Pensar na frase “O Megadeth vai lançar seu álbum final” soa assustador, mas faz sentido até certo ponto. Após enfrentar diversos problemas físicos e de saúde nos últimos anos – incluindo um câncer de garganta que foi curado em 2020 -, Dave Mustaine optou por dar fim à sua banda. Mas conhecendo a personalidade do guitarrista, todos sabemos que ele jamais terminaria sem fazer barulho. 

Com lançamento para 23 de janeiro, Megadeth faz um apanhado geral das quatro décadas de existência do grupo e se caracteriza por um som mais balanceado. Destaca-se também que é o primeiro – e possível último – lançamento a contar com o guitarrista Teemu Mäntysaari, escolhido por Kiko Loureiro para lhe substituir.  

Em relação aos singles lançados, “Tipping Point” e “Let There Be Shred” são faixas que poderão marcar presença na This Was Our Life Tour. Ambas contam com riffs extremamente pesados e uma troca de solos poderosos da dupla Mustaine e Mäntysaari, trazendo fortes lembranças do icônico Rust in Peace (1990), especialmente na segunda música. “I Don’t Care” também se destaca por sua clara influência do punk/rock dos anos 70.

Já “Puppet Parade”, último single lançado, com certeza ativará a curiosidade do fã. Os segundos iniciais da música trazem uma sensação de “já ouvi isso antes”. E sim, nota-se uma grande semelhança com o disco Cryptic Writings (1997), em especial a faixa “Almost Honest”. 

“Hey, God?!” traz um tom introspectivo e um relato em primeira pessoa de Dave – que é cristão – conversando com Deus sobre suas inseguranças. Por conta de sua melodia, a música certamente entraria na tracklist do clássico Countdown To Extinction (1992). O disco também possui faixas mais cadenciadas e que quebram o ritmo acelerado do início, em especial “Another Bad Day” e “ I Am War”. Nessas duas em questão, percebe-se ideias extraídas de Th1rt3en (2011), Super Collider (2013) e United Abominations (2007).

Megadeth encerra álbum com tom melancólico e forte frase de Dave Mustaine

Para a reta final, o novo álbum do Megadeth segue com “Obey The Call”, cuja introdução remete diretamente ao hit “Trust”, e “Made To Kill”, que conta com uma das aberturas mais velozes de todo o álbum e possui refrão semelhante às composições de Dystopia (2016). Fechando, temos a melancólica “The Last Note”. Com um tom lírico triste, o disco se encerra com a seguinte frase dita por Mustaine: “Cheguei. Eu comandei. Agora, eu desapareço.”

“Ride The Lightning” fecha capitulo de forma histórica e simbólica

A principal curiosidade dos fãs certamente está na faixa bônus: a tão aguardada versão de “Ride The Lightning” do Metallica, da qual Dave é co-autor. A justificativa dada por ele para a regravação foi para marcar “um fechamento de ciclo”. Em grande parte, a música não conta com mudanças drásticas. A principal delas talvez esteja no tom vocal de Mustaine, menos rasgado do que o de James Hetfield. É um tributo não apenas à carreira dele, sua ex-banda, mas principalmente ao estilo musical que ele ajudou a criar e se popularizar. Em relação a velocidade, a faixa está um pouco mais rápida que a original.

De modo geral, Megadeth não traz novos elementos, mas usa de recursos já consolidados para criar uma narrativa final. Mesmo não sendo tão direto como seu antecessor The Sick, The Dying… And The Dead! (2022), o álbum figura como um bom lançamento no geral. O ponto alto fica para a alta colaboração de todos os integrantes – com apenas uma faixa escrita inteiramente por Dave – algo que no passado seria impossível. Transitando por todas as suas eras, o Megadeth encerra seu capítulo musical de maneira coesa e sólida. 

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Estudante de Jornalismo e fã de Rock e principalmente Heavy Metal, gosta de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Seu primeiro contato com a música pesada veio ao jogar Guitar Hero e de lá nunca mais parou. Sempre gostou de escrever e tem a música como uma de suas paixões. Dentro do meio, tem Steve Harris, Bruce Dickinson, Rob Halford e Ozzy Osbourne como seus ídolos.