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Stigma. Créditos: Divulgação

Entrevista Stigma: Conheça a banda alemã que é fã de Sepultura, Angra e Crypta

Grupo foi formado em 2021 e tem influências das mais variadas em seu “rock sombrio melódico”

Na cena europeia de rock contemporâneo, a banda alemã Stigma vem ganhando espaço. Formada em 2021 por Gerald Zinnegger (vocais e letra) e Markus Mantau (guitarra), o quarteto conta ainda com René Chlebnitschek (baixo) e Bernd Paptistella (bateria). O grupo combina elementos de rock e metal, com influências de nomes como Alice Cooper, Metallica e AC/DC. 

O primeiro lançamento veio em 2022 com o EP Last Order, que apresentou o som da banda ao público. Em 2023, o segundo EP, First Call, trouxe composições mais focadas em temas como luta pessoal, resiliência e busca por objetivos, marcando uma evolução sonora significativa. Em suas redes sociais, eles destacam que fãs de HIM, Volbeat e Type O Negative podem gostar de suas músicas.

Em entrevista ao Wikimetal, a banda explica o significado por trás de suas músicas e apresenta seu gênero musical, denominado por eles como rock sombrio melódico (“melodic dark rock”) e fala sobre o significado por trás de suas letras – além de expressar sua admiração por bandas brasileiras como Sepultura, Angra e Crypta.

Wikimetal: Poderia começar nos contando o significado por trás do nome da banda, Stigma?
STIGMA: Algumas pessoas carregam marcas visíveis na pele, sejam elas intencionais, como uma tatuagem, ou não, como uma cicatriz. Mas talvez haja muito mais pessoas marcadas invisivelmente pela vida, por dentro. O nome da banda, “Stigma” (Estigma), é uma declaração deliberada: não esconder esses estigmas, mas lidar com eles abertamente e aceitá-los como parte da vida. Seu estigma é sua força.

Wikimetal: Qual é a história por trás da banda? Como vocês se conheceram e o que os levou a decidir formar uma banda de verdade?
STIGMA: Eu e o Markus já tínhamos uma banda juntos em 2007 (Savage Crow), e compusemos uma música em particular (“Loaded Attack”) enquanto estávamos lá. Depois que a banda acabou, ainda tínhamos ideias para novas músicas, e o Markus as tocava para nós de vez em quando durante nossos ensaios. Um dia, convidei alguns amigos músicos e disse a eles que queria dar vida a todas essas ideias no palco com nossa nova banda, Stigma. Foi aí que surgiu a frase que ainda nos motiva hoje: “Vamos explodir nossa música no mundo”.

Wikimetal: Em 2022, vocês lançaram seu primeiro EP, Last Order. Qual é a história por trás desse projeto?
STIGMA: Last Order conta a história do inevitável fim de nossas vidas. Imagine assim: você está sentado no bar do seu lugar favorito, pedindo sua última bebida — ou um soldado recebendo seu último pedido sem nem mesmo perceber. Foi assim que surgiram músicas como “Deadline”, “Lies of War” e “Time” — com o refrão “Nosso tempo é agora, agora e aqui”. — e “Break Them All”. A mensagem é: “Apesar de todos os perigos e desafios, não desvie o olhar; veja além dos fatos, una-se a nós, lute e viva sua vida”. Você nunca sabe quando receberá seu último pedido.

Wikimetal: Algumas de suas músicas falam sobre resiliência e a busca por um propósito e significado na vida. Você escreve sobre temas que são pessoais para você?
STIGMA: Sim, com certeza. Pegue as músicas do álbum Last Order, por exemplo. Meu pai havia falecido pouco antes disso e, em seus últimos dias, já não conseguia falar, mas ainda queria nos dizer algo; tentei processar isso nas músicas “Deadline” e “Time”, com o refrão “Nosso tempo é agora, agora e aqui”. 

A inspiração para “Lies of War” foi a nova guerra no coração da Europa. Tivemos a sorte de crescer em tempos de paz e pensávamos que algo assim jamais aconteceria aqui novamente. Então, nos perguntamos como isso pôde acontecer, e foi assim que “Lies of War” surgiu — ela conta como, infelizmente, foi fácil começar outra guerra com palavras e reivindicações, uma guerra que já dura tempo demais. O primeiro single do nosso álbum mais recente, Second Chance, “Faraway”, fala do anseio de um prisioneiro de estar longe um dia, mesmo tendo liberdade para circular e trabalhar na ilha-prisão durante o dia. Isso também é simbólico para todos nós, quando criamos nossas próprias ilhas-prisão e nos entregamos à esperança de nos libertarmos e vivermos livremente.

Wikimetal: Quando vocês começaram a banda, quem foram algumas de suas maiores influências e como encontraram a sonoridade característica da banda?
STIGMA: A banda começou em 2021. Encontrar nossa sonoridade característica não foi um processo meticuloso ou um plano de marketing; foi mais como uma escavação do que já estava enterrado no fundo de nós. É e sempre será uma evolução de influências — impulsionada por nossas próprias experiências de vida e pelo desenvolvimento do nosso ambiente. Nosso som capturou o que chamamos de nossa essência de “Rock Sombrio Melódico”. Amamos mundos contrastantes. Para nós, “Rock Sombrio” cria a atmosfera — é a rua enevoada, o velho teatro abandonado, a noite escura como breu. “Melódico” é a luz que rompe essa névoa. É a esperança ou a bela dor dentro da escuridão. Para tornar as emoções reais tangíveis, estamos sempre em busca de três coisas: intensidade para as entranhas, escuridão para a alma e melodia para a mente.

Wikimetal: Quais são algumas das suas maiores influências e referências atualmente?
STIGMA: Ao longo dos anos, percebemos que estávamos inconscientemente canalizando o romantismo sombrio de bandas como HIM e Depeche Mode, o desespero pesado e cru de Type O Negative e The 69 Eyes, e a narrativa teatral de Alice Cooper.
Observando a cena contemporânea, encontramos algumas referências modernas que compartilham uma frequência musical semelhante e comprovam que esse som está muito vivo hoje em dia. Por exemplo, admiramos como o Ghost continua a manter a narrativa teatral e os refrões melódicos marcantes como elementos centrais do rock moderno. Também vemos bandas como Unto Others demonstrando que uma energia sombria e pulsante ainda ressoa profundamente com o público contemporâneo, enquanto o Neon Nightmare captura uma intensidade pesada e atmosférica. Para nós, essas bandas contemporâneas validam a ideia de que o equilíbrio entre peso, melodia e atmosfera sombria que buscamos com o STIGMA tem um lugar legítimo e relevante no cenário musical atual.

Wikimetal: Em 2025, você lançou seu primeiro álbum, Second Chance. O que esse projeto significa para você?
STIGMA: Para mim, Second Chance é muito mais do que apenas uma coleção de músicas; é exatamente o que o título sugere: uma retrospectiva profunda e um novo começo vigoroso. Se você observar a lista de faixas e mergulhar nas letras, perceberá que se trata de uma jornada cinematográfica e cronológica que atravessa os altos e baixos da existência humana. Abrange todo o espectro da vida: desde os primeiros sinais de alerta que encontramos, à dor amarga de amizades desfeitas, ao lidar com nossos monstros interiores ocultos, à sensação de distanciamento e isolamento e, finalmente, ao encontrar nosso guia final.
Não queríamos compor um álbum que se concentrasse apenas na tristeza. Em vez disso, queríamos criar uma tela musical que capturasse tanto a escuridão quanto a absoluta rebeldia necessária para superá-la. Para mim, este projeto é a prova de que, não importa o quão devastadora uma situação pareça, ou o quão profunda seja a cicatriz deixada por uma experiência, sempre há uma maneira de transformar essa dor crua em arte poderosa. Trata-se de resgatar sua própria história, manter-se firme diante da queda e lançar essa energia ao mundo com STIGMA.

Wikimetal: Você tem alguma faixa favorita neste disco?
STIGMA: Essa é sempre uma pergunta difícil, porque o álbum funciona como uma jornada única, mas há três faixas que realmente encapsulam a essência do nosso som de “Melodic Dark Rock”. Primeiro, preciso mencionar “Faraway” novamente. Como mencionei antes, seu simbolismo subjacente de se libertar de nossas próprias ilhas-prisão mentais é incrivelmente significativo para mim. É um hino de rock emocional que captura perfeitamente nossa filosofia de mundos contrastantes — construindo uma atmosfera profunda e nebulosa antes de deixar a melodia surgir, culminando naquele solo de guitarra monumental.
As outras duas favoritas mostram todo o espectro sonoro e energético do Stigma. Temos “Foul Play”, que traz uma energia de rock crua, afiada e direta ao disco. Ela representa o lado mais impactante e desafiador do nosso som e é incrivelmente divertida de tocar. Por outro lado, “Your Guide” serve como a âncora pesada e melancólica no final da lista de faixas. Ela canaliza algumas de nossas influências clássicas de narrativa sombria e leva o álbum Second Chance à sua conclusão natural e cinematográfica.

Wikimetal: Você está em turnê há algum tempo. Tem planos de vir ao Brasil em breve?
STIGMA: Ir ao Brasil é um sonho absoluto para nós, e estamos trabalhando duro nos bastidores para que isso aconteça o mais rápido possível. Os fãs brasileiros são mundialmente famosos por serem os mais apaixonados, enérgicos e barulhentos de toda a comunidade do rock e metal, e como uma banda que se alimenta completamente da energia dos shows ao vivo, sabemos que o STIGMA e o Brasil seriam uma combinação perfeita.
Neste momento, estamos totalmente focados em nossa agenda internacional, que inclui uma empolgante turnê de uma semana por clubes no Japão no início de dezembro de 2026. Essa turnê será um marco fantástico para levarmos nossa energia ao vivo para a Ásia. Mas, logo em seguida, expandir nossos horizontes para a América do Sul é uma prioridade máxima. Queremos levar nosso Melodic Dark Rock para o outro lado do Atlântico e explodir nossa música ao vivo nos corações dos fãs brasileiros. Tocar nossas músicas do Second Chance para um público que realmente entende melodias pesadas e emotivas seria incrível. Então, sim, Brasil, estamos definitivamente buscando a oportunidade certa para ir até aí!

Wikimetal: Você é fã de algum artista brasileiro?
STIGMA: Sem dúvida, a cena do rock e da música pesada brasileira presenteou o mundo com alguns dos artistas mais influentes e inovadores da história. Em primeiro lugar, não se pode falar de música pesada sem mencionar Sepultura e Angra. A maneira como o Sepultura trouxe uma agressividade crua e primal para o cenário mundial, e como o Angra combinou perfeitamente a complexidade musical com melodias belas e arrebatadoras, tem sido incrivelmente inspiradora para gerações de músicos em todo o mundo.
Mas, analisando o cenário atual, também somos grandes fãs do Crypta. O que eles estão fazendo agora em termos de pura energia e de como carregam a tocha da música pesada moderna é absolutamente fenomenal. O Brasil tem esse DNA musical único, onde as bandas sabem exatamente como combinar potência bruta com alta intensidade, e isso é algo que respeitamos profundamente e tentamos canalizar para a nossa própria versão de Melodic Dark Rock.

Wikimetal: Para alguém que ainda não conhece a banda: como você descreveria Stigma?
STIGMA: Se você é novo no STIGMA, eu descreveria nossa música como Melodic Dark Rock, construída com três pilares: intensidade visceral, obscuridade para a alma e melodia para a mente. Adoramos criar mundos musicais contrastantes. Imagine uma noite fria e nebulosa ou o roteiro de uma peça teatral sombria — essa é a paisagem sonora que nossos instrumentos criam. Mas a melodia é a luz que rompe essa névoa; ela representa a esperança e a bela dor dentro da escuridão.
Nossa música é profundamente honesta e emotiva. Pegamos as cicatrizes internas escondidas, as marcas invisíveis que a vida deixa em todos nós, e as transformamos em poderosos hinos de rock. Se você curte o romantismo sombrio de bandas como HIM, a atmosfera pesada e visceral do Type O Negative e refrões poderosos e contagiantes que ficam na cabeça, então STIGMA é a banda que você estava procurando. Seu estigma é sua força — junte-se a nós e vamos espalhar essa energia pelo mundo juntos.

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