexa história por trás de Mate. Feed. Kill. Repeat., os desafios de reviver o repertório ao vivo e a frustração com o lançamento de uma versão modificada do álbum em 2024.
Ao voltar aos palcos recentemente, o músico se deparou com novos desafios. Composto em um porão minúsculo e abafado no centro de Des Moines, o material que deu origem ao primeiro trabalho do grupo exigiu um esforço de Colsefni para retornar às apresentações.
O músico revelou que precisou resgatar letras perdidas e reconstruir seu condicionamento físico para aguentar a exigência dinâmica dos shows. Apesar de a indústria musical classificar formalmente o projeto como uma demo por preceder a assinatura com a gravadora, Colsefni defende o peso de Mate. Feed. Kill. Repeat. como um álbum completo, devido ao tempo e investimento dedicados.
Entre as faixas que continuam arrancando forte reação do público nos shows comemorativos estão músicas como “Slipknot”, “Gently”, “Do Nothing”, “Bitchslap” e épicas sessões estendidas de “Killers Are Quiet”.
Mesmo com os desafios, o músico comentou: “É incrível. Levei um tempinho. Tive que pesquisar algumas das minhas letras… E, meu Deus, eu não me lembrava de como era difícil fazer tudo isso. Tocar bateria, gritar, berrar, cantar, fazer rap, rosnar mais um pouco, cantar mais um pouco, tocar bateria, barris de cerveja, tentar desviar de alguma coisa que voava na minha cabeça vinda do Palhaço do outro lado do palco, coisas assim. Eu realmente tive que me esforçar para manter meu velho traseiro em forma para fazer isso” (via Blabbermouth).
Anders Colsefni relembra entrada de Corey Taylor e regravações
Abordando a transição que moldaria o sucesso da banda, Colsefni diz que, após o envio do material original para a Roadrunner Records, a gravadora buscou uma sonoridade mais concisa e direcionada ao rádio.
A inclusão de Corey Taylor ocorreu enquanto Colsefni passava um fim de semana com a família fora da cidade. Ao retornar, foi convencido de que a mudança funcionaria melhor para o futuro comercial do grupo. Longe de guardar rancor, o músico reconhece que aceitou seu papel na história.
“Convidaram [Corey Taylor] para gravar os vocais por cima dos meus ou com os meus. E, quando voltei, me convenceram dizendo: ‘Ei, isso vai funcionar melhor. Você vai fazer os vocais de apoio e ele vai fazer os vocais principais, porque precisamos de um vocalista principal. E eu concordei com isso. Eles precisavam de alguém na frente com um microfone que não estivesse batendo em outra coisa. Então, na verdade, as músicas do Crowz [EP que nunca foi lançado oficialmente] eram minhas primeiro, e depois eles chamaram o Corey para regravá-las, e então venderam para a Roadrunner para que eles pudessem conseguir o contrato com a gravadora. E não me arrependo de nada”, confessou ele.
No entanto, o músico compreendeu que o perfil de vocalista de death metal tradicional que possuía não alcançaria o mesmo apelo radiofônico que permitiu ao Slipknot alcançar o estrelato global.
A princípio, o ponto mais tenso da entrevista diz respeito à versão revisada de Mate. Feed. Kill. Repeat. lançada em 2024 em parceria com a banda neozelandesa Kaosis. Contudo, ele classificou o projeto como uma falha grave de comunicação e uma representação ruim do material original.
O artista afirmou que havia concordado em gravar seus vocais sobre uma estrutura predefinida, sob a premissa de que músicos reais executariam os instrumentos ao vivo. No entanto, decisões comerciais visando o lucro resultaram em um produto inteiramente digitalizado por computadores.
Porém, diante da repercussão negativa e de fãs confundindo a autoria da escolha, Colsefni veio a público desautorizar a audição dessa versão nas plataformas digitais e orientou o público a buscar as gravações legítimas de 1996 no YouTube.
Atualmente, o sucesso da turnê comemorativa na Austrália e na Nova Zelândia reativou sua vontade de compor. O músico criou o chamado “Comitê MFKR”, formado por profissionais dedicados a gerenciar os rumos legais e artísticos do material clássico. Em paralelo, ele retomou as atividades com sua antiga banda, Painface, lançando novos singles.
Confira a participação de Anders Colsefni no podcast Minnesota Music Note:
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