O vocalista Mike Patton, conhecido por seu trabalho no Faith No More e no Mr. Bungle, voltou a repercutir no Brasil após uma performance em que fez referências públicas à cultura espiritual afro-brasileira, mencionando a entidade Pombagira.

Durante um show do Mr. Bungle em São Paulo, no último sábado, 31, abrindo para o Avenged Sevenfold, Patton dedicou uma música à “suprema Pombagira”. Exaltando o poder das mulheres e clamando por proteção, amor e prosperidade em nome da figura espiritual — atribuição que gerou tanto entusiasmo quanto surpresa no público presente, além de críticas nas redes sociais. 

Ele chegou a se referir ao grupo como “velhos macumbeiros gringos” enquanto usava guias e itens associados simbolicamente a tradições afro-brasileiras.

Esta não é a primeira vez que o músico faz um show inspirado em práticas religiosas. Em 2011, durante a apresentação no SWU, Faith no More subiu ao palco decorado com flores, vestidos de branco, com guias de orixás e só falou com a plateia em Português. Em específico, Mike Patton usou um chapéu característico da entidade Zé Pelintra, muito conhecido na umbanda [via g1].

No retorno ao país, em 2015, durante a apresentação no Rock in Rio, o Faith No More apresentou a mesma performance com referências à umbanda e candomblé.

Qual é a relação de Mike Patton com a umbanda?

Apesar de Mike Patton já ser conhecido por suas apresentações associadas à religião, o assunto voltou à tona após os recentes shows do Mr. Bungle, gerando especulações sobre seu interesse ou fé. 

Em entrevista ao Jornal da Globo, em 2015, o vocalista foi questionado se a banda virou hippie e respondeu: “Não, macumbeiros. Umbandistas”. Também disse que o visual inspirado na umbanda era de propósito para “chocar os fãs” que sempre se vestem de preto.

Na época, houve um debate sobre a temática do show, e o site Umbanda EAD fez uma matéria sobre, onde Milton Marttinez, médium umbandista, comentou o que achou da iniciativa: “Eu achei fantástico. Embora não saiba se foi intencional, engajado ou tivesse qualquer referência à cultura religiosa brasileira, seja ela Umbanda, Jurema ou qualquer outra. De qualquer forma, como umbandista, o simples fato do uso de elementos de modo positivo. Com a vibração e energia inerentes à nossa religião, já é positivo a meu ver. Ajuda a minimizar a carga negativa que anos de muito preconceito e desinformação causaram na sociedade”.

Ao assistir à performance de Mike Patton, no último domingo, 31, Mariana Marcato, médium candomblecista (Egbomi), disse ao Wikimetal que, devido aos detalhes dos gestos, o artista entende sobre a religião e tentou desvincular o uso da cor preta.

“Pelas roupas, os fios, a maneira como ele fala e os gestos… Ele apresenta um gesto de cruzar as mãos no peito, é uma saudação à Pombagira, dentro da Umbanda. Então eu acredito que ele frequente, sim. E todo apoio à nossa religião é positivo, para que essa intolerância religiosa também caia por terra. Então, quanto mais artistas mostrando, celebrando que são religiosos e não escondendo o culto religioso, claro que é sempre muito positivo.”

“Eu acredito que o fato de ele não ter usado preto e ter usado outras cores é para não haver um vínculo entre… Para as visões de fora, de falar sobre [práticas] ritualísticas satânicas. Acho que é por isso que ele traz outras cores, inclusive o branco, porque o rock já é um ambiente subjugado do demônio. Ele usa outras cores para não trazer esse julgamento, esse preconceito diante do próprio rolê de rock e metal”, ressaltou Mariana.

A repercussão das declarações de Mike Patton

Após repercussão do vídeo da apresentação do Mr. Bungle divulgado pelo Wikimetal, houve um forte debate nas redes sociais, dividindo opiniões entre os internautas – devido a alguns comentários no vídeo, ressaltamos que a intolerância religiosa é crime no Brasil.

Alguns internautas afirmam que o artista segue a religião, e que  Max Cavalera o teria levado a um terreiro de candomblé, conforme relatado pelo influencer RafaBarba em um vídeo no Tik Tok. “O interesse de Mike Patton pelo Candomblé começou com essa amizade com Max. Que lá atrás levou-o para conhecer um ritual de candomblé. E o Mike se sentiu espiritualizado e purificado e passou a admirar muito a religião”, afirmou.

Enquanto outro internauta garantiu que “Mike Patton é cético e antirreligioso. Essa postura dele é mais política do que espiritual”, por meio de comentários no vídeo postado no Instagram da Wikimetal. 

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Repórter e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo). Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, The Metal Circus (Espanha) Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento. Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos - [email protected]