Texto por: Jéssica Marinho e Gabriela Marqueti

My Chemical Romance retorna ao Brasil pela primeira vez em 18 anos com dois shows em São Paulo, no Allianz Parque, nos dias 05 e 06 de fevereiro. Os ingressos para o dia 06 ainda estão à venda através do site da Eventim.

A capital paulista será palco de uma das apresentações mais aguardadas do ano, que deve reunir um setlist cheio de clássicos e performances eletrizantes. O show contará com a abertura da banda punk sueca The Hives.

No Brasil, o My Chemical Romance não foi apenas uma banda de sucesso, mas um fenômeno cultural nos anos 2000. O retorno – após a única visita ao país, em 2008, durante a turnê The Black Parade – acontece em um cenário diferente, com fãs mais velhos, mas igualmente engajados, e uma nova geração curiosa para ver ao vivo um nome que ajudou a definir o rock alternativo do século 21.

No exterior, a banda tem esgotado inúmeras datas com a turnê Long Live: The Black Parade. O grupo tem tocado o álbum The Black Parade (2006) na íntegra e dedicado a segunda metade dos shows para alguns de seus maiores sucessos, como “Helena”, “The Ghost of You” e “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)”. A performance também tem um teor teatral e conceitual, mostrando os integrantes como personagens opositores a um regime autoritário.

Ainda não está claro se o My Chemical Romance trará a turnê para o Brasil no mesmo formato apresentado nos Estados Unidos e na Europa. Fãs notaram que o anúncio do show da banda no Brasil não continha o nome da turnê Long Live: The Black Parade e sinalizaram o comentário da produtora que informa que este será “um show imperdível com seus maiores hits”. O primeiro show da turnê na América Latina acontece dia 25 de janeiro, em Lima, no Peru, onde essa dúvida deve ser sanada.

Detalhes sobre a ‘Long Live: The Black Parade’

Nas apresentações mais recentes, a banda revive The Black Parade na íntegra, misturando dramatização, cenografia temática e pirotecnia, mostrando um My Chemical Romance coeso, intenso e visualmente impactante.

O conceito original do álbum The Black Parade já explorava temas de identidade, vida e morte através de personagens e figurinos marcantes, contando a história de um personagem moribundo chamado O Paciente e sua reflexão sobre a vida enquanto enfrenta a morte iminente. A turnê Long Live: The Black Parade revisitou esse universo de forma ampliada.

Nesta nova fase, o espetáculo expande o universo criado pelo álbum, marcando o retorno do alter ego The Black Parade, resgatado da turnê mundial de 2007, agora inserido como parte de uma encenação em que a banda se apresenta para satisfazer o governante do país fictício chamado Draag, que vive um regime ditatorial comandado pelo Grande Ditador Imortal, com estética e referências visuais que lembram regimes altamente organizados e autoritários. 

Ao longo do show, a história avança por meio das interações da banda com diferentes personagens, entre eles o Atendente e o Palhaço (ambos interpretados pelo ator Charlie Saxton) e Marianne (Lucy Joy Altus). Durante a turnê, vários ministérios do país Draag foram mencionados ou apareceram, incluindo o “Ministério das Tarefas Seriais”, o “Ministério do Recondicionamento Gratuito” e o “Ministério das Relações Operísticas”. My Chemical Romance também criou o hino nacional de Draag, intitulado “Over Fields (The National Anthem of Draag)”, publicado nas redes sociais.

Para reforçar o aspecto narrativo, várias músicas de The Black Parade foram adaptadas especialmente para essa turnê, ganhando novas introduções, trechos inéditos e finais prolongados, criando versões exclusivas que ampliam a experiência dramática e conectam o repertório à história encenada no palco.

Para criar um universo distinto, Gerard Way pediu ao designer de tipografia Nate Piekos, colaborador em projetos visuais da banda, para criar uma língua fictícia chamada Keposhka para elementos visuais da turnê.

Nos shows, o frontman Gerard Way alterna momentos teatrais com discursos breves, enquanto a banda mantém uma performance sólida e emocionalmente carregada. A produção aposta em iluminação dramática e na já famosa estética sombria, com os clássicos figurinos marcantes da era The Black Parade.

Alguns veículos relataram que essa narrativa distópica gerou debates públicos, incluindo interpretações sobre crítica social ou política implícita no espetáculo. Por exemplo, o jornal AS relatou que a apresentação incomodou setores da direita nos Estados Unidos por sua estética e potencial leitura crítica de regimes autoritários. Já o site americano Paste Magazine, fez uma observação sobre o vídeo postado pela banda em 2024 para anunciar a turnê, dizendo ser uma “coincidência sinistra”, já que Donald Trump havia acabado de ser nomeado presidente para seu segundo mandato dias antes do anúncio da turnê, além de “a possibilidade de nosso país se tornar um estado fascista era iminente”.

Um show de hits e B-Sides

Após a apresentação do The Black Parade completo, a banda retorna para a segunda parte do show focando em seus maiores sucessos e faixas menos conhecidas pelo mainstream.

De acordo com o setlist.fm, podem ser esperadas performances de “I’m Not Okay (I Promise)”, “Thank You For The Venom”, “Boy Division”, e um cover de “Bullet With Butterfly Wings”, do The Smashing Pumpkins.

Relembre abaixo alguns clássicos:

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