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Lynyrd Skynyrd. Crédito: Divulgação

Lynyrd Skynyrd. Crédito: Divulgação

Relembre o acidente aéreo que marcou para sempre Lynyrd Skynyrd

Em 20 de outubro de 1977, o rock perdia uma das maiores bandas da década

Em 20 de outubro de 1977, o mundo do rock sofreu uma de suas maiores perdas. Um acidente aéreo interrompeu bruscamente a ascensão meteórica do Lynyrd Skynyrd, que vivia o auge da carreira. A queda da aeronave não apenas tirou a vida de integrantes fundamentais, como também redefiniu o futuro da banda, tornando-se um dos episódios mais trágicos da história da música.

Liderado por Ronnie Van Zant, o Lynyrd Skynyrd era um dos principais nomes do southern rock, com músicas que rapidamente se tornaram clássicos como “Simple Man”, “Free Bird” e “Sweet Home Alabama”. Poucos dias antes do acidente, haviam lançado o quinto álbum da carreira, Street Survivors, impulsionado por turnês intensas e crescente popularidade nos Estados Unidos.

O acidente fatal

A tragédia ocorreu durante um voo fretado a bordo da aeronave Convair CV-240, que partiu de Greenville, na Carolina do Sul, com destino a Baton Rouge, na Louisiana. Durante o trajeto, o avião começou a apresentar problemas graves. Investigações posteriores apontaram que a aeronave ficou sem combustível e, sem condições de continuar, os pilotos tentaram realizar um pouso de emergência, mas o avião acabou caindo em uma área florestal próxima à cidade de Gillsburg, no Mississippi.

Das 26 pessoas a bordo, seis morreram. Entre as vítimas estavam três integrantes fundamentais: o principal compositor e líder do grupo, Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines e sua irmã e backing vocal Cassie Gaines. Também morreram na hora os dois pilotos e o assistente de produção, Dean Kilpatrick.

Apesar do impacto da queda, 20 pessoas sobreviveram; muitas com ferimentos graves. Entre elas estavam os guitarristas Gary Rossington, que sofreu fraturas nas pernas, braços e tornozelos, e teve que passar por uma longa reabilitação, e Allen Collins, que quebrou duas vértebras do pescoço e sofreu ferimentos graves no braço direito, escapando da amputação. Além do baterista Artimus Pyle, primeiro que conseguiu deixar o local para pedir ajuda. Sobrevivente do acidente, e único membro original vivo até hoje, Pyle deixou o Lynyrd Skynyrd em 1991 e formou seu próprio grupo, Artimus Pyle Band, preservando a sonoridade original e homenageando o legado da banda, em vez de integrar a versão atual. 

Meses depois, foi revelado que o Aerosmith chegou a avaliar a mesma aeronave para a turnê Draw the Line, mas descartou seu uso por considerar o avião e a tripulação inadequados. A equipe do Aerosmith ficou profundamente impactada ao saber do acidente, especialmente porque Steven Tyler e Joe Perry haviam insistido com seus empresários para utilizar justamente aquela aeronave na turnê norte-americana de 1977 [via rádio 100.3 Wheb].

Meses após o acidente

Um detalhe que marcou aquele momento foi a coincidência envolvendo o álbum Street Survivors. A capa original mostrava os integrantes da banda cercados por chamas, imagem que, após o acidente, foi considerada perturbadora. A gravadora decidiu substituí-la por outra arte mais neutra, em respeito às vítimas e às suas famílias.

Em novembro de 1977, Billy Powell relembrou o acidente em detalhes durante uma entrevista à Rolling Stone.

“Tínhamos decidido na noite anterior que definitivamente nos livraríamos do avião em Baton Rouge. Então começamos a festejar para comemorar o último voo. O motor direito começou a falhar e eu fui até a cabine de comando. O piloto disse que estavam apenas transferindo óleo de uma asa para a outra, que estava tudo bem. Mais tarde, o motor parou de vez. Artimus [Pyle] e eu corremos para a cabine. O piloto estava em choque. Ele disse: ‘Meu Deus, apertem os cintos!’” Ronnie [Van Zant] estava dormindo no chão e Artimus o acordou, e ele estava muito irritado.” 

“Colocamos os cintos de segurança e, um minuto depois, caímos. O piloto disse que estava tentando pousar em um campo, mas eu não vi nenhum. As árvores continuavam se aproximando, ficando cada vez maiores. Então, ouviu-se um som como se alguém estivesse batendo na parte externa do avião com centenas de tacos de beisebol. Eu bati em uma mesa; pessoas foram atingidas por objetos voadores por todo o avião. Ronnie morreu com um único traumatismo craniano. A parte superior do avião foi rasgada. Artimus saiu rastejando por cima e disse que havia um pântano, talvez com jacarés. Eu chutei a saída e procurei minhas mãos — elas ainda estavam lá. Procurei meu nariz e não estava lá, estava na lateral do meu rosto. Houve apenas silêncio. Artimus, Ken Peden e eu corremos para buscar ajuda. Artimus estava com as costelas expostas”.

Segundo uma investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), concluiu-se que a causa provável do acidente foi “esgotamento de combustível e perda total de potência de ambos os motores devido à falta de atenção da tripulação ao abastecimento de combustível”. O relatório do NTSB observou que a tripulação havia sido “negligente ou ignorante” em relação à rápida queima de combustível, pois não a monitorou adequadamente no início do voo.

O retorno do Lynyrd Skynyrd aos palcos

Com a morte de membros essenciais e o trauma coletivo, o Lynyrd Skynyrd encerrou suas atividades pouco depois do acidente. O grupo permaneceu inativo por cerca de uma década, mas em 1987, sobreviventes e antigos membros decidiram retomar o legado da banda em uma turnê de homenagem. O vocal passou a ser assumido por Johnny Van Zant, irmão mais novo de Ronnie. 

Em meio a processos judiciais e novas mudanças na formação, os integrantes Artimus Pyle, Billy Powell, Leon Wilkeson e Ed King deixaram a banda meses depois. Eles retornaram apenas em 1991, mas deixaram o grupo novamente anos depois. Ainda assim, Lynyrd Skynyrd manteve sua produção ativa, lançando nove álbuns entre 1991 e 2012.

Ao longo de toda essa trajetória, o guitarrista Gary Rossington permaneceu como o único integrante presente em todas as fases, até sua morte em março de 2023, aos 71 anos.

A tragédia também inspirou produções audiovisuais ao longo dos anos. Um dos principais registros é o filme Street Survivors: The True Story of the Lynyrd Skynyrd Plane Crash, lançado em 2020. A obra apresenta os acontecimentos sob a perspectiva de Artimus Pyle e busca reconstruir os momentos antecedidos e sucedidos do acidente, oferecendo uma visão mais pessoal da tragédia.

Em 2018, o grupo anunciou uma turnê de despedida, embora continue na ativa e com apresentações agendadas, sem confirmação de encerramento definitivo. A estreia da banda no Brasil aconteceu em setembro de 2023, com shows no Jaguariúna Rodeo Festival e no Espaço Unimed. No último sábado, 04, Lynyrd Skynyrd se apresentou no Monsters of Rock, em São Paulo, e segue com a turnê pelo Brasil.

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