Em vinda ao Brasil, duo abriu para o Pearl Jam, tocou no Cine Joia e se apresenta no Lollapalooza

Mike Kerr e Ben Thatcher haviam deixado o ensolarado Rio de Janeiro há poucas horas, após realizarem a segunda apresentação no Brasil. “Foi gigante”, disse Thatcher, baterista do Royal Blood, se referindo ao show de abertura que haviam feito para o idolatrado Pearl Jam, na última quarta, 21, no Estádio do Maracanã.

O sentimento da performance foi parecido com o da estreia em solo nacional, em 2015, quando integraram o line-up do Rock in Rio. “Acho que gostar de Pearl Jam não impede que gostem de nós. Conseguimos ganhar alguns fãs”, opinou Kerr, que ainda portava óculos escuros, apesar de já ter trocado as calorosas praias fluminenses por uma sala de hotel paulistana.

A vinda a São Paulo tinha dois motivos: um show no Cine Joia, que aconteceu na última quinta, 22, e outro no Lollapalooza nesta sexta, 23. Apresentações em formatos opostos, já que a primeira aconteceu em um local com capacidade máxima de 992 pessoas, e a segunda será no Autódromo de Interlagos, para 80 mil.

E, apesar de segurar a postura de quem já está acostumado a grandes palcos, o duo britânico revelou que prefere as performances menores. “Se estivéssemos só nós dois e você nesta sala, e tocássemos, seria muito divertido para você, certo? É mais fácil se conectar com nosso público quando estamos em locais pequenos”, explicou Thatcher.

A certeza nas palavras e as enérgicas performances podem deixar os mais desavisados com a impressão de que os garotos de Brighton estão na estrada há anos, mas a dupla britânica só foi formada em 2013. O segundo álbum da banda, How Did We Get So Dark?, chegou no ano passado, três anos após Royal Blood.

O disco de estreia recebeu uma recepção impressionante, e foi o responsável por colocar a banda no patamar de “salvadores do Rock”, nas palavras do líder do Foo Fighters Dave Grohl. “Acho que não é sobre salvar [o Rock], mas sim sobre representá-lo. Em uma época em que não existem muitas bandas de Rock, nos viram como uma esperança de carregar o legado do gênero”, afirmou Kerr. “Mas em alguns anos pode aparecer outro novo bom grupo, e dirão o mesmo. A música não para.”

O sucesso trouxe não só shows ao redor de todo o mundo, mas também turnês com bandas anteriormente renomadas, como o Pearl Jam, o Arctic Monkeys e o Queens of the Stone Age. Só que aparentemente as parcerias são meramente profissionais e não rendem além do palco. “Não fazemos colaborações porque não temos amigos. Não gostamos de ninguém e ninguém gosta de nós. Talvez, vindo para o Brasil e conhecendo tantas pessoas felizes, deixemos de ser tão antipáticos” ironizou Thatcher. Talvez seja brincadeira, ou talvez seja o preço de ser um rock star. Deixamos que o Royal Blood decida.

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