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Uma das características que se destaca nesse estilo é a velocidade. No entanto, o que vemos agora é uma onda de “versões acústicas” sendo lançadas pelas próprias bandas”

por Rosa Moraes

Sim, já estou velha o suficiente para falar “no meu tempo…”!

Nessa época, Stratovarius, Helloween, Sonata Arctica, Blind Guardian, Angra e afins eram nossos “Deuses” do metal. Melodic Metal, Power Metal, Symphonic Metal, Speed Metal- eu sei lá como se classificam essas bandas e, quer saber? Acho que nunca soube. Sei que vai ter gente me crucificando pra caramba por isso e um tanto de outras coisas mais que eu vou escrever daqui em diante, mas, whatever, tô velha o suficiente pra não dar a mínima pra isso.

Uma das características que se destaca nesse(s) estilo(s) sempre foi a velocidade, marcada por uma bateria alucinante (ok, esse termo é horrível, mas não encontrei descrição mais precisa). E no entanto, o que vemos agora é uma onda de “versões acústicas” sendo lançadas pelas próprias bandas: as mesmas que lotavam as casas de shows de fãs alucinados (!!), durante suas turnês pelo Brasil no início dos anos 2000 (ou será que já sou velha o suficiente também pra dizer “na virada do milênio”? 😉 ).

Pensei nisso quando vi o anúncio para os shows acústicos do Grave Digger este ano, aqui no Brasil. E me lembrei do divertidíssimo “Unarmed”, álbum comemorativo lançado pelo Helloween em 2010, com seus maiores sucessos regravados em versões acústicas e sinfônicas. Eu adoro aquele álbum, sério! Minha favorita com certeza é “I Want Out”. Fico sonhando com o Andi Deris vestido de Paquita.

Uma das mais surpreendentes parcerias do “heavy banquinho e violão” foi a criada pelo vocalista Timo Kotipelto- frontman da icônica Stratovarius – com o guitarrista Jani Liimatainen, que há dez anos era considerado um fenômeno com seu trabalho no Sonata Arctica. Eles já se apresentavam em bares e restaurantes da Finlândia com suas versões e covers acústicos há alguns anos, mas apenas no final de 2012 foi lançado o “Blackoustic”, CD que reúne algumas das músicas de seu repertório ao vivo, incluindo sucessos do Stratovarius como “Black Diamond”, “My Selene”, do Sonata Arctica, e covers como “Behind Blue Eyes”, clássico de Pete Townshend. Pessoalmente, eu recomendo a todo fã de Stratovarius que escute a versão acústica de “Speed of Light” e tente discordar que esta é uma faixa que nasceu para ser acústica. A versão trazida pelo “Blackoustic” tem uma atmosfera bem diferente da original, o que chega até a trazer uma nova luz sobre a letra. Minha palavra de fã “old school”: imperdível.

Outro destaque fica por conta da única faixa inédita do álbum, a canção “Where My Rainbow Ends”, escrita e composta por Liimatainen: uma balada muito bonita, que demonstra o quanto Jani cresceu como músico após sua saída do Sonata Arctica. Embora seus projetos tenham passado a ter menos projeção no exterior, notícias recentes sobre seu trabalho sempre apareceram de forma discreta. A música “Lost”, que classificou a “boy band” finlandesa Arion para as finais do Eurovision, é de autoria dele. A letra traz uma abordagem delicada à questão do abuso infantil doméstico, e foi escrita especialmente tendo em vista um tema que fosse capaz de identificar-se com a banda e seu público (jovens de 12 a 20 e poucos anos, que se fossem brasileiras provavelmente estariam ouvindo Restart). Mas não se engane: lá até as bandas de adolescentes são bem diferentes daqui. Então, finja que não viu aquilo que eu escrevi sobre “boy band” e confira o trabalho do Arion.

Voltando ao “Blackoustic”, ele só tem um “defeitinho”: não foi lançado em versão brasileira (ainda). É possível comprar pela internet, e até encontrar merchandise oficial da dupla , sertanejamente nomeada “Kotipelto & Liimatainen” (não, eu não estou brincando). Mas piadas à parte, particularmente não consigo entender como um projeto desses passa despercebido até entre antigos “fissurados” em Metal made in Finland. Timo Kotipelto tem vinda confirmada para o Brasil em maio, com a turnê de lançamento do novo álbum do Stratovarius, “Nemesis”. Do qual, inclusive , Liimatainen também tem certa colaboração. Mas o show acústico que lota os mais variados barzinhos da Finlândia ainda não tem previsão de aterrisar por aqui, embora os músicos apareçam empolgados com a possibilidade de uma turnê pela América do Sul, no trailer oficial de lançamento do CD.

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