Uma matéria publicada pelo jornalista Demétrio Vecchioli, do Portal Metrópoles, revelou que bandas de rock desconhecidas, formadas recentemente e sem material autoral, receberam cachês superfaturados da Prefeitura de São Paulo em uma ação que passou a ser foco do Tribunal de Contas do Município (TCM).

A denúncia aponta que quatro bandas de rock ligadas ao produtor e dono do Rock FunFest, Fabrício Raveli, foram contratadas ao menos 73 vezes pela administração municipal nos últimos 15 meses e juntos, os cachês ultrapassam a marca de R$ 2,3 milhões.

Dentre elas, destaca-se a banda MotorRockBr, criada no final de 2024, cuja formação conta com cinco músicos sem grande renome na cena e que, um ano e meio depois, possui apenas cerca de 330 seguidores em suas redes sociais. Segundo a reportagem, o grupo recebeu R$ 828 mil da Prefeitura para a realização de 30 shows sem nunca ter lançado uma música autoral, mas sua contratação se dava sob a justificativa de “artistas consagrados”.

Para cada apresentação, a banda chegava a cobrar R$ 30 mil — valor equivalente ao pago a grandes nomes da música brasileira durante a Virada Cultural, e mais de quatro vezes a quantia sugerida pela Tabela de Referência da Secretaria Municipal de Cultura para um quinteto.

Contratação das bandas se dava por meio de notas fiscais de “eventos corporativos”

Segundo a matéria, há duas formas de pagar um cachê por meio de uma contratação pública: a tabela padrão (cerca de R$ 6,5 mil para bandas de quatro a cinco músicos) ou o valor definido pelo próprio artista, desde que ele comprove “consagração pela crítica ou pelo público”, conforme investigação feita pela vereadora Luana Santos.

Como as bandas ligadas a Raveli (MotorRockBr, Black Tie, Rockfun Legends e Névula) nunca lançaram álbuns, não somam 1,5 mil seguidores juntas e não possuem histórico de contratação por outros órgãos públicos, a manobra para inflar os valores acontecia por meio de notas fiscais de “eventos corporativos”.

Representadas pela agência J7 (anteriormente chamada Agência RVL e ligada ao próprio Raveli), as bandas apresentavam notas de shows privados emitidas para microempresas de parceiros de negócios do produtor, além de cachês em casas de shows pequenas, como R$ 45 mil por uma apresentação de 60 minutos no Santo Rock Bar, localizado em Santo André, na região metropolitana de São Paulo.

Relações familiares e shows em horários incomuns

A investigação apontou que as apresentações bancadas pela Secretaria Municipal de Cultura contavam com estrutura direta da São Paulo Turismo (SPTuris), uma vez que a gerência de eventos da empresa era comandada por Rodrigo Raveli, irmão de Fabrício e ambos sobrinhos de Élcita Raveli, principal assessora do presidente do Tribunal de Contas do Município (TCM), Domingos Dissei.

Por conta disso, a banda RockFun Legends chegou a receber R$ 45 mil para um show que não teve divulgação prévia, realizado às 17h de uma terça-feira, em um centro cultural da Prefeitura. Já a MotorRockBr faturou R$ 30 mil para se apresentar na estação da Sé durante o horário de pico.

Fabrício Raveli também criou a ONG “Associação Consciência Cultural”, apresentada por ele como a “solução” para o problema da cena rock em São Paulo: existem mais bandas do que público e dinheiro para bancar as apresentações. Com isso, bandas eram convidadas para tocar nos festivais do produtor por cachês menores (R$ 6,5 mil) e precisavam comparecer em eventos organizados por ele, enquanto suas bandas embolsavam o cachê de atração principal (R$ 30 mil) tocando apenas covers.

O que dizem os envolvidos

A partir da denúncia levada ao TCM, foi aberto um inquérito para investigar os contratos. A auditoria identificou que as provas de “consagração artística” eram apenas materiais de divulgação preparados pelas próprias agências, além da total ausência de divulgação prévia ou provas de que os espetáculos realmente aconteceram.

A Prefeitura de São Paulo informou que Rodrigo Raveli foi afastado da SPTuris até a conclusão da apuração da Controladoria Geral do Município (CGM). Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa alegou que “não há qualquer influência externa na escolha dos artistas contratados” e que as decisões passam por áreas técnicas baseadas no Portal Nacional de Contratações Públicas, onde as bandas da agência sequer aparecem.

Procurado pela reportagem original, o produtor Fabrício Raveli não comentou as acusações, mas deletou as redes sociais de um de seus eventos e da ONG utilizada nas negociações. O inquérito do TCM aguarda o voto do relator Eduardo Tuma para ser levado a plenário.

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Estudante de Jornalismo e fã de Rock e principalmente Heavy Metal, gosta de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Seu primeiro contato com a música pesada veio ao jogar Guitar Hero e de lá nunca mais parou. Sempre gostou de escrever e tem a música como uma de suas paixões. Dentro do meio, tem Steve Harris, Bruce Dickinson, Rob Halford e Ozzy Osbourne como seus ídolos.