Há exatos 25 anos, o MTV Unplugged in New York do Nirvana ocupava as estantes das maiores lojas do mundo em CD, fita cassete e VHS. Nessa época, Kurt Cobain já havia nos deixado há quase sete meses e o lançamento pareceu uma cerimônia de despedida ao vocalista.

O palco da Sony Studio estava decorado com flores e velas para remeter ao “cenário de funeral” que Cobain pediu aos produtores do programa. Mas isso era apenas um detalhe entre tantos outros que deixaram a apresentação com cara de despedida. O violão que Cobain segurava ecoava versões sentimentais de “All Apologies”, “Come As You Are” e covers de bandas que o músico admirava como Meat Puppets, The Vaselines e Lead Belly.

Em 1993, um período pré-rede social, os sortudos que conseguiram ir à gravação não sabiam o que esperar. Hoje, com o acesso à informação que temos, sabemos que naquele dia Kurt Cobain estava sofrendo de abstinência e estava em um dos seus piores momentos. Naquele momento a única coisa que era de conhecimento público era a dor e o descontento que sentia de ser um rock star, mas nada disso o impediu de entregar uma das apresentações mais icônicas da história da música.

O programa Unplugged não era apenas um programa de televisão e sim uma grande e importante etapa no plano de marketing das gravadoras. Paul McCartney, Eric Clapton, Neil Young e Aerosmith foram alguns dos nomes que passaram pelo estúdio para divulgar um disco recém-lançado. Com isso em mente, muitos acreditaram que o Nirvana apresentaria os grandes sucessos do In Utero, que havia sido lançado um mês antes.

Graças à internet, agora sabemos que essa ideia nem havia passado pela cabeça dos integrantes da banda. Dave Grohl revelou anos depois que eles estavam decididos a apresentar algo diferente: “Assistimos muitos episódios do Unplugged em que os grupos tocavam suas músicas em versões acústicas, sem mudar nada, como se estivesse fazendo um show acústico no Madison Square Garden”. E de fato o Nirvana inovou.

Ao contrário do que todos imaginavam na época, eles entregaram um setlist composto de apenas alguns dos seus hits e muitos covers. Além disso, eles convidaram Cris e Curt Kirwook do Meat Puppets para tocar “Plateau”, “Oh, Me” e “Lake of Fire”, enquanto os produtores da MTV esperavam que Eddie Vedder, do Pearl Jam, acompanhassem a banda em “Come As You Are” ou algum outro sucesso.

Claro, sabemos que Kurt Cobain não podia se importar menos com o que os outros pensavam, mas ao mesmo tempo ele estava preocupadíssimo com entregar as covers com perfeição. “The Man Who Sold the World”, de David Bowie, ganhou uma releitura incrível e emocionante após o desabafo do cantor: “Espero que eu não estrague essa música”. Nesse momento do show, Cobain já havia entrado em sua própria mente e criado um mundo seu. O que ninguém sabia era que aquela foi a última vez que teriam a oportunidade de caminhar pelos seus pensamentos sombrios e pesados.

Para aqueles que nasceram em um mundo já sem Kurt Cobain – como essa quem escreve -, o MTV Unplugged não foi apenas uma despedida mas também uma introdução ao grunge. A sinceridade, a grosseria e a angústia de uma geração sendo expressados de outra forma além do som pesado e grosso do punk dos anos 1980.

Considerado um dos melhores discos ao vivo, o Unplugged mostrava o que Cobain sentia cinco meses antes de cometer suicídio. “Where Did You Sleep Last Night” foi difícil de ser interpretada, pois o cantor já havia gastado toda sua energia, mas a última canção do set foi apresentada perfeitamente. A música era a salvação de Kurt Cobain, até que deixou de ser.

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