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Slayer. Crédito: Divulgação

Slayer. Crédito: Divulgação

Por que Slayer tocará ‘Reign in Blood’ na íntegra no show em São Paulo

Banda fará show único no dia 17 de dezembro no Allianz Parque

Quatro décadas após redefinir os limites da música pesada, Reign in Blood voltará ao centro das atenções. No dia 17 de dezembro, o Slayer faz uma apresentação única no Nubank Parque, em São Paulo, executando o álbum na íntegra em comemoração aos seus 40 anos. Será a única oportunidade para o público brasileiro assistir ao clássico completo ao vivo, acompanhado ainda por Kreator e Korzus. Os ingressos estão à venda no site da Livepass. 

Lançado em 07 de outubro de 1986, o terceiro álbum do Slayer é frequentemente apontado como um dos trabalhos mais importantes da história do thrash metal. Gravado em Los Angeles sob produção de Rick Rubin, então à frente da Def Jam Recordings, o disco consolidou a formação clássica formada por Tom Araya (baixo e vocal), Kerry King (guitarra), Jeff Hanneman (guitarra) e Dave Lombardo (bateria). Com apenas 29 minutos de duração, a obra elevou o nível de velocidade, agressividade e precisão técnica, tornando-se referência para o thrash metal, death metal, black metal e inúmeras vertentes extremas que surgiriam nas décadas seguintes.

A produção foi direta e sem excessos. Rubin incentivou a banda a simplificar os arranjos sem perder intensidade, criando um som mais seco, pesado e objetivo que o do disco anterior, Hell Awaits (1985). Em plena década de 1980, quando o thrash metal vivia sua ascensão ao lado de Metallica, Megadeth e Anthrax, o Slayer entregou um álbum que rompeu barreiras sonoras e também provocou controvérsia por causa de suas letras e da arte de capa. Apesar das críticas e da resistência de parte da imprensa, Reign in Blood tornou-se um marco absoluto do metal extremo e permanece como uma das obras mais influentes do gênero.

Considerado o maior clássico da carreira da banda, Reign in Blood permanece como principal referência de sua discografia. Não por acaso, é o único disco escolhido pelo grupo para ser executado integralmente em apresentações especiais. Em entrevista à Metal Hammer, Kerry King foi categórico: “Já fizemos algum disco tão bom quanto Reign in Blood? Definitivamente não”.

O Wikimetal preparou um faixa a faixa para o público se preparar para o retorno do Slayer ao Brasil:

1. “Angel of Death”

A abertura mais famosa da história do thrash metal nasceu da fascinação do guitarrista Jeff Hanneman por livros e relatos sobre a Segunda Guerra Mundial. A letra retrata os crimes de Josef Mengele, médico do campo de concentração de Auschwitz, e gerou forte controvérsia na época do lançamento. O Slayer sempre afirmou que a música não faz apologia ao nazismo, mas apresenta um relato histórico sob uma perspectiva narrativa.

Em diferentes entrevistas, Hanneman explicou que o interesse era exclusivamente histórico e não ideológico. “Angel of Death’ foi um grande problema. Lembro-me de receber um telefonema depois que o álbum estava pronto. A Sony não ia lançá-lo. Lembro-me de estar em casa, puto da vida, jogando coisas. Não tem ‘Heil 
Hitler‘ ou ‘brancos mandam'”‘, é um documentário; amadureçam, gente. Demorou meses até que eles o aceitassem”, disse Jeff à revista Filter [via Blabbermouth].

2. “Piece by Piece”

Uma explosão de pouco mais de dois minutos que descreve violência extrema com um dos riffs mais rápidos do disco e bateria incessante. Representa o lado mais brutal da escrita da banda na época e poderia ter caído em insignificância mas se tornou uma faixa inventiva com o espírito agressivo e demoníaco que o thrash metal exalava na época.

3. “Necrophobic”

Inspirada no medo da morte, é a faixa mais curta de Reign In Blood e também a mais brutal. Combina velocidade absurda com mudanças de ritmo precisas. É uma das faixas que melhor exemplificam a influência do Slayer sobre o death metal, tanto na sonoridade quanto na letra, onde Tom Araya destaca uma lista de maneiras extremamente desagradáveis e horríveis ​​de morrer, com um refrão que diz “Rasgando, cortando a carne, arrancando os olhos, despedaçando você membro por membro!” 

4. “Altar of Sacrifice”

Mistura críticas à religião organizada com uma execução extremamente agressiva, onde Araya berra a frase perfeita para uma banda de metal: “Bem-vindos ao reino de Satã!”. O trabalho de guitarras é um dos destaques da composição, que possui nada menos que três solos estridentes de Jeff Hanneman. Kerry King já afirmou em entrevistas que escrevia sobre Satanás e temas mórbidos por achar que combinavam perfeitamente com a agressividade e a velocidade do thrash metal, comparando o apelo visual das letras a filmes de terror dos anos 1980, e declarando abertamente ser ateu e não um praticante do satanismo.

5. “Jesus Saves”

Essa música surge conectando-se perfeitamente à anterior “Altar of Sacrifice”. Com ironia e sarcasmo, questiona o fanatismo religioso, mostrando a visão do Slayer sobre o cristianismo. Outra faixa curta do disco, alterna riffs rápidos com passagens marcantes que reforçam a tensão da letra.

6. “Criminally Insane”

Lançada como o único single de Reign In Blood, a música aborda a mente de um assassino em série. O andamento pesado e os riffs cortantes criam uma atmosfera mais sombria que a maior parte do álbum. Com tom de adrenalina e hiperviolento, a música ainda é uma das mais medonhas do thrash metal. Destaque aqui para Dave Lombardo, que fez um dos melhores trabalhos na bateria.

7. “Reborn”

Explora temas ligados ao ocultismo e à transformação espiritual em uma das faixas mais velozes do disco. O solo dividido entre King e Hanneman é um dos pontos altos. Embora não seja uma das melhores faixas do disco, é uma obra do Slayer.

8. “Epidemic”

Curta e extremamente intensa, é uma das faixas menos aclamadas do disco. Como o nome já entrega, “Epidemic” fala sobre uma praga devastadora que se espalha sem controle. Aqui, é outra música onde a bateria de Dave Lombardo conduz toda a agressividade.

9. “Postmortem”

Chegando aos ritos finais, o disco volta a animar com uma música que começa e forma cadenciada antes de acelerar progressivamente – com um riff grandioso. Considerada uma das composições mais marcantes de Jeff Hanneman, a faixa trata da morte e do julgamento final e prepara o terreno para o desfecho de Reign in Blood, um dos encerramentos mais emblemáticos da história do heavy metal.  “Acho que meu momento favorito no álbum é a transição de ‘Postmortem’ para ‘Raining Blood’. Essa parte é monstruosa. É épico como ela flui de uma música para a outra”, relembrou Dave Lombardo em entrevista à Loudersound.

10. “Raining Blood”

O encerramento do álbum tornou-se também a música mais emblemática da carreira do Slayer. A música representa perfeitamente a identidade sonora construída pelo Slayer em Reign in Blood, com a introdução com sons de chuva antecedendo um dos riffs mais reconhecidos da história do metal. A letra descreve uma vingança apocalíptica narrada pela própria alma de um personagem que retorna para destruir seus inimigos. A faixa encerra um dos discos mais curtos de thrash metal.

Em entrevista à revista Metal Hammer, Tom Araya comentou: “As 10 músicas somaram 28 minutos. Um álbum completo, por contrato, tem no mínimo 45 minutos de música. Perguntei ao Rick se estava tudo bem. A única resposta dele foi: ‘São 10 músicas, o que já é um álbum. Tem versos, solos e refrões.’ Ele não teve problema nenhum com isso, o que foi muito legal.”

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