Entre shows e ensaios para o novo álbum, o guitarrista conversou com o Wikimetal sobre o sucesso do Sepultura

É quase impossível desvincular o nome Andreas Kisser do Sepultura, uma das maiores bandas de heavy metal atualmente. Mas isso não parece incomodar o guitarrista que desde que se mudou de São Bernardo para Belo Horizonte em 1987 trabalha incansavelmente para manter e expandir o nome e sucesso da banda.

Dias antes de sua apresentação no Curitiba Motorcycles, que acontece esse sábado, 09, no Live Curitiba, conversei com Andreas sobre os 35 anos de Sepultura, a situação atual do heavy metal e o novo disco da banda. Orgulhoso do sucesso que conquistou durante todos esses anos e animado com projetos futuros, o guitarrista atribui essas vitórias ao amor à música que une os integrantes da banda. Hoje, Kisser é acompanhado de Paulo Xisto, Derrick Green e Eloy Casagrande, grandes músicos e profissionais, mas nem sempre foi assim.

Por muito tempo, a história do Sepultura foi associada a brigas e desentendimentos entre os integrantes, especialmente quando Iggor e Max Cavalera ainda integravam o lineup do grupo brasileiro. “Tenho orgulho de ter uma história tão rica, de depois de 35 anos ainda estar aqui e ter a chance de continuar fazendo discos e turnês”, conta o guitarrista, “Acho que sucesso é isso”.

E se hoje a estrutura do grupo é baseada em profissionalismo, respeito e amizade, o sucesso definitivamente reflete isso. Com 14 álbuns de estúdio no repertório, sendo o último Machine Messiah (2017), o Sepultura ainda tem planos de continuar na estrada e nos estúdios, sem previsão de folga. “Já mandei algumas coisas para a banda, já recebi bastante coisa também. Essa semana já vamos nos encontrar na sala de ensaio e começar o processo. A ideia é entrar em estúdio em agosto ou setembro.”

Andreas revela que o plano é replicar o processo do último disco: eles voltarão para a Suécia com o produtor Jens Bogren. “Deu muito certo, a química entre o produtor e a banda foi demais”, ele confessa. 2019 acontecerá praticamente dentro do estúdio para os caras do Sepultura e o grande show do ano acontecerá em terras brasileiras no Rock in Rio, dia 4 de outubro. “Estamos preparando algumas novidades para esse dia, além do show”, Andreas diz que não pode revelar muita coisa, mas antecipa que os fãs poderão ouvir a primeira inédita do novo disco, que já tem nome e tema, algo frequente no trabalho da banda.

Uma das características mais marcantes da banda é a presença de um conceito que amarra todas as faixas do disco com a arte, o nome e até mesmo o merchandising da banda. Nos discos Dante XXI (2006) e A-Lex (2009), os temas são mais evidentes, um é inspirado na obra A Divina Comédia e o outro em Laranja Mecânica. “A gente determina o tema primeiro porque ajuda a direcionar todas as ideias de riffs e letra”, conta o guitarrista quando questiono sobre o processo criativo do grupo. Ele conta que desde Dante XXI, eles sentem que criar a partir de um tema pré-determinado se tornou essencial para manter uma unidade em tudo aquilo que produzem. “A gente já tem tudo isso pro disco novo, mas já temos o nome e o conceito que envolve o disco, já temos a ideia que vai inspirar a arte da capa e eventualmente toda a parte visual da turnê.”

Com Derrick de volta a Los Angeles, nos Estados Unidos, o grupo tem trabalhado as ideias para o novo disco via internet. “A tecnologia ajudou demais no nosso processo”, ele conta, “A gente não precisa mais estar juntos sempre em uma sala de ensaio para produzir música, para fazer as coisas acontecem (…) Hoje conseguimos trabalhar cada um em sua casa e mandar as ideias para os outros membros da banda. Assim chegamos nos ensaios com bastante coisa adiantada.” Apesar de se beneficiar com a rapidez e praticidade da tecnologia, Andreas revela que muito do que a banda faz, ainda é no estilo vintage, “Tentamos usar o melhor dos dois mundos”, ele diz.

Entre shows nos quatro cantos do mundo, trabalhar em um novo disco, cuidar da família e ainda reservar um tempo para conversar com a gente, Andreas se mantém ocupado. Além disso tudo, o guitarrista apresenta o programa Pegadas com Andreas Kisser na rádio 89FM. “Faço o programa com o meu filho Yohan e tem muita música brasileira diferente, gente fazendo um som mais pesado ou mais thrash, muita mulher participando, muita coisa tá rolando aqui no Brasil.”

A paixão do guitarrista pela música é inegável. Ele acredita na força no heavy metal, “É o estilo mais popular do mundo”, ele diz animado. ”O metal sempre vai ser underground, uma coisa mais de família, que é passado de geração para geração. O rock e o metal estão mais vivos do que nunca!”

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