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Marilyn Manson. Crédito: Reprodução/Instagram

Marilyn Manson. Crédito: Reprodução/Instagram

Político exige retirada de Marilyn Manson de show do Slipknot no Reino Unido

Vereador questiona apresentação do cantor no Estádio de Wembley, em Londres, em julho de 2027 por causa de acusações de abuso sexual

A participação de Marilyn Manson na próxima turnê do Slipknot gerou uma nova polêmica no Reino Unido. O vereador Anton Georgiou, líder do grupo Liberal Democrata no conselho municipal de Brent, pediu que o estádio de Wembley reavalie a contratação do cantor para o show marcado para 03 de julho de 2027. A apresentação integra a nova turnê mundial do Slipknot, intitulada (sic)est Stadium Tour. Além de Manson, o evento em Londres terá apresentações de Lorna Shore e Hatebreed.

Segundo o Loudersound, o vereador Anton Georgiou pediu que o local reconsidere a contratação de Manson, visto que o cantor enfrenta acusações de várias mulheres que o acusam de má conduta sexual. “Não podemos continuar dizendo que combater a violência contra mulheres e meninas é responsabilidade de todos e depois deixar de fazer perguntas difíceis quando isso realmente importa. É decepcionante que a câmara municipal não tenha se pronunciado publicamente sobre isso”, disse o vereador.

Ele continuou: “As acusações contra Marilyn Manson são sérias e, embora ele negue qualquer irregularidade, o Estádio de Wembley precisa explicar quais considerações foram levadas em conta antes da confirmação do evento. Também precisa levar em conta a mensagem que isso transmite às vítimas de abuso”.

Em resposta à repercussão, um porta-voz do conselho municipal de Brent afirmou que a escolha dos artistas cabe ao estádio e aos organizadores dos eventos, e que o conselho “não tem controle direto sobre as reservas comerciais”. O porta-voz concluiu que “isso não diminui nosso compromisso em combater a violência contra mulheres e meninas, que não tem lugar em Brent. Nossos valores são muito claros, e é por isso que dedicamos tempo, recursos e esforços significativos à prevenção de abusos, ao apoio às sobreviventes e a tornar nosso bairro mais seguro”.

O estádio, por sua vez, informou que os artistas convidados ficam a cargo do artista principal e do promotor. A administração também afirmou que mantém conversas com a Live Nation, responsável pela promoção do evento.

As apresentações de Marilyn Manson na turnê do Slipknot, incluindo shows na América do Sul, devem marcar alguns de seus compromissos mais importantes desde as acusações de agressão e abuso sexual feitas em 2020. A escalação do músico também provocou reações entre os fãs do Slipknot. Em meio às críticas nas redes sociais, o guitarrista Jim Root afirmou que não participou da decisão de contratar o cantor: “Eu me mantenho afastado da logística de turnês e tudo mais. Me concentro em compor e em ser guitarrista… Então, perdoem minha ignorância sobre com quem fazemos shows. Há outras pessoas com cérebros muito maiores que o meu que coordenam tudo isso e, honestamente, não acompanho bandas novas ou músicas novas”.

O julgamento do processo movido por Ashley Walters, ex-assistente de Marilyn Manson, está previsto para novembro de 2027. O cantor nega todas as acusações.

Marilyn Manson vem ao Brasil

O The Town 2027 confirmou Marilyn Manson entre as primeiras atrações de sua próxima edição. O cantor se apresentará em 04 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no mesmo dia do Slipknot. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, responsável pelo The Town e pelo Rock in Rio, comentou a decisão.

Segundo Zé Ricardo, Manson faz parte do pacote da turnê do Slipknot. Questionado sobre as acusações, o executivo afirmou que o festival não levaria ao palco um artista condenado pelos crimes mais graves atribuídos a Manson. “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada. São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas, nesse momento, ele é um artista que estará em turnê pelo mundo”, declarou Zé Ricardo.

Ele também disse que a Rock World já deixou de contratar artistas em situações que, segundo sua avaliação, envolviam casos concretos com julgamento e condenação. “Agora, é preciso ser uma coisa concreta, porque tem coisas que não são. Nós já deixamos de trazer artistas porque foram coisas concretas — em que ele foi julgado, condenado e tem um peso na história dele isso acontecer. Mas a gente também não pode pré-condenar uma pessoa sem prova”.

Zé Ricardo também afirmou que não se preocupa com críticas ou boicote: “Somos muito seguros do que fazemos, do nosso line-up. A opinião do nosso público é muito importante, mas não dá muito para levar em consideração tudo que se fala nas redes sociais. As redes têm coisas de amor, mas também visões míopes do que a gente apresenta enquanto festival. Você vende 680 mil ingressos [no último Rock in Rio] e as pessoas dizem que estava vazio”.

Acusações contra Marilyn Manson

Nos últimos quatro anos, Manson se envolveu em uma série de batalhas judiciais e foi acusado por várias mulheres, incluindo a atriz Evan Rachel Wood, de abuso sexual, emocional e físico. Com o depoimento da atriz, outras mulheres vieram a público para denunciar inúmeros atos de violência por parte de Manson; entre elas, a também atriz Esmé Bianco e a ex-assistente, Ashley Walters.

O processo movido por Ashley Walters havia sido arquivado anteriormente por ultrapassar o prazo máximo para o início de procedimentos legais, mas uma mudança na lei permitiu que o caso fosse retomado e está em andamento.

Marilyn Manson realizou seu retorno aos palcos em agosto de 2024, fazendo seu primeiro show desde as acusações. Em novembro do mesmo ano, lançou o álbum Assassination Under God – Chapter 1 pela Nuclear Blast Records após ter sido dispensado por sua gravadora de longa data Loma Vista Recordings e pela agência CAA após as acusações.

O cantor negou todas as acusações e processou diversas de suas supostas vítimas, sendo absolvido em janeiro de 2025 por falta de provas. Atualmente, Manson lançou o novo disco Assassination Under God – Chapter 2. Como também segue normalmente com suas turnês, embora o primeiro show da etapa europeia da One Assassination Under God tenha sido cancelado após protestos contra a má conduta do músico.

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