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Ao invés de pensar somente em si mesmo, todos devem se voltar para o crescimento da cena e da própria evolução do Metal no mercado e na sociedade”

Por Bruno Melo

Ouvir músicas em smarthphones, tablets e outras plataformas digitais; fazer downloads em diversos sites e obter em primeira mão novidades de lançamentos de discos e shows através das redes sociais. Isso virou uma rotina de todo o fã de qualquer estilo música dessa nova geração conhecida como “Y”. Porém, nesta individualidade, não percebemos o quão trabalhoso é a criação do material que consumimos diariamente, não dando nenhum retorno financeiro e, até mesmo nenhum feedback aos responsáveis pela nossa satisfação diária.

Isso acontece por causa da volatilidade de consumo sobre as produções culturais, dentro de uma verdadeira “anarquia de produção”, ocasionada pela lógica de mercantilização da nossa economia globalizada. Ou seja, o nível de consumo atual é cada vez maior, assim como também a demanda por consumistas, para acompanhar o crescimento “monstruoso” da indústria fonográfica em seu formato digital. Sendo assim torna-se necessário que aconteçam mudanças significativas na estrutura econômica que proporciona nossos momentos de êxtase nos fones de ouvido, e também a circulação de capital para aqueles que resolvem se aventura nessa área, o que podemos dizer serem incontáveis músicos, produtores, empresários etc.

O Heavy Metal e o Rock’n Roll nos dias atuais passam por processos de mudanças que preocupam e desacreditam muitos de seus fãs, sobretudo os mais antigos. Bandas como Black Sabbath e AC/DC devem encerrar suas atividades assim que terminarem suas respectivas turnês, Motorhead já acabou após o trágico falecimento de Ian Fraiser Kilmister. Agora resta saber: quem irá ocupar os tronos dessas lendas? Quais músicas produzidas nos dias atuais poderão ser consideradas hinos mundiais? Já vimos nos últimos anos que existem bandas capazes de ocupar esses espaços, que possuem talento e competência para assumir o carro chefe de vanguarda da nova geração.

Sugiro algo simples: uma mudança de postura de todos aqueles que se envolvem com a indústria seja de maneira passiva ou ativamente”

Mas aí retomamos ao aspecto econômico; atualmente uma música não dura mais tanto tempo no topo das paradas de sucesso (popularidade) como as de antigamente. Isso por causa do fluxo de consumo cada vez mais rápido e na divulgação de uma enorme quantidade de artistas. Fazendo com que o “entra e sai” de bandas e músicas nas listas de mais populares seja muito frequente, e não haja um foco para quem irá se consolidar e manter a produção na indústria. É diante desse problema que eu sugiro algo simples, porém trabalhoso, a ser posto em prática: uma mudança de postura de todos aqueles que se envolvem com a indústria seja de maneira passiva ou ativamente.

Há de se falar do comportamento que a maioria das bandas vem exercendo na maneira de compor e na intensidade em que estão produzindo novos materiais. Percebemos que muitas das bandas que são aclamadas como “a nova geração que irá manter o heavy metal vivo”, estão hoje na verdade produzindo seus materiais apenas para uma satisfação de compromisso dos próprios músicos envolvidos. Ou seja, como se estivessem fazendo isso apenas para eles mesmos. Este é um problema recorrente da nossa cena, em que a desconfiança das bandas e dos músicos para com o sucesso se torna tão grande que já não ligam mais para a produção a ponto de não se importarem com as críticas e as opiniões dos fãs sobre os últimos repertórios.

A maneira certa de compor novos materiais que conquistem o público e mantenha a banda fiel a sua proposta musical é algo que há muito tempo foi mostrado pelos grandes nomes do Heavy Metal, e para demonstrar isso citarei um trecho de uma música do Manowar:

Nós estamos lutando sozinhos pelo verdadeiro metal
Detemos o direito de viver a luta, estamos aqui por todos vocês
Agora jurem que o sangue em seu aço nunca secará
Levantem e lutem juntos sob o céu da batalha

A música é a clássica Warriors Of the World, e se ponderarmos bem aí está o ponto central da crítica que deve ser feita ao Metal moderno: trabalhar para o crescimento do Metal em geral, e não somente no aspecto individual. Se pegarmos a primeira estrofe do trecho e juntarmos à última, vemos aí uma mensagem direta que toda a banda que passe a se somar na cena deveria por em mente. O mais importante não é o sucesso a ser alcançado, e sim como a banda irá trabalhar para isso. E ao invés de pensarem somente em si mesmos, todos devem se voltar para o crescimento da cena e da própria evolução do Metal no mercado e na sociedade. Além das bandas, outros setores precisam assumir essa postura para exercer melhor o seu papel na música.

Os empresários e os responsáveis pela parte financeira também devem ter este compromisso. Claro que “negócio é negócio”, porém, isso não significa que uma banda deve deixar de lado seu compromisso com os fãs, que sempre a incentivaram e deram o apoio, para se “vender” as demandas de uma indústria sedenta por um público comercial. Acho apropriado citar a trajetória do Metallica que, apesar de ser uma banda bem sucedida e ter conquistado um grande espaço na indústria, até hoje vive basicamente dos sucessos tidos nos anos 80, mesmo com o lançamento de vários outros discos nos anos 90 e do grande premiado “Black Album”. Ou seja, todo o planejamento financeiro e empreendedor devem estar dentro de sua fidelidade com a cena, e não com meia dúzia de investidores que nunca se “deram o luxo” de ouvir Metal na vida.

A geração atual está conformada apenas em fazer downloads e escutar trinta segundos de uma música para “avaliar” se o que está ouvindo é bom ou não”

Existe outra parte importante na cena do Metal que acaba passando despercebida por estar sempre do lado de dentro dos bastidores: os produtores musicais. Sempre escondidos e por trás das grandes obras no mundo do Rock. Seu papel muitas vezes é auxiliar e ajudar na produção das bandas, mas, ele deve também estar interado a respeito da música em si, já que ser apenas especialista em música de uma maneira geral, no que rege ao Heavy Metal, não significa muita coisa. Ele também deve estar ciente: daquilo que os fãs que dedicam suas vidas a isso querem ouvir, o que a banda tem em suas inspirações para mostra ao mundo, as tendências dentro deste mercado, somar tudo e chegar ao ponto certo de como ajudar os músicos a compor seus repertórios.

E por fim o público, um dos pilares mais questionáveis e com grandes deficiências em interpretar o processo de globalização que vivemos, mesmo sendo um dos agentes principais desse processo. Atualmente as ferramentas digitais permitem que conheçamos uma gama de bandas que não cabem nem na memória interna dos nossos computadores. Porém, a forma de como o público tem participado da cena e apoiado aqueles que são responsáveis pela sua satisfação tem sido bem abaixo do que o mesmo é capaz e poderia estar fazendo. Ao invés de estarem prestigiando os shows ao vivo, adquirindo o material, interagindo nas redes sociais e até mesmo participando e contribuindo profissionalmente para o crescimento da música, vemos bem ao contrário.
A geração atual está conformada apenas em fazer downloads, escutar trinta segundos de uma música para assim “avaliar” se o que está ouvindo é bom ou não e acompanhar seus ídolos apenas em meios digitais sem sair de casa.

Para resumirmos bem as dificuldades e soluções para essa possível crise que está se passando no mundo do metal, utilizaremos a palavra chave: atitude. Esta “norma de procedimento que leva a um determinado comportamento” (significados.com) é o que mantém o Heavy Metal vivo nos dias atuais e é o que falta para se estabelecer de maneira estável para a geração atual. Assim é o dilema da mudança que os headbangers do mundo inteiro vivem atualmente, que só será modificado por quem ainda tem fôlego o suficiente para caminhar pelos próximos anos, pois, os que não têm mais essa condição já fizeram a sua parte.

*Este texto foi elaborado por um Wikimate e não necessariamente representa as opiniões dos autores do site.

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