Texto por: David Araújo

A bordo do Boeing 757-200, dedicado à turnê brasileira, Guns N’ Roses desembarcou na última segunda-feira, 13 de abril, em Salvador. Para muitos, apenas essa frase já parecia um sonho realizado, mas foi na última quarta-feira, 15, na Arena Fonte Nova, que a banda tornou real um momento épico na vida de 40 mil pessoas que vivenciaram isso de perto.

A promessa de grandes shows internacionais na capital baiana é antiga. Contando de um passado não tão distante, a Arena Fonte Nova foi responsável por abrir as portas para essa nova fase, sendo palco de Elton John (2014), Paul McCartney (2017), Roger Waters (2018) e A-HA (2022) nos últimos anos.

Desta vez, ninguém menos que Guns N’ Roses entrou para esse hall. Pela expectativa do público, talvez não seja exagero afirmar que a banda de Axl Rose, Slash e Duff McKagan seria mais esperada que até mesmo um Beatle. O sucesso desse show em Salvador já era evidente apenas pela venda de ingressos, que teve todas as pistas e cadeiras já esgotadas com vários dias de antecedência.

Mudanças na setlist e surpresa com “Patience”

O show começou com poucos minutos de atraso, nada significativo. Logo na introdução do telão, a expectativa já tomava conta do público. Durante a apresentação da banda, os fãs puderam, literalmente, soltar um grito preso por anos: Estava acontecendo! 

A banda veio de cara com a tradicional “Welcome to the Jungle”, fazendo a plateia ir à loucura em poucos segundos. Em breve comentário, Axl disse: “Que noite amável, não é? E que lindo lugar vocês têm aqui!”. Ele tinha razão: a Terra da Música se tornou palco do mais alto nível do rock mundial.

Comparado aos setlists anteriores nas cidades brasileiras, Salvador teve de início alterações na ordem de algumas músicas, quando, por exemplo, “Civil War”, tocada pela metade final dos últimos shows, apareceu bem antes. Em seguida, uma bela homenagem a Ozzy Osbourne no telão e “Sabbath Bloody Sabbath” foi executada com tamanha precisão pela entrosada banda. 

Todos mostravam uma energia fantástica pra baiano nenhum botar defeito: Axl, Slash, Duff e companhia deixam bem claro o prazer em estar em cima do palco. E também surpreende o esforço e vontade nos vocais de Axl, que logicamente não são os mesmos de 40 anos atrás, mas podemos sim dizer que estavam num ponto alto essa noite.

Sem dúvida, um dos grandes destaques do show foi a sequência arrebatadora de “Patience”, “You Could Be Mine” e “Don’t Cry”, como se fossem empilhando hit atrás de hit. Qualquer uma dessas por si só já seria o ápice para os fãs, mas temos que falar de “Patience”, que se tornou ainda mais grandiosa por marcar a estreia no setlist desta turnê brasileira, justamente em Salvador! 

Não menos aguardadas, “Sweet Child o’ Mine” e “November Rain” sinalizavam que o show estava se encaminhando para o final, e com isso era nítido que “a ficha caiu” para muitas pessoas. Não era nada raro ver fãs incrédulos naqueles momentos, sentimento justificado pela longa promessa e espera por sonho concretizado. “Paradise City” encerrou a noite na Capital da Alegria fazendo jus ao carinhoso apelido, e o público saiu da Arena Fonte Nova nitidamente satisfeito com o show.

O show do Guns N’ Roses em Salvador marca um acontecimento histórico e a realização de muitos fãs que cresceram com o sonho de vê-los de perto. Um estádio sold-out com dias de antecedência mostra que a capital baiana está longe de se resumir ao axé e pagode, e tem um público de todas as idades, fiel e dedicado ao rock.

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