Sepultura lança nesta sexta-feira, 24, pela ONErpm, o EP The Cloud of Unknowing, que será o último trabalho de estúdio da banda mineira de metal após quatro décadas de uma carreira lendária que exportou a música pesada brasileira para o mundo todo.
O material foi registrado de forma orgânica ao longo de dez dias no Criteria Studios, em Miami, sob a produção de Stanley Soares. O projeto marca o primeiro lançamento oficial da banda com o baterista Greyson Nekrutman e traz quatro canções inéditas: “All Souls Rising”, “Sacred Books”, “The Place” e “Beyond the Dream” — que conta com a participação especial de Tony Bellotto e Sérgio Britto, dos Titãs.
Em coletiva de imprensa online, Sepultura detalhou EP ‘The Cloud of Unknowing’
Em coletiva online de imprensa realizada na última quarta-feira, 22, o guitarrista Andreas Kisser e o baixista Paulo Xisto revelaram novos detalhes sobre o EP.
Ao explicar o título, Kisser revelou que a inspiração veio de um movimento cristão do século XIV. Ele afirmou ter adquirido os conceitos ao assistir a palestras do já falecido filósofo britânico Alan Watts durante a pandemia. O pensador questionava o uso excessivo de artefatos físicos e dogmas visuais para alcançar a espiritualidade. O músico relacionou a ideia com o distanciamento atual causado pela tecnologia.
“O Cloud of Unknowing me parece muito pertinente para os dias de hoje em relação à inteligência artificial. Hoje a gente vê muita gente criando um mundo paralelo; essas pessoas acham que aquilo é realidade e experiência, mas elas realmente não estão vivendo. Você precisa tirar essa nuvem do caminho e ter o acesso direto. Está todo mundo preso em telas e perdendo contato com a natureza e com as pessoas ao lado. A gente precisa se questionar se precisamos de toda essa parafernália para ter acesso à nossa espiritualidade”, explicou.
Questionado pelo Wikimetal sobre como foi ter contato pela primeira vez com elementos de jazz trazidos por Greyson nas composições, Kisser respondeu: “Acho que o Paulo pode falar um pouco mais disso, pois ele também é um amante do jazz. Ele gosta muito de Jaco Pastorius e de baixistas, principalmente. E a bateria e o baixo são a base, né?”
“A gente falou desde o começo que foi um disco que não estava programado. Acho que todo o conceito dele vem nessa liberdade. Tem muita pegada do jazz pelo que o Greyson adicionou no Sepultura. Tem uma pegada meio King Crimson também. É meio prog. Então a gente tem essa visão meio eclética nesse disco. Eu tentei puxar o máximo possível das influências que eu tinha dos anos 70. Coisas do Yes, do Chris Squire. Isso foi linkado com a bateria, as guitarras pesadas. E claro, a voz do Derrick [Green]. Acho que o resultado final foi bastante satisfatório para todos nós”, continuou Paulo.
Banda ainda detalhou participação de integrantes do Titãs no EP
Sobre a participação dos integrantes dos Titãs no EP, o Andreas comentou: “A gente começou tudo junto; eu, o Derrick, o Sérgio e o Tony. Criamos um grupo de WhatsApp para trocar ideias e direções. A primeira semente foi do Tony. Ele trouxe um arranjo de violão com algumas ideias vocais e algumas palavras. Eu peguei isso e meio que organizei de uma forma Sepultura.”
“O Sérgio veio com outras ideias também de uma ponte, de estruturas e mais uma letra que o Derrick pegou e organizou à maneira dele. Então a gente fez tudo junto. É um trabalho realmente desse grupo que a gente formou. Obviamente eles não participaram da gravação porque a gente estava em Miami, mas a composição foi feita dessa forma, com todo mundo junto”.
Ele ainda confirmou que a ideia da banda é incluir as quatro faixas do EP no setlist da turnê de despedida Celebrating Life Through Death. “Sem dúvida, para que elas façam parte do disco ao vivo [da turnê] também”, concluiu.
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