Drowned está de volta com uma porrada certeira nas políticas genocidas assumidas por líderes mundiais, sem disfarçar a crítica visceral e urgente ao governo de Jair Bolsonaro no Brasil em “Hail, Captain Genocide!”, uma faixa matadora e frenética inspirada pela pandemia. 

A banda mineira de death e thrash metal escolheu esta segunda-feira, 15 de novembro, para lançar o primeiro single do próximo álbum de estúdio, sucessor de 7th (2018). A música é uma crítica contundente aos políticos que assumem posturas prejudiciais ao bem comum, sem poupar apoiadores destas figuras. 

No clipe, a banda não economizou nas referências ao atual presidente brasileiro, com menções à cloroquina, defesa do porte de armas e o uso da religião como escudo. “Quem aplaude esse genecídio pode ser pior que um assassino”, diz a letra poderosa.

Liderada por Fernando Lima, vocalista desde 1998, a banda retornou à formação dos primeiros álbuns nos últimos – e assim se solidificou, com Beto Loureiro (bateria), Rodrigo Nunes (baixo), e os guitarristas Marcos Amorim e Rafael Porto, para o retorno com o oitavo álbum de estúdio da carreira. 

Chamado Recipe of Hate, o novo álbum do Drowned ainda não tem data de lançamento definida, mas está previsto para março de 2022 via Cogumelo Records. A tracklist ainda está sendo montada, mas a banda adiantou, em entrevista ao Wikimetal, que o disco terá de 8 a 10 faixas, dentre as quais os títulos “Salute Stupidity”, “Disorder/Hate/Destroy” e “D.H.M.G.” estão na lista, prometendo um disco consistente, forte e atual, sem fugir dos comentários sobre política. “Será um dos nossos melhores”, adiantou o vocalista Fernando.  Veja a entrevista na íntegra abaixo. 

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Wikimetal: Como a pandemia influenciou esse momento criativo da banda?

Fernando (Drowned): A pandemia por si só já é um cenário cantado amplamente por bandas de metal. Não bastasse, ainda nos encontramos nesse desgoverno que dificultou tudo ainda mais, então o que não nos faltou foi inspiração! Aliado a todo esse cenário, compomos tudo em isolamento, fizemos todo o trabalho cada um de sua casa, assim, podemos dizer que, se tem um trabalho nosso totalmente focado e inspirado no momento atual, é esse.

WM: As referências ao governo Bolsonaro ficam evidentes no clipe. Vocês acreditam que a música tem o dever de falar sobre política?

FD: A música em si, não achamos que tenha o dever de falar de política. Mas acreditamos que o metal é um estilo que está conectado, desde o nascimento, ao levante contra padrões, contra o estado das coisas e sobretudo é inconformado com o que há de errado. A linguagem do metal autêntica é essa. O rock é um estilo contestador, não é estilo adorador de nada. Vivemos um momento muito difícil no Brasil, que nunca foi um País das Maravilhas. Vivemos um momento de desconstrução dos poucos avanços civilizatórios. O ser humano é essencialmente político, ainda que nem saiba. Política só faz sentido se há busca pelo bem-estar da coletividade, senão é só um negócio como qualquer outro, com objetivo de ganho de poucos em detrimento da maioria. Assim, achamos que o músico pode falar do que quiser em seus trabalhos, se o fizer sem prejudicar as pessoas. A discussão de hoje para não se falar de política em música é muito simples: um grupo de rock, se for autêntico, se for falar de algum tema político, tem por dever moral xingar o que rola no Brasil e no mundo. E a política bolsonarista, por ter um viés totalitário, não é admitida. Mas estamos cagando e andando, desde que começamos, criticamos todos os governos, inclusive norte-americanos.

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WM: Fãs de metal possuem maior dificuldade de aceitar esse tipo de temática nas músicas?

FD: Com o envelhecimento do público de metal, muitos adotaram posturas conservadoras que conflitam com praticamente tudo o que baseou o metal. Talvez para estes seja difícil absorver o que sempre esteve na grande maioria dos discos de rock. Porém, felizmente, parecem ser a minoria.

WM: Quais os maiores desafios de fazer esse novo disco?

FD: O maior desafio para fazer o disco é tentar trabalhar com consistência durante uma pandemia, mas acho que nos saímos muito melhor do que imaginávamos, ganhamos em muitos aspectos e perdemos em poucos, o balanço foi muito positivo, a nosso ver. Parte desse aprendizado certamente será usado em trabalhos futuros.

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