Muito antes de bandas mascaradas como PRESIDENT, Ghost e Sleep Token chamarem atenção, o músico norueguês Mortiis já construía sua identidade artística com maquiagem, próteses e uma estética que ajudou a definir sua carreira. Ainda assim, ele afirmou que nunca teve interesse em manter o mesmo nível de anonimato adotado por esses grupos.
Em entrevista à revista Metal Hammer, o ex-baixista do Emperor comentou o crescimento de artistas mascarados no cenário atual e elogiou o trabalho de Tobias Forge à frente do Ghost, revelou que nunca se sentiu confortável em esconder completamente sua identidade.
“Não dou muita atenção a isso. Acho que o Tobias [Forge] fez umas coisas muito legais com o Ghost. Gosto de algumas músicas dele e só o encontrei uma vez. Ele era quieto, parecia muito simpático. Já o Sleep Token, só conheço porque as pessoas falam deles, então não tenho muita opinião formada. Vi algumas fotos e parece legal, mas muita gente parece assim, né? Parece que vejo um monte de coisas passando pelo meu algoritmo: banda mascarada, banda mascarada, banda mascarada! O mais estranho é que me sinto o único cara que usa máscara e ainda tem rosto”, contou Mortiis.
Ele continuou: “Não é só isso, mas o fato de a máscara de Mortiis ainda ser um rosto. É tão natural para mim dar entrevistas assim. Não sinto necessidade de esconder meu rosto. Tentei isso nos anos 90 por um tempo: foi meio sem vontade, fazer aquela coisa do KISS, em que você não pode ser visto sem maquiagem. Copiei os criadores originais por um curto período e pensei: ‘Isso é chato! Isso é exaustivo pra caramba!’ Tentar não ser visto e, quando as pessoas perguntam, você finge que não é o Mortiis? Que se dane! Talvez eu seja preguiçoso.”
O artista destacou que sempre preferiu separar sua persona de palco da vida cotidiana. Para ele, a transformação acontece naturalmente durante os shows, mas perde sentido fora desse contexto.
“Eu simplesmente não gosto de fingir. Parece falso. As únicas vezes em que não parece falso é quando subo ao palco. Entro num estado mental diferente quando estou lá. Você se transforma como pessoa, então isso também não parece uma atuação. Se eu tivesse colocado minha máscara antes de entrarmos na entrevista do Zoom, teria sido falso. Fiz algumas participações em programas de TV usando a máscara, e elas ficam legais, mas é estranho. Dá para perceber. As pessoas não se incomodam, mas é uma experiência esquisita para todos”, revelou ele.
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