O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2026 aconteceu no último sábado, 20, e segue neste domingo, 22, no Autódromo de Interlagos, região da zona sul de São Paulo.
O festival é conhecido pela diversidade, mas as bandas de rock e metal não completam nem metade do line-up. Mas, a curadoria do Lollapalooza Brasil 2026 não peca na hora de montar uma programação para todas as idades e gêneros, como foi mostrado na última sexta-feira, 20, com shows de Deftones, Viagra Boys e Interpol. Já no sábado, outras 3 bandas agradaram muito o público do rock.
Hurricanes: O furacão brasileiro que chega aos grandes palcos
A apresentação da Hurricanes no Lollapalooza Brasil 2026 foi daquelas que funcionam como cartão de visitas: direta, sem excessos e com uma energia crua que chama atenção logo nos primeiros minutos. Após abrir para nomes internacionais e circular por festivais relevantes, o Lollapalooza surge como mais um degrau importante. Escalada para abrir o palco Samsung Galaxy no sábado, a banda encarou o horário ingrato do meio-dia com postura de veterano, prendendo a atenção do público ainda em formação e em grande parte fãs de Skrillex. Escolher um bom repertório enxuto para esse tipo de show não é tarefa fácil, mas o Hurricanes parece acostumado, já que a banda é literalmente um furacão que passa pelos palcos dos maiores festivais nacionais.
Em um set de 10 canções, apresentaram seu já conhecido rock clássico, com raízes no blues setentista, onde apostam no básico bem executado. A cozinha da banda é feita de riffs diretos, groove pulsante e um vocal que transita entre o rasgado e o melódico. O visual também é algo notável, compondo a identidade que chama a atenção do público por onde quer que a banda passe. O sol do meio-dia só complementou a apresentação, deixando tudo natural, e se faltou o impacto de uma multidão massiva, algo natural para o horário, sobrou entrega, segurança e senso de crescimento. Hurricanes dominou o palco como quem sabe que está dando um passo decisivo na carreira.
The Warning: Novatas que já soam gigantes
Ainda “novata” no circuito de grandes festivais, mas também com postura e impacto de veterana, The Warning vem ganhando o coração do público jovem com seu hard rock que, embora seja sólido e bem executado, é básico e comercial – longe de criticar, mas é uma banda que aposta no sucesso com o “mais do mesmo”, criando até dancinha de TikTok com o novo single “Kerosene”. No pequeno palco Flying Fish, as irmãs Villarreal transformaram um espaço teoricamente secundário em um dos pontos mais animados do sábado, provando que o crescimento meteórico do trio não é por acaso. A banda já esteve no Brasil em 2025, no festival punk rock liderado pelo The Offspring – e ali mesmo já tinha mostrado que seriam a nova sensação.
A apresentação seguiu o padrão que já vinha sendo visto nas passagens recentes pelos festivais na América Latina, com intensidade do início ao fim, interação com o público e o principal: os fãs jovens e dedicados que se organizaram nos mínimos detalhes, transformando a frente do palco em um mar de bexigas vermelhas, além de cantarem em coro todas as canções. Com um setlist que passeou pela discografia – e apresentou “Ritual”, faixa do novo álbum ainda não lançada – o trio não apenas entregou um show sólido, como também deixou a impressão de que está formando sua própria geração de fãs e a sensação de que o rock está longe de morrer, ele apenas se renovou. Uma fanbase que só perdeu para a da headliner do dia, Chappell Roan.
Cypress Hill celebra 30 anos com peso e respeito
O Cypress Hill mostrou no Lollapalooza Brasil 2026 por que segue sendo um dos nomes mais respeitados, influenciando do rap ao new metal, mesmo após mais de três décadas de carreira. No palco Samsung Galaxy, o grupo entregou um show ancorado em grooves pesados e presença de palco afiada, transformando clássicos em combustível para uma apresentação que, musicalmente, não deixou espaço para dúvidas sobre sua relevância.
Embora o impacto no palco seja semelhante ao do Deftones, um show grandioso com público morno, o repertório recheado de hits e uma condução segura de B-Real eSen Dog, fez a apresentação crescer progressivamente, culminando em uma plateia mais engajada e entregue, que tentou criar um mosh durante “Bombtrack”, faixa do Rage Against the Machine que o Cypress Hill vem tocando ao final de seus shows.
Outros momentos com os hits “Insane in the Brain” e “Hits From the Bong” sintetizaram a trajetória do grupo, passando por referências à cultura latina e ao cruzamento com o rock, o que fez o público pular mais. O show funcionou como uma celebração viva do legado da banda, onde um festival marcado por diferentes gerações, o Cypress Hill não apenas revisitou sua história, mas provou relevância com a autoridade de que seu som ainda pulsa atual, pesado e, acima de tudo, respeitado.
Confira fotos exclusivas da nossa colaboradora Marcela Lorenzetti:
LEIA TAMBÉM: Deftones entrega show catártico para público morno em dia sold-out no Lollapalooza Brasil


















