Airbourne está de volta à ativa com o primeiro álbum inédito em seis anos. Cheio de atitude e determinação, o disco, intitulado Airbourne, será lançado no dia 28 de agosto pela gravadora Spinefarm Records.
Para Joel O’Keeffe, vocalista e guitarrista principal, seu irmão Ryan na bateria, o baixista Justin Street e o recém-contratado Brett Tyrrell na guitarra base, o disco destaca poderosamente tudo o que eles representam: um compromisso de sangue e suor com a causa do rock ‘n’ roll e um desejo ardente de homenagear os verdadeiros heróis do gênero.
Em entrevista ao Wikimetal, Ryan O’Keeffe falou sobre o novo trabalho, sucessor de Boneshaker (2019). Contou os conselhos que Lemmy Kilmister e o produtor Mike Fraser deram à banda, e como foi a apresentação no Eddfest, festival produzido pelo Iron Maiden.
Wikimetal: Depois de seis anos sem lançar material inédito, o que fez vocês perceberem que era a hora certa para um novo álbum?
Ryan O’Keeffe: Estávamos terminando a turnê antes da pandemia e, como a Austrália entrou em lockdown rigoroso, teria sido duas vezes mais difícil gravar um disco naquela época. Além disso, o clima no ar era bastante negativo. Então, nós optamos por fazer uma pequena pausa. E depois que tudo acabou, pensamos: “Bem, quando pudermos voltar para o estúdio, aí sim vamos realmente colocar nosso trabalho em prática”. E foi por isso que chamamos tantas pessoas para nos ajudar, como Brian Howes, Mike Fraser, entre outros.
WK: Sendo o sexto álbum de estúdio da carreira, por que escolheram dar o nome Airbourne justamente agora?
ROK: Acho que sentimos que este é o melhor trabalho que já fizemos. E é uma ótima variação do que a banda faz. Então, acho que uma coisa sobre este disco é que, se alguém ainda não conhece a banda, este seria o álbum que daríamos a essa pessoa para conhecê-la.
WK: Neste disco, vocês trabalharam com o Mike Fraser, que produziu os discos mais recentes do AC/DC, além de já ter trabalhado com o Metallica, Aerosmith, e outros nomes. Qual foi o melhor conselho que ele deu para vocês no estúdio, uma vez que ele conta com esse currículo repleto de grandes nomes do rock?
ROK: Sempre se divirtam. Sabe, quando você se diverte, isso transparece no disco. Então, acho que uma coisa sobre o Fraser foi: tentem não deixar o estresse afetar vocês. Ele era muito tranquilo, calmo e centrado porque faz isso há muito tempo. Então, ele acalmou os ânimos. O velho Moon era muito divertido. E isso ajudou a aliviar a tensão de tentar fazer um ótimo disco.
WK: Vocês anunciaram este novo álbum por meio de carta aberta ao Lemmy, e o single “Alive After Death” celebra ícones como ele, Bon Scott e John Bonham. O quanto dos conselhos que o Lemmy compartilhou com vocês ao longo dos anos está enraizado neste novo trabalho?
ROK: Lemmy sempre dizia para nos mantermos fiéis ao que fazemos. Você é um cara do rock and roll. Você ama rock and roll. Ele dizia que as pessoas da indústria poderiam querer mudar a banda, o que, no início, aconteceu. Algumas pessoas até tentaram sugerir que fizéssemos coisas diferentes do que fazíamos, mas… E, ao longo da carreira, você disse que as pessoas vêm e vão, mas, sabe, neste ramo, você só precisa se manter fiel ao que faz e ser você mesmo. Então, nunca nos esquecemos disso.
WK: Algumas semanas atrás, vocês se apresentaram no Eddfest, o festival do Iron Maiden lá em Knebworth; Como foi fazer parte desse evento histórico e qual foi a receptividade dos fãs da banda com a música de vocês?
ROK: Foi ótimo! Foi uma honra tocar com eles. Sou fã do Iron Maiden desde que me lembro. Então, foi muito bom. E tivemos a sorte de a plateia começar a gritar nosso nome após algumas músicas. Então, tivemos uma boa oportunidade. Já fizemos turnê com o Iron Maiden antes, então acho que muitos fãs do Maiden já viram nossa banda.
WK: Em 2021, a faixa “Back to the Game” entrou na trilha sonora da série Cobra Kai. O quão significativo foi ter uma música de vocês em uma dos programas de TV mais populares desta última década?
ROK: É sempre ótimo quando se consegue uma boa sincronização assim. Sei que no início costumávamos aparecer em muitos videogames, mas acho que Cobra Kai também usou “Break it out of Hell” e acho que também usaram “Running Wild”. Então, eles usaram algumas músicas e definitivamente acho que essa é uma das maneiras pelas quais algumas pessoas descobriram nossa banda, assistindo à série.
WK: Hoje em dia, vemos muitas bandas de rock tentando adicionar elementos modernos para soarem mais “atuais”. O Airbourne, por outro lado, continua sendo um expoente do rock ‘n’ roll clássico Vocês já sentiram alguma pressão externa para mudar ou “modernizar” o som de vocês ao longo da carreira?
ROK: Sim, no início, as pessoas meio que sugeriram que soássemos um pouco mais comerciais, talvez mais como o Nickelback ou algo assim, mas não é o caso. Eles são uma banda, são uma boa banda. É que tínhamos nosso próprio som e nos mantivemos fiéis a ele. E, sabe, acho que a modernização mais recente que fizemos foi ter caras como Zach Savini, que mixou o disco e ele é um mixador muito, muito bom, e permitiu que essas músicas se sustentassem. Sabe, mais músicas tocando no rádio.
WK: A banda não vem ao Brasil há 4 anos. Há alguma previsão do retorno ao brasil para shows?
ROK: Sim, eles estão trabalhando nisso agora. Não sei quando, mas em algum momento do ano que vem. Com certeza voltaremos.
WK: Os fãs brasileiros são conhecidos pela intensidade. Existe alguma apresentação ou história curiosa que aconteceu no Brasil que ainda seja lembrada entre vocês?
ROK: Acho que uma das lembranças que temos é que descobrimos que no Brasil eles cantam o riff junto com a banda. Eles gostam de cantar o riff. E a gente nunca tinha ouvido isso antes. Foi uma experiência reveladora quando eles estavam cantando o riff muito rápido.
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