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My Chemical Romance em São Paulo 2026. Créditos: 30e/bmaisca

My Chemical Romance se despede sem “The Ghost of You”, mas com show impecável

Banda se apresentou duas noites seguidas no Allianz Parque, em São Paulo

My Chemical Romance encerrou sua passagem pelo Brasil com um segundo show da turnê Long Live The Black Parade na noite de sexta-feira, 06. A banda retornou ao Brasil após longos 18 anos de espera e encontrou um Allianz Parque lotado de adultos emocionados que, em sua grande maioria, os conheceram quando ainda eram crianças ou pré-adolescentes.

Toda uma geração de fãs que hoje lota estádios conheceu o My Chemical Romance nos anos 2000 – provavelmente por volta da última passagem do grupo pelo Brasil, em 2008 – e não tinha idade o suficiente para sequer pensar em pisar em um show de rock. O sucesso da banda em terras brasileiras, assim como o de vários outros nomes da cena emo, se atribui em grande partes às saudosas MTV e Mix TV, que passavam videoclipes diariamente.

Absolutamente consciente de seu auge e da faixa etária do grupo que cresceu com eles e nunca teve a chance de vê-los, o My Chemical Romance revive o aclamado disco The Black Parade (2006), detentor de sucessos como “I Don’t Love You” e “Welcome To The Black Parade”, responsáveis por cativar aquelas crianças e pré-adolescentes que hoje são adultos formados, e também as novas gerações que se tornaram fãs muito depois. 

A banda faz um espetáculo completo tocando o disco na íntegra e integrando a ele uma encenação teatral e conceitual, onde atuam nos papéis de uma banda controlada pelo regime autoritário do país fictício de Draag. Vestidos com as clássicas roupas da “marching band”, o grupo encena o álbum no palco mais como se fosse uma peça de teatro do que um show por si só. A experiência é avassaladora, catártica e impressionante, com pirotecnia controlada e reviravoltas chocantes.

The Hives se destaca como excelente banda de abertura

Os shows da América Latina contaram com a participação ilustre dos suecos do The Hives. Formada no início dos anos 1990, a banda encanta e cativa com seu garage rock dançante e eletrizante, apresentando uma sequência frenética de músicas que não deixa a peteca cair em nenhum momento.

O vocalista Pelle Almqvist dá um show de carisma como pouquíssimos outros. Falando em português o tempo inteiro, ele agita a plateia com expressões como “pulam, pulam, paulistas” e “gostoso”. Em pouco tempo, o público inteiro está na mão do vocalista e completamente entrosado com o show. The Hives é uma das poucas bandas de abertura que conseguem encantar e entreter tanto quanto o nome principal da noite.

Segunda noite teve surpresas, mas sem “The Ghost Of You”

Passado o primeiro ato onde se destaca a performance teatral magnífica do vocalista Gerard Way, o My Chemical Romance retorna ao palco com roupas casuais para uma sequência de músicas tocada de maneira mais “crua” e separada do universo criado para o The Black Parade.

Na segunda noite, eles tocaram os clássicos “Helena” e “Na Na Na”, e adicionaram “To The End” e “SING”, que apareceram poucas vezes na turnê até então. O grupo encerrou o show pela primeira vez com “The Foundations of Decay”, lançada em 2022 de surpresa como o grande “comeback”. Pela segunda noite seguida, o público brasileiro ficou só na vontade de ouvir “The Ghost Of You”, um dos sucessos mais famosos no Brasil. 

Apesar do gostinho de “quero mais” causado pela ausência de uma queridinha, é possível dizer que os fãs de My Chemical Romance saíram dessas duas noites de show de alma lavada. A banda mostrou que consegue unir gerações como poucos outros nomes e que, apesar de não ter lançamentos recentes, se mantém relevante até mesmo para o público que chegou muito depois de seu auge.

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