Se hoje o Turnstile deixou de ser promessa para virar realidade, muito disso passa por sua ascensão recente. Formada em Baltimore, a banda explodiu com Glow On (2021), disco que expandiu o hardcore para territórios mais melódicos e acessíveis, e consolidou o movimento com Never Enough (2025). O álbum não só ampliou o alcance do grupo como também rendeu o Grammy de Melhor Álbum de Rock em 2026 – além de Melhor Performance de Metal com o single “Birds” – um feito que colocou o Turnstile no centro do rock contemporâneo.
No último domingo, 22, no Lollapalooza Brasil 2026, sua primeira vinda ao país após ganhar destaque, essa ascensão virou espetáculo ao vivo e literalmente provou por que a banda mereceu o Grammy de melhor performance. A única banda de rock desta edição a se apresentar no palco principal fez jus à oportunidade e mostrou que realmente são a nova sensação do hardcore. Desde os primeiros segundos, o que se viu foi uma explosão coletiva.
Turnstile promoveu um momento catártico que não se via no festival há anos, com rodas se abrindo por todos os lados, sinalizadores acesos e um público que parecia esperar exatamente por aquele momento para perder o controle – fato que gerou reclamações do público que aguardava a atração principal, Tyler, The Creator. Fãs do rapper reclamaram nas redes sociais por conta do mosh: “Quem foi que teve a bela ideia de colar o turnstile antes do Tyler, véi? A galera sendo praticamente esmagada porque o pessoal não sabe curtir show igual gente, as músicas são incríveis, mas os fãs são animais, namoral”, disse um internauta na rede social X.
Mesmo sem o maior público do festival – sim, estava praticamente vazio se comparado com os shows anteriores no mesmo palco -, o show rapidamente se tornou um dos mais intensos, um caos onde cada música empurrava a multidão para um nível acima de energia. E, ao contrário do que aconteceu com Deftones, Turnstile trouxe o rock para a nova geração, com fãs jovens que conhecem todas as músicas e já foram preparados para o mosh, proporcionando um dos momentos mais lindos do festival e para a cena hardcore.
A força do Turnstile está justamente nessa conexão física com a plateia. Sem discursos longos, a banda se comunica na base dos riffs, dinâmica e presença. O resultado foi um set catártico, sustentado por faixas como “Holiday”, “Blackout” e “Birds”, que transformaram Interlagos em um grande mosh contínuo. No fim, com stage diving do vocalista Brendan Yates e uma sensação coletiva de exaustão e euforia, ficou claro que poucas bandas hoje conseguem traduzir tão bem o espírito do hardcore para um palco exclusivo do maisntream, dando visibilidade a uma estilo que é do underground.
Confira fotos exclusivas da nossa colaboradora Marcela Lorenzetti:
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