Em 1985, com apenas dez anos de carreira, o Iron Maiden vinha ao Brasil pela primeira vez para se apresentar na histórica primeira edição do Rock in Rio, evento este que começava a construir a grande relação da banda com o país.

Quarenta e um anos se passaram, 46 shows foram feitos e com diversos momentos icônicos entre eles — incluindo a despedida de Nicko McBrain em 2024. No entanto, em 2026, o grupo retornou ao Brasil para um novo capítulo em sua história: comemorar seus 50 anos de carreira com um dos públicos que mais o venera no mundo.

Realizado em meio à apuração do segundo turno das eleições, na noite do último domingo, 25, o primeiro show da Run For Your Lives Tour no Nubank Parque, em São Paulo, já estava esgotado dez meses atrás, quando aconteceu seu respectivo anúncio.

Ao longo da semana, havia um receio de que possíveis conflitos pudessem surgir em diversos setores do estádio com o resultado da disputa eleitoral, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, como o resultado acabou saindo quando o show já se encaminhava para a sua metade, não houve relatos de discussões ligadas ao tema.

Alter Bridge

Com a missão de abrir os trabalhos, o Alter Bridge, liderado pelo vocalista e guitarrista Myles Kennedy, retornou ao Brasil após três anos. O grupo aproveitou a oportunidade para promover seu álbum autointitulado, lançado em janeiro, e sabia que teria uma árdua missão: se apresentar antes do sexteto britânico, fato que Myles citou em uma de suas interações com o público, na qual afirmou que não poderia “errar” naquela noite, assim como comentou sobre o nervosismo do baixista Brian Marshall em também estar ali.

Em apenas 50 minutos de show, o quarteto trouxe apenas uma faixa do novo trabalho: “Silent Divide”, responsável por iniciar a performance. No restante do set, o Alter Bridge optou por incluir muitos de seus principais hits, em especial as faixas “Addicted To Pain”, “Cry of Achilles”, “Blackbird”, “Isolation” e, principalmente, “Metalingus”, responsável por um dos momentos de melhor reação dos fãs devido à relação da música com o ex-lutador da WWE, Edge.

Assim como o foco nas músicas de maior sucesso, o grupo também priorizou a técnica e realizou interações contidas com as mais de 50 mil pessoas presentes, mas nada que impedisse a qualidade da apresentação. Sob aplausos, a banda deixou o palco com um público já aquecido para a principal atração da noite.

Iron Maiden

Tocando faixas lançadas entre os seus primeiros nove álbuns de estúdio — exceto No Prayer For The Dying (1990) —, o Iron Maiden iniciou sua apresentação com canções da era Paul Di’Anno, resgatadas no repertório após mais de duas décadas, como foi o caso de “Murders in The Rue Morgue” e “Killers”, momento no qual a versão de Eddie criada para a turnê aparece no palco e leva todos os fãs à loucura.

Tendo os fãs na palma de sua mão, e ao fazer seu primeiro discurso da noite, Bruce Dickinson afirmou que o Brasil tinha um “lugar especial” no coração da banda e teve como resposta um grito por seu nome, fazendo-o interromper sua fala e sorrindo em agradecimento. O cantor ainda brincou sobre a ausência de cachaça em seu cantil e que o item continha água nos instantes antes de anunciar “Rime of the Ancient Mariner”.

Aos 68 anos de idade e tendo lutado contra um câncer em 2014, Bruce segue impecável com seus agudos e coros, especialmente em muitas das faixas mais aguardadas da noite, como “Infinite Dreams” e “Rime of the Ancient Mariner”, além dos hits “The Number of The Beast” e “Run to the Hills”.

No entanto, Bruce não é o único a ter seu momento de brilho. Aos 70 anos de idade, o baixista Steve Harris comanda sua banda como poucos no metal, demonstrando ter energia de sobra, correndo para todos os lados do palco com seu instrumento, que ainda consegue se sobressair em meio ao poderoso “Three Amigos”, trio de guitarras formado por Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers.

Visualmente, a troca das tradicionais cortinas de fundo por um telão se mostrou uma escolha acertada, uma vez que isso permitiu ao grupo a possibilidade de trazer um novo dinamismo e maior interatividade ao show. Um dos momentos de maior destaque acontece em “Hallowed Be Thy Name”, quando Bruce sai da cela onde está e aparece no vídeo como se estivesse no cenário da música, enquanto tenta escapar da Morte.

Já em “Rime of the Ancient Mariner”, o uso da tecnologia permitiu que o icônico poema de Samuel Taylor Coleridge fosse contado através de imagens, conectando-se diretamente com o que a banda tocava naquele exato momento.

Quando anunciado como o substituto de Nicko McBrain, muitos fãs começaram a questionar como Simon Dawson se encaixaria no Iron Maiden. Apesar de ser notório que sua forma de tocar é mais simples que a de seu antecessor, o baterista mantém o padrão: reproduzir as faixas respeitando quem as gravou e adaptando-as para seu estilo — algo que provavelmente foi alinhado em sua chegada ao grupo.

Por mais que a idade avançada de seus integrantes seja evidente e que o andamento de boa parte das músicas — em especial “The Trooper”, “Fear of the Dark” e “Aces High” — esteja mais lento, o Iron Maiden não dá sinais de que seu temido fim está se aproximando, uma vez que quebrou a promessa de não fazer shows em 2027.

Em uma noite estelar, a Donzela de Ferro celebrou suas bodas de ouro com um show que não apenas enfileirou seus principais hits e usou novos recursos cenográficos, mas que também serviu para honrar o tamanho de seu legado e mostrar que, no Brasil, ela sempre será a maior banda de heavy metal da história.

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Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]