Paul McCartney se apresentou no Allianz Parque, em São Paulo, na terça (26)

Quando Paul McCartney entra no palco, é difícil segurar a emoção. Aquele senhor de 76 anos é um dos grandes pilares, se não o maior, da música contemporânea. Ele carrega 60 anos da história do rock nas costas e segura um Allianz Parque lotado nas mãos, fazendo o que quer com o público que vai do riso ao pranto.

Era só olhar para o lado durante o show de ontem (26) para entender a importância do Sir. Crianças, adolescentes, adultos e idosos cantaram a plenos pulmões durante quase três horas de apresentação. Abrindo com “A Hard Day’s Night”, o Beatle coloca todo mundo para dançar de primeira.

O carisma de Paul é impressionante. Aguenta toda a duração do show mudando de posição no palco, tocando guitarra, violão, ukelele e piano. Faz dancinhas, piadas e fala em português durante boa parte da apresentação. “Hoje vou tentar falar um pouco mais em português. Mas também vou falar em inglês”, brincou no característico humor. O truque é manjado, mas nunca falha.

Toda a produção do show beira o perfeccionismo. Já no início, em “Letting Go”, um trio de metais surgiu no meio da plateia. Em “Black Bird”, uma plataforma eleva o cantor ao alto, enquanto os leds mostram o pássaro voando pelos céus. Em determinado momento, o piano de Paul ganha vida e se transforma numa tela onde passam imagens históricas. Em outro, o grandioso show se transforma numa íntima apresentação noturna que poderia estar acontecendo em algum lugar no interior dos Estados Unidos.

Os dois telões laterais ajudam na construção do ambiente, dado que tudo é filmado e montado na hora para melhor aproveitamento do público. As telas mostram o exato momento em que o baterista faz uma gracinha ou a cara do tecladista ao tocar uma melodia que todos reconhecem. É uma superprodução em todos os aspectos.

Paul também mostra sua experiência ao vivo na organização que faz do setlist. A primeira metade do show é mais calma, vai esquentando o público e agradando os fãs mais fervorosos. Do novo álbum, Egypt Station, os já sucessos “Fuh You” e “Come On To Me” foram os mais festejados. De surpresa, “Back In Brazil” criou um clima de Bossa Nova e de agradecimento mútuo entre Paul e a plateia.

Também tem músicas dos Beatles e dos Wings, um pot-pourri de todas as fases da carreira. A partir daí, o show acelera e vira uma catarse coletiva. “Being For the Benefit of Mr. Kite”, “Band On The Run”, “Let It Be”, “Live And Let Die” e “Hey Jude”, uma depois da outra. Nesta última, o estádio inteiro com plaquinhas de “Na Na” e um karaokê gigantesco arrepiando qualquer um.

Para encerrar, o tradicional combo de “Golden Slumbers / Carry That Weight / The End” seguido de diversos agradecimentos para a produção, para a banda e para o público. A humildade de um dos maiores gênios da música é cativante. Com confetes e serpentinas verdes e amarelas, Paul se despede e promete que vai voltar em breve. Estaremos todos aguardando ansiosamente.

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