Em uma série de entrevistas recentes a veículos como SPIN.com e Rolling Stone, Dave Mustaine abriu o coração sobre seu atual momento com os membros do Metallica. Mais do que apenas respeitar o passado, o líder do Megadeth afirmou categoricamente que nutre um sentimento profundo pelos ex-companheiros de banda.
“Estamos constantemente trabalhando para melhorar nossa relação, eu, o James Hetfield e o Lars Ulrich. Eu realmente amo esses caras”, revelou Dave. Segundo o músico, as intensas brigas que marcaram as últimas quatro décadas tiveram um motivo inesperado: “A razão pela qual brigamos tanto foi porque eu sentia falta deles. A ideia de ter que sair da banda foi algo difícil de processar na época”.
Homenagem no novo álbum do Megadeth
Essa nova fase de paz está registrada no próximo lançamento do grupo, o álbum intitulado apenas Megadeth, que chega ao público nesta sexta-feira, 23. O disco conta com uma versão de “Ride The Lightning”, faixa-título do álbum de 1984 do Metallica, na qual Mustaine possui créditos de composição.
Para Dave, gravar essa música não foi um cover comum, mas uma forma de honrar a criação que ele dividiu com James. “Quis fechar o círculo e mostrar meu respeito. O James é um guitarrista excepcional e o Lars é um arranjador e compositor fantástico”, declarou à Guitar World. Na nova versão, o Megadeth acelerou o andamento e trouxe uma sonoridade mais moderna, com solos divididos entre Mustaine e o guitarrista Teemu Mäntysaari.
Dave Mustaine e a busca pela verdade histórica
Apesar do tom afetuoso, Mustaine não fugiu de temas polêmicos. Ele relembrou que a reconciliação passa por alinhar as memórias do passado. Em conversas com Hetfield, Dave sugeriu que, entre a versão de cada um, existe “a verdade”. Esse diálogo busca resolver impasses antigos, como o lançamento da demo “No Life ‘Til Leather”, que segue engavetado por disputas de créditos de publicação envolvendo Lars Ulrich.
Dave detalhou que, embora o consumo excessivo de álcool tenha rendido o apelido de “Alcoholica” à banda nos anos 80, sua demissão em 1983 foi motivada por episódios de violência. Ele relembrou o famoso soco em James após o vocalista chutar sua cadela durante um ensaio, além de brigas em bares onde ele agia como o “campeão da justiça”.
Destino e legado no Metal
Relembrando o início, Dave contou como entrou para o grupo após ver um anúncio no jornal The Recycler. Ele recordou com admiração o momento em que viu James Hetfield deixar de ser apenas um cantor para se tornar um “monstro” na guitarra.
“Quando começamos a tocar, James [Hetfield] só cantava. Mas um dia decidimos contratar um segundo guitarrista e fizemos um show no Whisky a Go Go [em Los Angeles] — [depois de] termos feito vários shows só eu, James, Ron e Lars [Ulrich na bateria]”, conta.
“Fizemos um show com esse cara [novo], e ele estava com um brinco de pena enorme. Olhei para ele e pensei: ‘Opa, alguém não vai ficar aqui por muito tempo’. Então, no próximo ensaio, ele não estava lá e James estava tocando guitarra, e estava tocando tão bem quanto toca agora. E eu pensei: de onde veio isso? Fiquei muito feliz pela banda, porque ele era ótimo.”
Mesmo afirmando que escreveu partes de clássicos como “Metal Militia”, “Phantom Lord” e riffs de “Leper Messiah” (do disco Master Of Puppets) sem receber todos os créditos, Mustaine prefere focar no impacto que causaram. “A forma como tocamos guitarra no Metallica mudou o mundo. Quero que meus dias agora sejam marcados por atos respeitáveis”, concluiu.
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