Rumores sobre a brasileira Mayara Puertas ser a nova vocalista do Arch Enemy ganharam força nas redes sociais após uma postagem enigmática da artista que coincidiu com o anúncio do show da banda no festival Bangers Open Air 2026. Logo depois, Angela Gossow, ex-vocalista e atual empresária da banda, curtiu o post e começou a seguir Puertas.
Em entrevista exclusiva ao Wikimetal, Mayara Puertas revelou a origem dos rumores e afirmou não ser a substituta de Alissa White-Gluz. A vocalista do Torture Squad também compartilhou em primeira mão as novidades da sua banda para 2026, incluindo novo álbum e turnê na Europa com uma das maiores bandas de metal mundial.
Confira a entrevista na íntegra:
Wikimetal: Após muitos rumores, você realmente será a nova vocalista do Arch Enemy?
Mayara Puertas: Não, eu não sou a vocalista do Arch Enemy. Isso tudo começou na internet, quando as pessoas associaram uma publicação minha. Eu sou muito fã do Arch Enemy, acompanho o trabalho, admiro muito a Angela e me sinto inspirada pelo trabalho dela. E nesse ano tão cheio de compromissos que eu tinha, com certeza tenho escutado bastante a banda. Mas eu fico feliz, agradeço às pessoas, principalmente o apoio dos fãs da América Latina, que me escolheram como essa sucessora da Alissa.
Seria demais imaginar tudo isso. E agradeço muito. Eu li coisas incríveis, muitas mensagens de apoio de inúmeros amigos e artistas que acreditaram nisso. Mesmo quando eu afirmei para eles, para os mais próximos, falei: “não, isso é uma história que a internet criou”. Muita gente continuou acreditando e torcendo, falando “eu espero que um dia você esteja lá”, mas eu sigo trabalhando muito com a minha banda aqui no Brasil.
WM: A Angela começou a te seguir, e curtiu o seu post que levantou suspeitas. Vocês têm conversado? Como está essa interação?
MP: Sim, eu fiquei muito feliz que a Angela, a partir daí, tenha conhecido o meu trabalho. Ela tem curtido os posts do Torture Squad, acompanhado a banda. Ela até curtiu a publicação que foi a origem de toda essa polêmica. Tem muitos fãs comentando meu nome na página da banda. E isso fez com que a gente pudesse se aproximar. Então, isso para mim é o que tem mais valor. Poder ter o respeito de uma mulher como Angela Gossow é de um valor inestimável. E saber que ela acredita no meu trabalho, acredita no trabalho de uma nova geração de vocalistas… Ela está acompanhando essas vocalistas, ela conhece todas essas bandas e apoia. Então, isso para mim é o maior presente que possa ter. Espero que a gente possa se conhecer pessoalmente em breve. Eu vou estar esperando por uma grande performance dela no Bangers Open Air.
Planos para 2026: próximo álbum, turnês e produção
WM: Você pode nos contar em primeira mão qual é a novidade que você se referiu na sua postagem?
MP: Esse vai ser um dos anos mais cheios para nós, sem dúvidas nenhuma. O Torture Squad entrou agora em estúdio, em janeiro, para o nosso próximo álbum, que vai ser o décimo álbum da carreira da banda. É um álbum muito técnico e muito enérgico, então eu estou muito ansiosa para que a gente possa mostrar isso logo para vocês. Nós vamos ter turnês muito intensas, estamos trabalhando agora no começo do ano com uma turnê com a Leather Leone e em julho seguimos novamente para a Europa.
No ano passado estivemos no Wacken Open Air, então nós pretendemos retornar. Recebemos um convite de uma banda incrível que influenciou o Torture Squad. É com certeza um dos grandes nomes do metal mundial, então saber que uma banda como essa quer ter a gente em uma turnê como banda de apoio é incrível. Nós seguimos trabalhando muito duro. Fizemos nosso primeiro show do ano na última sexta-feira, 13, no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, e estamos nos preparando para uma agenda muito intensa de trabalhos.
WM: Há novos projetos e trabalhos além do Torture Squad. Pode falar mais sobre?
Sim, desde o ano passado eu comecei a trabalhar em dois projetos que eu componho e produzo, são novos artistas. Uma delas é a Hanna Paulino, vocalista do Shamangra, que vai lançar o seu primeiro single solo, e eu fiz toda a parte de composição e arranjos desse trabalho em conjunto com o Wagner Meirinho também na produção. É uma música voltada mais para um estilo gótico, só que com bastante peso e modernidade. Ela é uma vocalista super versátil, então foi muito legal trabalhar em uma música para uma cantora no nível dela, com certeza vai repercutir bastante.
E a outra cantora, que é uma revelação, é a Mafê, que vem com o projeto Kilza, que é uma aluna que se destacou. Ela foi uma das candidatas à nova vocalista do Hatefulmurder, e agora ela vem com o projeto dela, e estamos fazendo audições para a sua banda, que é algo mais voltado para o metalcore, new metal. E eu também participo das composições e da produção. É um trabalho que eu gosto muito de fazer, eu já fiz algumas produções de bandas como CRAS e The Damnnation, mais focado em voz, e agora eu estou trabalhando a construção de todas as músicas. Eu gosto muito de ser instrumentista, é um trabalho que eu gosto muito de fazer, compor e produzir, e é algo que eu me imagino fazendo ao longo da minha carreira, é algo que fora dos palcos eu gosto muito de trabalhar.
WM: E a sua outra banda, May Puertas y Las Muertas?
MP: De projetos pessoais, este ano vai ser um ano também que eu tenho muita coisa planejada. Eu tenho algumas composições que vão mais para um estilo progressivo, instrumental, que mistura muito com black metal, música instrumental mesmo. E eu gostaria de lançar isso em breve. Tenho já algo preparado para entrar nas plataformas ainda este ano. E com a May Puertas y Las Muertas, que é um projeto que mistura o mundo do heavy metal com o mundo do teatro, dentro de um universo do horror, temos seis músicas prontas, também estamos preparadas para entrar em estúdio em outubro, para trabalhar em um álbum de músicas inéditas e de versões de algumas músicas que a gente tem influência, de bandas que influenciaram a gente.
WM: Você também é professora de canto e irá começar seu trabalho de pesquisa sobre canto gutural. Como você consegue conciliar seus trabalhos?
MP: Eu sou uma pessoa que gosta muito de estudar, então, quando eu não estou trabalhando nos palcos, em produções, eu sempre estou pesquisando e eu acho que o estilo vocal, a técnica vocal gutural, ela necessita ainda de material que as pessoas possam consultar como pesquisa mesmo, como algo mais científico. Então, esse ano eu também estou me dedicando mais a isso, para formatar materiais de estudo que as pessoas possam consultar e entender melhor essa técnica.
Eu já venho trabalhando como palestrante há muitos anos, como instrutora vocal, preparadora vocal. Tive a honra de poder preparar a Prika Amaral para a nova fase dela como vocalista, entre outras cantoras do cenário. E eu gosto muito, sou muito nerd, eu gosto de ter material, eu gosto de ter um texto que eu possa apresentar para as pessoas, não só a minha experiência. Então, venho focando em trazer esse material de estudo para as pessoas e vai ser disponibilizado principalmente no meu canal do YouTube.
Mulheres na cena do metal extremo
WM: Como mulher à frente de uma banda de metal extremo, você percebe mudanças reais na cena em relação ao machismo nos últimos anos? Na sua experiência, o ambiente está mais aberto e respeitoso ou ainda há barreiras que precisam ser enfrentadas?
MP: Eu acho que as mulheres estão mais presentes, só que os problemas continuam os mesmos. A gente continua tendo que encarar os problemas de machismo, deslegitimação do nosso trabalho, associações de que você só está onde chegou por ser mulher ou pela sua aparência. Eu acho que o principal que mudou é que nós estamos mais presentes, mais ativas em diversas esferas do mundo musical, não só nas bandas, mas também trabalhando na produção. Eu tenho o prazer de trabalhar com muitas mulheres competentes. A nossa equipe é muito formada por mulheres e eu confio muito no trabalho dessas mulheres e na competência. Eu acho que o futuro do metal está na mão dessas mulheres.
WK: E o Nevermore também acabou de anunciar um novo vocalista. Mas o foco continua no Arch Enemy, e nas críticas a você e à Angela. Você acha que isso está relacionado com o público machista?
MP: Eu acho muito triste as pessoas gerarem rivalidade entre mulheres. A Angela foi super receptiva. Ela me apoiou muito. Eu acho muito triste que as pessoas tentam estimular algum tipo de rivalidade, seja comigo ou com a Angela, ou com outras vocalistas nomeadas como possíveis sucessoras da Alissa, que é outra cantora que eu admiro muito. São duas artistas incríveis que me inspiram, que inspiram muitas mulheres. Não existe nenhum tipo de rivalidade. Pelo contrário, existe muito trabalho sério e eu acho que as pessoas têm que colocar isso em primeiro lugar. Nós somos artistas, mas também somos pessoas que estamos lutando pelos nossos sonhos, pela nossa música, a qual é o que a gente acredita. E a postura da Angela foi de apoiadora, ela me seguiu, curtiu os trabalhos do Torture Squad, ela parece estar bem atenta a novas vocalistas que surgem no cenário…
Ela é uma defensora de um estilo mais old school, ao qual eu pertenço também. O Torture Squad é uma banda bem old school, nós temos técnicas semelhantes, eu acho que foi isso que causou um pouco a associação. Nós temos estilos bem parecidos, mas de maneira alguma eu acho que as pessoas têm que se deixar levar por esse ímpeto de achar que é uma competição. Isso não existe, cada uma está lutando pelo seu espaço ali e talvez pela ótica masculina, sim, seja algo que no fantasioso existe uma rivalidade entre as mulheres, mas o que eu percebo é um trabalho em conjunto ali para que a gente possa, cada uma, inspirar cada vez mais meninas a seguirem esse caminho.
WM: Mayara, queríamos agradecer o seu tempo em nos receber. Você quer deixar um recado para os nossos leitores e para os fãs?
MP: Eu queria agradecer todo o apoio que recebi nas últimas semanas. Eu li muitas coisas incríveis, principalmente das pessoas que acreditaram que eu poderia ser a nova vocalista da Arch Enemy. Eu sou muito grata a essa confiança e principalmente aos fãs da América Latina, que me elegeram como a próxima vocalista do Arch Enemy, agradeço muito o apoio. Por aqui, eu sigo trabalhando nos meus projetos pessoais, sigo trabalhando com o Torture Squad. Valorizem as bandas latinas, vocês não precisam esperar os artistas de que vocês gostam estarem em bandas de outros países, porque aqui a gente segue fazendo um trabalho muito sério e muito honesto.
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