Aos milhares e milhares de leitores que sequer pregaram o olho a noite passada, aguardando minhas impressões sobre o primeiro dia da segunda e última semana de Rock in Rio, já aviso que este será um relato mais curto que o de costume. O motivo? São 5h17 da manhã de sexta-feira, dia 9 de setembro, e apenas agora, de volta ao lar temporário dessa semana (um deveras agradável apartamento em Ipanema, pertinho do mar) sento-me para escrever estas sintéticas linhas antes que Morfeu se apodere completamente de minhas pálpebras e tudo esteja perdido. Em poucas horas estaremos de volta à Cidade do Rock para nossa última aventura no mega festival e meu relato sobre o dia que passou precisa ganhar o mundo antes disso.

Alguns leitores atentos podem estar curiosos sobre a razão pela qual demorei tanto a me encontrar de volta ao “lar” e pronto para escrever estes parágrafos. À estes eu digo: não nos adiantemos! Proponho que comecemos do começo e sigamos. Em algum momento tudo será respondido e este texto terá terminado antes que você perceba.

O começo, neste caso, seria o primeiro show do dia do Palco Sunset, o principal depois do Palco Mundo. Quando Duda Beat, entrou em cena com seu figurino preto, coberto de spikes, por um momento me bateu aquele dejà vu do Dia do Metal, na semana passada, mas a sofrência pop da pernambucana, cantada em coro, a plenos pulmões pelos presentes e debaixo do sol escaldante, logo me despertou do delírio. Só que daí foi a vez do dejà vu número dois.

Como em vários shows da semana passada, o povo mandando o presidente para aquele lugar e desta vez até dobrando a aposta e acrescentando uns “lulalá” no bolo. Gloria Groove fez depois, no mesmo palco, um show forte, com muita dança, acompanhada de banda, quarteto de cordas e com um aceno para o rock que encaixou bonito no conjunto. Como no show de Duda Beat, com Gloria também o povo cantou em coro e em peso. Essa aliás seria uma constante do dia, muita participação do público, muita gente com a letra na ponta da língua.

Assim foi também no show da banda Francisco el Hombre, no palco Supernova, que promoveu um senhor de um carnaval em meio ao Rock in Rio. E só pra voltar brevemente à outra de nossas constantes entre as atrações nacionais, o tema político, o show da Francisco el Hombre começou com bandeira do MST hasteada e coro puxado e atendido prontamente pelos presentes de “Pulando, pulando! Quem não pula é miliciano!”. Show bonito, energia boa, público que parecia que tava em casa.

Sobre os gringos do dia, não dá pra dizer que estejam muito por dentro da nossa política, mas apesar de nem tudo ser rosas (ou muito pouca coisa ser), tudo que eu tive chance de ver foi bom por uma ou outra razão.

The Offspring, no palco principal, teve os clássicos e show cheio de energia e bem executado. Ponto negativo para as imagens dos músicos nos telões com muitos efeitos e animações por cima, dando uma bela comprometida na chance de quem está longe do palco de conseguir vê-los melhor. Sei lá, deve ter algo a ver com vaidade.

Jessie J pareceu ter trazido o sol de volta quando entrou no palco Sunset, já às 21:15, não só ao brilhar metaforicamente, por conta da potência e habilidade vocal e do tempo que dedicou à conversar com o público entre as músicas mas também ao brilhar literalmente, por conta do belo figurino de escamas douradas. E me perdoem os leitores que entendem de figurino se o nome daquilo não for “escamas douradas”.

O melhor show da noite, na minha humilde opinião, foi dos italianos da Måneskin. Energia invejável, carisma absurdo, Oscar de melhor uso do palco por uma banda coadjuvante! Também ganhariam se houvesse algum prêmio por se jogar na galera sem um pingo de medo de ser feliz (ou de ser esfaqueado), principalmente a baixista Victoria De Angelis. Uma visão aquela menina se atirando no povo e rindo como se alguém estivesse lhe fazendo cócegas.

Além disso, não é que eles tem umas músicas boas mesmo? É certo que alguns puristas do rock torcerão o nariz para a vocação pop e a maneira como eles usam e abusam de alguns clichês do hard rock no palco. Da minha parte, é a segunda vez que tenho a oportunidade de vê-los ao vivo e confesso que (não sem superar uma desconfiança inicial) me vi obrigado a lhes ceder um espaço no meu coração.

A homenagem ao Queen com a execução de “Love of My Life”, tão importante na história do Rock in Rio me pareceu bem honesta, mas não duvido que muita gente sem coração ache uma bosta. De qualquer forma acho que Måneskin tem tudo a ver com o Rock in Rio. No mínimo tem que levar o troféu de show que mais combinou com pessoas voando de tirolesa na frente do palco nessa edição. E isso também é um elogio, só pra esclarecer!

Agora, meu querido leitor é chegado finalmente o momento de revelar a razão de meu tão prolongado sofrer, ainda escrevendo, enquanto pela janela ouço a vida começar uma vez mais no Rio de Janeiro. A resposta é bem simples na verdade. Fui criança nos anos 80 e adolescente no início dos 90 e Guns N’ Roses foi uma das bandas que significou algo para mim naquela época.

Ninguém me exigiu que permanecesse até o fim do show no Palco Mundo, mas meu eu de 30 anos atrás sentiu que era necessário e como Axl Rose e companhia fizeram um show de quase 3 horas, isso bagunçou um pouco o cronograma. O fato do nosso transporte desta semana, viagem de Uber + viagem de shuttle especial da imprensa, ter se revelado uma péssima escolha (por motivos de lerdeza absurda) elevou exponencialmente o fator bagunça no cronograma e o resultado foi um sacrifício desumano do meu almejado descanso.

Bem, já mencionei em um dos parágrafo anteriores qual achei o melhor show da noite e mantenho minha posição mas acho que alguns pontos sobre o Guns merecem ser apontados. Em primeiro lugar, as críticas à falta de fôlego e capacidade para os agudos de Axl Rose já vem de tempos mas não são infundadas. É claro que ele não soa como nos anos 80. Mas me alegro em dizer que com mais frequência do que eu esperava, sua voz deu as caras sim. Também acho que ele merece nota onze apenas pelo esforço, que é real.

Para manter o barco seguindo, Axl faz várias pausas, quando aproveita pra renovar o figurino e provavelmente gargarejar alguma mistura milagrosa enquanto a banda e principalmente Slash seguram o show. Aliás, outro dos pontos que já tardei em mencionar é que o icônico guitarrista e demais integrantes da banda seguem mandando muito bem.

Por um momento, durante a execução de “You Could Be Mine” voltei no tempo e achei que estava naquele clipe em que o Terminator do Schwarzenegger vem abrindo caminho no meio da multidão em um show do Guns, mas era só um inexplicável cara vestido de Batman mesmo. Até agora não entendi aquilo. Foi uma chuva de clássicos e uma saraivada de solos do Slash e entre mortos e feridos, deixei a Cidade do Rock exausto mas satisfeito.

Seguirei fazendo vista grossa para a capacidade vocal diminuída de Mr. Rose mas principalmente para o fato de que suas trocas de figurino não incluíram nenhuma bermuda de lycra. Mentira, agradeço que nada assim faça parte do guarda roupa.

Logo mais estaremos a caminho da Cidade do Rock uma última vez nesta edição. Se o transporte escolhido tiver acentos vagos, irei dormindo até lá.

Confira fotos exclusivas do Dia do Rock do Rock in Rio 2022 feitas por Rafael Beck:

Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Corinne Bailey Rae no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Duda Beat no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Francisco El Hombre no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
Maneskin no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
StormSons no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
The Offspring no Rock in Rio 2022. Crédito: Rafael Beck
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