Aconteceu, nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o Bangers Open Air 2026. Em sua quarta edição, o festival se consolidou ainda mais como o principal ponto de encontro para os amantes da música pesada no Brasil e já está confirmado para 2027

Além dos headliners Arch Enemy e Angra, o evento contou com apresentações de grandes nomes do rock e do metal. O Wikimetal esteve presente nos dois dias de festival e montou uma lista especial com os shows de destaque da edição. 

Sábado

Lucifer

Sob um forte sol no Sun Stage, a alemã Johanna Sadonis abriu a programação do palco para um grande público que aguardava ansiosamente pela performance de sua banda no festival, apesar do horário cedo. 

Lucifer entregou um doom metal de altíssima qualidade e fez um dos melhores shows do dia, mesmo enfrentando o calor, cujo desgaste era possível de notar nos demais integrantes da banda, e a proposta da performance poderia funcionar melhor caso acontecesse no final da tarde. Apesar disso, o público engajou bastante e a banda entregou uma performance extremamente competente, reforçando seu status como um dos nomes mais interessantes do estilo na atualidade.  

Confira as fotos de John Alves:

Jinjer

Com um dos shows mais esperados do dia, os ucranianos entregaram completamente o que uma fã de metal moderno gosta: o equilíbrio perfeito entre o extremo, progressivo e melódico. A forma como o quarteto se impõe no palco impressiona, especialmente pela maneira como a vocalista Tatiana Shmayluk equilibra sua voz limpa juntamente com o gutural e o baixista Eugene Kostyuk toca suas notas com tamanha facilidade. 

Jinjer dispensa apresentações e fez um show digno de um possível headliner em edições futuras e com sua frontwoman, sabe balancear perfeitamente entre a beleza e a brutalidade do metal. 

Confira as fotos de John Alves:

Killswitch Engage 

Grande expoente do metalcore, o grupo norte-americano realizou sua primeira apresentação do ano no festival como forma de promover This Consequence, seu trabalho mais recente, lançado no ano passado, além de incluir em seu repertório um desfile de hits como “This Fire”, “Arms of Sorrow”, “In Due Time”, “My Curse”, dentre outras. 

O show foi explosivo, repleto de mosh pits e ainda contou com um momento marcante para os fãs: o vocalista Jesse Leach desceu para cantar “My Last Serenade” com quem estava na grade, e depois, como um verdadeiro Homem Aranha, retornou ao palco subindo as caixas de som. O carisma da banda ainda é completado com o guitarrista Adam Dutkiewicz, seu visual excêntrico e solos repletos de melodias estridentes.  

Black Label Society 

Outro destaque do dia fica para o guitarrista Zakk Wylde e sua Black Label Society, que veio ao Brasil após quatro anos para promover o mais recente trabalho Enginesof Demolition, lançado em março. No palco, Zakk comanda como um líder nato, repleto de atitude, vocais poderosos, riffs imponentes e solos que justificam exatamente o motivo dele ser um dos maiores guitarristas da história e mantém o espírito do metal vivo.

Com um dos maiores públicos do dia, Zakk emocionou os fãs ao fazer homenagens para Dimebag Darrell e Vinnie Paul em “In This River” e na tão aguardada performance de “Ozzy’s Song”, música feita para seu maior ídolo e amigo, que era ninguém menos que Ozzy Osbourne. A reta final do show ficou com a imagem do Príncipe das Trevas nos telões até o hit “Stillborn” ser tocado e encerrar a performance. 

Confira as fotos de John Alves:

Arch Enemy

A banda sueca de death metal melódico entrou no line-up após o cancelamento do Twisted Sister, e o contexto para sua vinda ao festival não poderia ser melhor: a tão aguardada estreia da nova vocalista, Lauren Hart, em terras brasileiras.

setlist passeou por todas as fases do grupo, resgatando até mesmo clássicos da era Johan Liiva, como “Bury Me An Angel”, que levou os fãs de longa data à loucura, e cuja mesma reação também aconteceu na imponente nova faixa “To The Last Breath”. Escalado para o Bangers Open Air 2026 com a árdua missão de substituir um nome histórico, o Arch Enemy provou o porquê de ser headliner dos principais eventos europeus e um dos gigantes do seu gênero, confirmando que a sua convocação para esta edição foi um acerto absoluto.

Com um show poderoso, o grupo sueco dá início a uma nova fase acompanhado de uma vocalista carismática e técnica, que honra o legado de suas antecessoras e captura perfeitamente a essência da banda e prestes a lançar um álbum que terá o bom e velho “pure fucking metal”.

Domingo

Nevermore

Nevermore fez seu primeiro show no Brasil desde 2007 e seu retorno contou com a estreia da nova formação no país. O novo vocalista Berzan Önen impressionou não apenas por seu timbre familiar ao do saudoso Warrel Dane, mas também por conta de sua impressionante forma física.

A performance ficou marcada pelo ótimo entrosamento de palco que Önen, Jack Cattoi (guitarra) e Semir Özerkan (baixo) já construíram em tão pouco tempo com os membros fundadores Jeff Loomis (guitarra) e Van Williams (bateria). Sob forte ovação, o quinteto conquistou o público do Bangers Open Air 2026 com uma apresentação impecável e deixou um gosto do que será sua nova formação

Confira as fotos de Marcela Lorenzetti:

Smith/Kotzen

Estreante no Brasil, o projeto Smith/Kotzen permitiu aos fãs a possibilidade de ver dois grandes guitarristas de forma mais intimista: Adrian Smith, que está acostumado com os públicos do Iron Maiden e Richie Kotzen com seu currículo invejável tanto em bandas como artista solo. Com uma mistura de Blues, Hard Rock e até mesmo metal, a dupla trouxe uma apresentação elegante e repleta de técnica.  

Ao vivo, a dupla Bruno Valverde (bateria) e Julia Lage (baixo) se encaixou perfeitamente com os músicos, trazendo uma “cozinha” sólida para o show e repleta de carisma vindo por parte de ambos, e com Júlia se movimentando por todos os cantos do palco esbanjando sorriso e simpatia genuína em poder performar em seu país. Para o final do show – que teve cortes devido ao tempo – o final não poderia ser diferente com Adrian tocando sua obra prima “Wasted Years”, e fazendo o público cantá-la a plenos pulmões.

Confira as fotos de Marcela Lorenzetti: 

Within Temptation

Co-headliner do dia, o Within Temptation arrastou novamente uma legião de fãs ao festival, em um retorno rápido ao Brasil apenas dois anos após sua última apresentação no mesmo evento,, quando ele ainda se chamava Summer Breeze Brasil.

Sharon Den Adel mais uma vez brilhou ao mostrar seus vocais extremamente afinados e vestir um vestido branco que deixou o público boquiaberto, dada a sua elegância. Em apenas 1h15 de show, o grupo mesclou faixas do trabalho mais recente, Bleed Out, juntamente com hits indispensáveis como “Faster”, “In The Middle of The Night” e “Mother Earth”. Mesmo com a duração curta, os veteranos entregaram uma performance sólida, e que entra não apenas como destaque do dia, mas do Bangers Open Air 2026 em si.

Confira as fotos de Marcela Lorenzetti:

Angra

Em um espetáculo de três atos, o grupo celebrou seus trinta e cinco anos de carreira onde passou por todas as eras de sua história, um conceito criado para o evento e que se repetirá novamente com o side show que acontecerá nesta quarta-feira, 29, no Espaço Unimed e sem a presença do italiano Fábio Lione – que fez sua apresentação como vocalista da banda no festival. 

Contudo, a expectativa dos fãs se via sob a chama de cinco nomes: Rafael BittencourtKiko LoureiroEdu FalaschiAquiles Priester e Felipe Andreoli, a tão celebrada formação Nova Era e que se reuniria novamente pela primeira vez desde 2007.

O quinteto tocou músicas de todos os álbuns gravados durante o período em que estiveram juntos, e impressionou pela química musical que ainda existe ali, apesar de tanto tempo afastados. De todos, vale destaque para Falaschi, pois apesar de suas  conhecidas limitações vocais, o cantor performou muito bem e, claramente, dava para notar o quão feliz ele estava por enfim realizar aquele momento.

O show de reunião do Angra no Bangers Open Air 2026 entra, com certeza, para a lista dos momentos mais importantes da história do metal nacional, e deixa uma sensação de futuro aberto para quem sabe uma formação ao estilo Helloween se torne real, mas apenas o tempo nos dirá se isso vai acontecer. 

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Estudante de Jornalismo e fã de Rock e principalmente Heavy Metal, gosta de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Seu primeiro contato com a música pesada veio ao jogar Guitar Hero e de lá nunca mais parou. Sempre gostou de escrever e tem a música como uma de suas paixões. Dentro do meio, tem Steve Harris, Bruce Dickinson, Rob Halford e Ozzy Osbourne como seus ídolos.