Quando anunciada em setembro de 2024, muitas pessoas imaginavam que a, enfim, turnê de reunião do Oasis seria marcada por uma troca de farpas entre Liam e Noel Gallagher que o clima nos bastidores seria similar ao de uma bomba prestes a explodir, ou que ambos brigariam em cima do palco.

No entanto, o aguardado documentário Oasis: Don’t Look Back in Anger, dirigido por Will Lovelace e Dylan Southern, foge da expectativa de fãs que pensariam que a obra mostraria a dupla de irmãos brigando para focar em algo mais profundo: a forma como a música pode reconciliar e curar feridas.

Tensão antes do show inicial da turnê no País de Gales

Desde os ensaios da turnê, o filme mostra uma dinâmica interessante, uma vez que o afastamento de 16 anos entre Liam e Noel não foi resolvido com longas conversas ou pedidos de desculpas realizados em uma reunião a portas fechadas. A relação era estritamente profissional: Liam chegava, realizava os ensaios e ia embora, enquanto seu irmão ficava responsável pelo ajuste de detalhes técnicos ao lado de Bonehead, Andy Bell e Gem Archer

A incerteza sobre como a banda soaria ao vivo pairou até instantes antes da apresentação inicial da turnê, no Principality Stadium, em Cardiff, no dia 04 de julho de 2025, acontecer. No entanto, assim que a banda subiu ao palco, todos se surpreenderam com a atitude de Liam em entrar de mãos dadas com Noel, criando assim a imagem mais emblemática de toda a turnê. 

Com os primeiros acordes de “Hello”, o público já estava ensandecido e tudo parecia caminhar para um final feliz, menos para Noel, que chega a contar que quase pediu para sair do palco dado o tamanho de seu nervosismo. Do outro lado, vemos Liam em seu estilo característico e como se nem tivessem passado 16 anos desde a última vez em que esteve nos palcos com seu irmão.

Essa sensação não se resume apenas aos dois, uma vez que os diretores conseguiram registrar perfeitamente como a música do Oasis transcende a banda e afeta o público. É possível ver o choque dos fãs ao término do primeiro show no País de Gales, pessoas chorando durante “Slide Away”, um fechamento de ciclo para uma sobrevivente dos atentados de Manchester em 2017 e até mesmo um vigário construindo seu sermão em torno do perdão dos Gallagher e na peregrinação dos fãs se dirigindo ao Heaton Park.

Brasil ficou marcado com um dos momentos mais difíceis da turnê

Para o público brasileiro, o documentário reserva um dos seus momentos mais tristes e históricos: o encerramento da turnê em São Paulo. Enquanto viajavam a caminho da cidade, a dupla descobre a informação de Gary ‘Mani’ Mounfield, lenda do Stones Roses, e um de seus principais ídolos, havia falecido.

Neste momento, vemos um dos momentos mais emocionantes em todo o documentário: a reprodução de “Live Forever”, que durante seu solo, é possível ver tanto Liam quando Noel visivelmente abalados e unidos por algo em comum.

Personalidades diferentes Liam e Noel fazem o Oasis ser o que ele é 

O sucesso da Oasis se dá justamente pelas personalidades diferentes de seus líderes. De um lado, vemos Noel com sua postura cética e reservada e que teme cada passo dado. Do outro, Liam é a exata personificação de um “Rock N’ Roll Star” e que não tem medo de ser quem é e muito menos liga para críticas. 

Oasis: Don’t Look Back in Anger descreve perfeitamente o fenômeno cultural da turnê chamada Live’ 25. dado ao fato de que nem seus integrantes imaginaram tocar em estádios ao redor do mundo e muito menos que contariam com uma imensa demanda de público. 

Para quem aguardou 15 anos por algo que parecia impossível anos atrás, o filme possibilita relembrar cada momento da histórica reunião;  E quem não conseguiu assistir ao documentário nos cinemas, a obra entrará em breve no catálogo do serviço de streaming Disney+ sob o selo Hulu Originals.  

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Categorias: Notícias Opinião

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]