Após mais de quatro décadas, classificar o Echo & the Bunnymen meramente como um sustentáculo do post-punk soa como uma afirmação simplória. A banda retorna ao Brasil pela sétima vez no dia 25 de abril, como uma das grandes atrações do festival Somos Rock, na Arena Anhembi.
Como diz a expressão “quando tudo era mato” e a juventude trocou o grito pelo lamento, o niilismo pelo existencialismo e os spikes por sobretudos, eles pegaram uma bateria eletrônica Roland TR-66, apelidada de ‘Echo’, que acabou batizando o grupo, e o resto é história. Com o tempo, seus maiores singles começaram a se diluir, transformando a densidade do subgênero em algo mais radiofônico e popular. Isso ficou evidente no álbum homônimo de 1987, que foi massacrado pela crítica especializada, mas carrega um de seus maiores hits chicletes: a música “Lips Like Sugar”.
Foi nessa época que fizeram sua estreia triunfal no Brasil, realizando não só um show até hoje elogiado pela banda, como também gravações no Rio de Janeiro para o vídeo promocional de “The Game”, com os integrantes se aventurando pelos Arcos da Lapa e pelo Cristo Redentor.
Em entrevista concedida a Lúcio Ribeiro para a Folha de S.Paulo, em 1999, Ian McCulloch foi enfático ao comentar que a primeira aterrissagem no país, no auge do sucesso, foi extremamente positiva. Não apenas pelo show, mas pela receptividade do público brasileiro, que ele enfileirou entre os melhores do mundo, ao lado de escoceses e italianos. Dando um salto temporal dessa primeira impressão até os dias atuais, a banda se prepara para sua sétima vez no país. Como o próprio público diz: ‘’já pode tirar o CPF’’.
As interpretações de outros clássicos no repertório
Apesar da pose de McCulloch, nem mesmo uma das figuras mais ácidas e ferinas do post-punk fica imune aos clássicos. Seja para “fazer uma versão melhor” ou simplesmente demonstrar suas referências, é costume que os shows do Echo and the Bunnymen tragam covers se entrelaçando em suas próprias músicas – algo como uma interpolação sem ser uma interpolação.
A começar por “People Are Strange”, do The Doors, que foi regravada e integrada à narrativa dos vampiros modernos e ainda mais marginalizados de Os Garotos Perdidos (1987), mas essa não foi a única interpretação da banda. Em seus shows, eles unem deliberadamente uma música a outra.
Na turnê de 2026, o repertório segue quase sem surpresas, exceto pela união da balada de resignação “Nothing Lasts Forever” com as desventuras de Lou Reed em “Walk on the Wild Side”, e de “Villiers Terrace” com outro clássico do Doors, “Roadhouse Blues”. Anteriormente, eles já tocaram “Run Run Run”, “I’m Waiting for the Man” e ‘’Heroin’’, do Velvet Underground, além de homenagens a Bob Dylan, James Brown e David Bowie.
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