O baterista Matt Nicholls falou, em entrevista para o Wikimetal, sobre a nova fase da banda

Quem ouvia os berros desesperados de Oli Sykes na fase death core do Bring Me The Horizon nunca imaginaria um disco como amo, lançado no começo de 2019. O instrumental pesado deu lugar às composições mais melódicas, com muita influência do pop e do eletrônico. Os cabelos desgrenhados do vocalista hoje são descoloridos, e a roupa que era preta, hoje é clara e estampada com flores. Saídos do underground do metal, os integrantes da banda agora mais parecem frequentadores de baladas alternativas.

Mas, analisada a progressão de cada álbum do Bring Me, o choque não é tão grande. Em cada disco, a sonoridade foi mudando, evoluindo, acrescentando elementos mais modernos. A típica característica de uma banda que não gosta de ficar estática.

Matt Nicholls, baterista do grupo, tirou um tempo entre ser indicado ao Grammy, lançar um disco e ver este se tornar o número um em vendas no Reino Unido, para conversar com o Wikimetal. “Nós queríamos fazer algo diferente, tentar coisas diferentes”, explicou, “Mas nunca conversamos sobre qual som exatamente queríamos. Apenas saiu do jeito que saiu”.

Para ele, essa mudança é algo natural. Afinal, se a banda não quer mais fazer o som que fazia antes, por que não deveria mudar? “Nós queríamos ser uma banda de metal, por isso escrevíamos aquelas músicas. Mas, quando crescemos, começamos a experimentar outras influências que tínhamos”. O pop, o hip hop e o eletrônico sempre tocaram nos fones de ouvidos dos integrantes.

É nítido que amo pega influências de lugares muito diferentes. Já entre as cinco primeiras músicas, temos uma eletrônica sombria com a participação da cantora Grimes e um metalcore auxiliado por Dani Filth, do Cradle of Filth. A eletrônica, “nihilist blues”, é a faixa mais ousada que a banda já fez. E, segundo Matt, “surgiu como qualquer outra música do disco”. Com o bônus de que a cantora sempre esteve na lista de artistas com os quais a banda gostaria de colaborar.

A frase que mais parece definir o estágio em que a banda está nesse momento, aparece na faixa ironicamente intitulada “heavy metal”. “Porque isso não é heavy metal, mas tudo bem”, canta Oli Sykes, como uma provocação aos fãs do gênero. Nicholls conta que eles nunca se preocuparam em como o público receberia o novo som. “Somos uma banda que gosta de mudar, arriscar. É assim que somos, é assim que gostamos de fazer”, enfatizou o baterista. “Se você é fã de heavy metal, você pode ouvir o nosso som antigo, ou procurar outras bandas que ainda são desse gênero. Não tem como agradar todo mundo. É o que é.”

Com a discussão sobre a morte do rock e coisas do tipo, essa atitude parecer ser o caminho encontrado pela banda para se manter relevante. “O rock está estável. Existe uma falta de criatividade e de pessoas que tomem riscos. Parece que as bandas estão dando um passo para trás para ficarem confortáveis fazendo o que sabem. Acho que as pessoas precisam abrir um pouco a mente”, contextualizou Matt.

Nada melhor para essa fase do Bring Me The Horizon do que se apresentar em um festival eclético. A banda tocará no Lollapalooza Brasil no dia 6 de abril. A setlist promete ser um combinado dos pontos altos da carreira do grupo. “Encaixar as músicas de amo no set não foi difícil. Nós sempre usamos muitos elementos eletrônicos ao vivo; interlúdios e tudo. Os fãs já estão acostumados. Funcionou muito bem”.

Criticamente bem aceito, amo demonstra a maturidade e ecleticidade de uma banda que sabe o quer. Matt pondera: “Esse álbum foi muito difícil de fazer. Colocamos muito trabalho nele, muito esforço. É bom agora sentar e relaxar. Ver que compensou. Significa muito para nós ter feito um bom trabalho.”

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