Ícone do site Wikimetal
Rage Against the Machine, Nirvana, Hole e Metallica. Crédito: Reprodução

Rage Against the Machine, Nirvana, Hole e Metallica. Crédito: Reprodução

VMAs: 6 Momentos em que o rock tomou conta da premiação

O MTV Video Music Awards 2026 acontece neste domingo, 27, em Los Angeles, sem uma das principais categorias: Melhor Videoclipe de Rock,

O MTV Video Music Awards 2026 acontece neste domingo, 27, no Peacock Theater, em Los Angeles. A edição deste ano chega justamente em um momento simbólico para a relação entre MTV e rock. Pela primeira vez o estilo perdeu espaço no evento, já que a edição de 2026 não terá uma das principais categorias: Melhor Videoclipe de Rock, criada em 1989. 

A categoria passou por diferentes nomes ao longo da história. Em 1989, começou como Melhor Videoclipe de Heavy Metal. Depois, recebeu os nomes Melhor Vídeo de Metal/Hard Rock e Melhor Vídeo de Hard Rock. Em 1997, chegou ao formato conhecido como Melhor Videoclipe de Rock. Em 2017, a MTV retirou a palavra “Vídeo” das categorias de gênero e adotou simplesmente “Melhor Rock”.

A lista de vencedores inclui alguns dos maiores nomes do gênero. Guns N’ Roses ganhou a primeira edição, com “Sweet Child O’ Mine”. Aerosmith venceu quatro vezes. Metallica, Pearl Jam, Soundgarden, Korn, Linkin Park, Green Day e Foo Fighters também levaram o troféu. O último vencedor foi o Coldplay, com “All My Love”, na edição de 2025.

A ausência não significa que artistas ligados ao rock desapareceram completamente da premiação. O gênero ainda pode aparecer em categorias gerais ou técnicas, dependendo dos indicados. A decisão, porém, encerra uma das tradições mais antigas do VMA. Durante quase quatro décadas, a categoria de rock funcionou como uma das poucas portas fixas do gênero dentro da premiação da MTV. O site americano Loudwire entrou em contato com dois representantes da Paramount, empresa controladora da MTV, e eles confirmaram a retirada da categoria, porém, não deram mais explicações.

Em décadas anteriores, alguns dos momentos mais caóticos da premiação vieram justamente de artistas que pareciam incapazes de aceitar que o VMA deveria funcionar como uma cerimônia perfeitamente controlada. Se hoje o VMA é associado principalmente às grandes estrelas do pop, houve um período em que a transmissão ao vivo parecia oferecer aos roqueiros uma oportunidade irresistível: quebrar o roteiro.

O Wikimetal selecionou abaixo alguns dos momentos mais marcantes do rock no VMA:

Tim Commerford escalou o cenário após perder para o Limp Bizkit

Poucos episódios resumem melhor o espírito caótico dos VMAs do que o protagonizado por Tim Commerford, baixista do Rage Against the Machine, em 2000. Naquela noite, o prêmio de Best Rock Video foi para o Limp Bizkit, por “Break Stuff”. A banda concorria contra nomes como Creed, Kid Rock, Korn, Metallica e o próprio Rage Against the Machine, indicado por “Sleep Now in the Fire”.

Enquanto Fred Durst fazia seu discurso de agradecimento, Commerford subiu em uma estrutura do cenário com cerca de 15 metros de altura e se recusou a descer. A transmissão foi cortada para os comerciais enquanto os responsáveis pelo evento tentavam retirar o músico do local. Na época, segundo a ABC News, Commerford acabou sendo levado pela polícia, algemado, e passou a noite na cadeia. No dia seguinte, declarou-se culpado por conduta desordeira e foi liberado após cumprir o tempo de prisão.

Nirvana transformou uma briga com Axl Rose em espetáculo

Se existe uma edição capaz de competir com o caos de 2000, é a de 1992. Nos bastidores, membros do Nirvana se envolveram em uma tensão com Axl Rose, vocalista do Guns N’ Roses. O episódio começou após uma provocação envolvendo Courtney Love e a filha recém-nascida de Kurt Cobain, Frances Bean.

A rivalidade entre Axl Rose e Kurt Cobain já vinha de antes do MTV Video Music Awards. Os dois representavam lados bem diferentes do rock da época: o Guns N’ Roses era uma das maiores bandas do mundo, enquanto o Nirvana liderava a explosão do grunge. A tensão aumentou quando Axl criticou publicamente Kurt e Courtney Love, inclusive fazendo comentários sobre a filha do casal, Frances Bean. Cobain, por sua vez, passou a provocar o vocalista do Guns N’ Roses em entrevistas.

Quando as duas bandas se encontraram no VMA, em setembro de 1992, o clima já estava carregado. Nos bastidores, Courtney Love provocou Axl ao perguntar, ironicamente, se ele gostaria de ser o padrinho de Frances. Irritado, o vocalista teria mandado Kurt fazer Courtney parar: “Você cala a boca da sua mulher ou te derrubo no chão”. Cobain respondeu com ironia, o que aumentou a tensão entre os dois.

Ainda, na mesma ocasião, o Nirvana subiu ao palco. Durante “Lithium”, Kurt começou tocando os acordes de “Rape Me”, contrariando a expectativa da MTV, antes de entrar na música programada. No fim da apresentação, Krist jogou o baixo para o alto, mas o instrumento voltou e acertou sua própria cabeça.

Dave Grohl aproveitou o momento para provocar Axl, gritando: “Axl! Axl! Cadê você, Axl?!” A provocação continuou depois. Kurt chegou a cuspir em um piano que acreditava pertencer a Axl — mas o instrumento era, na verdade, de Elton John. Apesar de toda a tensão, Axl e Kurt não brigaram fisicamente, mas a noite ficou marcada pela sucessão de provocações que transformou o VMA de 1992 em um dos episódios mais caóticos da história da premiação.

Metallica ignorou as regras da MTV e levou punk ao VMA

Em 1996, o Metallica chegou ao MTV Europe Music Awards com uma missão aparentemente simples: apresentar “King Nothing”, faixa do álbum Load. A MTV, porém, teria imposto algumas condições à banda, incluindo evitar palavrões e seguir o repertório previamente combinado. A banda decidiu fazer justamente o contrário.

Em vez de tocar “King Nothing”, o Metallica entrou no palco e apresentou versões de “Last Caress”, dos Misfits, e “So What?”, do Anti-Nowhere League — músicas conhecidas pelas letras explícitas. A atitude irritou a MTV e a emissora passou a tratar o episódio como uma quebra grave das regras, chegando a suspender o Metallica de participações futuras por um período, além de sua apresentação ter sido removida de todas as reprises. O episódio ficou como um exemplo clássico do choque entre o controle televisivo da MTV e a disposição de grandes bandas de rock em ignorar o roteiro.

Courtney Love interrompeu uma entrevista com Madonna

Um dos momentos mais cômicos e famosos aconteceu em 1995, quando Courtney Love encontrou outra maneira de transformar o VMA em caos. Durante a pré-cerimônia, Madonna participou de uma entrevista conduzida pelo VJ Kurt Loder. A Rainha do pop falava sobre seu trabalho na época e Courtney Love começou a jogar seus estojos de pó compacto de maquiagem de baixo do palco elevado para chamar sua atenção.

Madonna demonstrou irritação e disse que “Courtney está desesperadamente precisando de atenção nesse momento”. A situação poderia ter terminado ali, mas Loder convidou Courtney Love para subir, resultando em uma conversa caótica, errática e constrangedora sobre sapatos, estilo de vida e celebridades, com Courtney interrompendo Madonna e desviando a entrevista para uma sequência de comentários desconexos. Não era uma apresentação musical, mas tinha tudo que tornou os VMAs dos anos 1990 tão imprevisíveis: uma transmissão ao vivo, uma estrela do rock e nenhuma garantia de que o roteiro seria seguido.

Marilyn Manson, Maneskin e a provocação visual

Em 1997, foi a vez de Marilyn Manson transformar o palco do VMA em espetáculo. O cantor encerrou a premiação com “The Beautiful People”, em uma apresentação deliberadamente teatral, onde Manson apareceu acompanhado por figuras caracterizadas como militares e utilizou um púlpito para construir uma imagem de autoridade e provocação. O visual também chamou atenção. A performance apostava no choque e na transgressão, incluindo o icônico figurino da era Antichrist Superstar que deixava as nádegas do cantor exposta diante das câmeras.

Outra provocação visual aconteceu mais recentemente, em 2022, décadas depois dos episódios mais caóticos dos anos 1990; o Måneskin mostrou que o rock ainda podia provocar a MTV. Durante a apresentação da banda italiana, o vocalista Damiano David usava um figurino que também deixava parte das nádegas à mostra. A situação ganhou outra dimensão quando o figurino da baixista Victoria De Angelis se deslocou durante a coreografia, deixando parte de seu corpo exposta.

A transmissão passou então a utilizar planos mais abertos e imagens da plateia durante o restante da performance, evitando mostrar Victoria em determinados momentos. Depois da apresentação, o Måneskin criticou publicamente a maneira como a MTV tratou a situação. Em entrevista à NME, o vocalista da banda acusou a premiação de censura e de adotar padrões diferentes para corpos masculinos e femininos “Isso mostra que ainda existem muitos, muitos preconceitos contra bandas de rock e contra mulheres. Há muito trabalho a ser feito e tentamos fazer a nossa parte”, disse David argumentando que a sua exposição não havia recebido o mesmo tratamento.

LEIA TAMBÉM: Família de Andre Matos pede para fãs não usarem IA com imagem do músico

Sair da versão mobile